Ao mesmo tempo, não é meu feitio generalizar, mas tem horas que a gente acha que as coisas se tornam por demais parecidas. Em profissionais, principalmente. Todavia, em cavalos de corrida, há uma tendência, das pessoas, também em generalizar e assim muitas vezes rotulam-se laranjas, como se fossem maças, que embora sejam ambas frutas, tem a meu parecer, aspectos e gostos distintos.
Eu tento analisar um cavalo como um individuo. Ele não pertence a uma classe ou mesmo representa uma tendência. Outrossim, filhos de Galileo, parecem ser aptos a correr mais que os filhos de outros reprodutores, nesta última década. Assim como eram os filhos de seu pai Sadler´s Wells. A isto chamo de dominância, e em momento algum penso em generalizar. Apenas comparar.
O turfe norte-americano me parece ser o mais heterogêneo, entre os centros de maior competitividade moderna. Aqui para um cavalo exercer um dominância, é muito difícil. Acredito que Nasrullah e seu filho Bold Ruler, foram os únicos que conseguiram exercer na era contemporânea do turfe local, esta dominância. E talvez por isto A. P. Indy e seu neto Tapit continuem a se manter firmes, mesmo com o assédio desproporcional dos Mr. Prospectors.
Construo pedigrees, consubstanciados em linhas maternas que consideram consagradas e em estruturas genéticas, entre as quais a que contam duplicações, me parecem ser as mais aprazíveis. E quando você opta por duplicar alguém, procura por chefes de raça e matriarcas que a seu ver, dominaram. Não é a toa que inbreeds em Northern Dancer e Mr. Prospector, quando juntos em um pedigree, aumentam em muito suas chances de sucesso. Por isto a esta estrutura arvorei-me em chama-la do binômio mágico. Quando a eles somamos outro inbreed assumo que passam a formar um tripé.
Com Buckpasser, Secretariat, Danzig, Raise a Native e Seattle Slew, estes tripés se tornam os mais produtivos, quase mágicos. Não é uma opinião. Para mim é um fato contabilizado em números em minhas pesquisas sobre ganhadores de provas de grupo. Todavia nota-se que das cinco vertentes, citadas acima, duas descendem de Bold Ruler. O que sugere que talvez a dominância de Nasrullah e seu filho Bold Ruler exercida décadas atrás, sejam os pilares dos imbreeds em Seattle Slew.
Apresento diariamente resultados de provas de grupo no mundo e mantenho outras contagens pessoais, que normalmente não me sinto impelido a publicar. Dentro daquele meu conceito anti generalização. Porém, saibam que os tripés formados com o terceiro imbreed em Secretariat ou em Seattle Slew, são os que mais numericamente tem me chamado a minha atenção.
Logo, dominâncias devem ser respeitadas, exploradas e principalmente repetidas de forma exaustiva, para a fixação de características em animais.
Mas como exercer esta sintonia numa criação brasileira que carece de bons mensageiros? Este é o desafio que temos que enfrentar, iniciando do início com o risco que custará a empreitada. Nada se prova sem um inicio. Trata-se de uma metodologia que leva tempo a formar-se. Perdemos, uma grande chance ao deixar se evadirem os filhos machos de Ghadeer. Ele exerceu um dominância aterradora. Como Southern Halo o fez na Argentina, Danehill na Australia e Sunday Silence no Japão. Coincidentemente nos dois países da América do Sul, não foram conseguidas o estabelecimento de continuações. A Argentina perdeu igualmente o bonde, coisa que a Australia e o Japão, parecem que não vão perder. Mas para isto o aproveitamento do garanhão nacional tem que se tornar uma realidade. Leiam, o Papo de Botequim de hoje e entenderão onde quero chegar,
Cometeremos o mesmo erro, cometido com Ghadeer, Roi Normand e outros, agora com Wild Event e Put it Back? Não existirão alguns que o agradaram em pista com linhas maternas respeitáveis a seu conceito? Medo do rosnar alheio? Do pagamento do mico? Olha, sempre que estes pensamentos vierem a sua mente, tenha noção do que é necessário para evoluir. E esta evolução só é conhecida quando for capaz de ter certas características próprias, devidamente fixadas. E mais, para que esta fixação se cristalize, não podemos abrir mão do elemento fixador: o dominante. Pensem no assunto, pois, ainda há tempo.
