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segunda-feira, 5 de outubro de 2020

PAPO DE BOTEQUIM: AGUENTANDO O ROJÃO

Vaguely Noble

O personagem do Kafka acordou um dia uma mosca. E eu ontem me sentindo velho. Mas quando isto veio a acontecer? Naquele dia, horas antes, quando na fila do aeroporto vi um menina, que considerei como certinha. Isto é daquelas que nada ser somado, quanto mais suprimido. E mais tarde na sala de espera, nos cruzamos e ele me chamou de tio.

Dai para frente notei que precisava de óculos, não apenas para usar o controle remoto, mas tamb para simplesmente localiza-lo. Mas o cérebro, continuava o mesmo. E até certo ponto, mais perspicaz. Vendo as coisas com mais clareza. E a certeza que a vida é feita de regras. 

Sim, a vida é feita de regras básicas de comportamento, que devem ser cumpridas, assim como leis deveriam ser seguidas. Porém, por mais claro que isto possa parecer, é necessário a existência de juizes, para mediar certas situações. O que em outras palavras quer dizer que não existe aquela situação de pão, pão, queijo, queijo.

Sou a favor que um garanhão esteja o mais perto possível do chefe de raça, mas isto não inviabiliza a utilização de alguém que não esteja tão perto do chefe de raça ou seja filho de alguém que não possa ser considerado um reprodutor que tenha demonstrado grande capacidade transmissora.

Vaguely Noble cortou um dobrado, para firmar-se, pois, seu pai Vienna nunca veio a ser considerado um garanhão de primeira linha. Clackson, sofreu não apenas por ser nacional, como igualmente ser filho de I Say e neto de Sayajirao. Recentemente vi muitos narizes torcidos ao tomar conhecimento que Tiger Heart ser filho de Scatamandu, mas isto não impediu que tanto Clackson ser um dos maiores garanhões de nossa história, e Tiger Heart ter um nome na reta sólido e respeitado.

O problema é que tanto Vaguely Noble, quanto Clackson foram incapazes de produzir a um garanhão sequer. Seria então o problema de descenderem de elementos com pouca envergadura reprodutiva?

Para mim, o que faz um reprodutor é seu físico, sua campanha e um pedigree adequarem ao maior número de cruzamentos possíveis. Trazer um filho de Danehill ou Sadler´s Wells fracassado na pista ou no breeding-shed, dificilmente irá nos ajudar. Nossa criação é a prova viva que linhas consideradas mortas em outros centros, aqui podem sobreviver e até luzir. Vejam os Icecapades, os Buckpassers, os Hurry Ons, e tantos outros. Firmaram-se na criação brasileira, embora seus filhos não tenham dado continuidade via linha alta. 

Temos um trauma em relação ao aproveitamento do reprodutor nacional. Australia, Japão e Africa do Sul, procuraram curar-se desta anomalia e hoje criaram linhas próprias, e no caso dos dois primeiros centros, hoje passaram a ser exportadores de reprodutores para centros de maior envergadura.

Temos que julgar cada caso, separadamente. Confesso que prefiro linhas que não estejam indo em direção ao pântano, mas nunca me furtarei a apreciar um reprodutor destas linhas que se firme reprodutivamente. Penso que se o reprodutor nacional possa não ser a solução mais brilhante, pelo menos deva ser a mais viável de estabilização de nosso poderio genético.

Pelas estatísticas que faço e em alguns casos aqui publico, não é coincidência o fato das famílias maternas que melhor tem se saído no Brasil, sejam em quase a sua totalidade, as mesmas que mais sucesso tem no hemisfério norte. Isto apenas corrobora que são as éguas que estão aguentado o rojão.

Ele é pesado mas dá para manejar...