Em defesa das linhas que considero tronco, tenho algo a dizer.
Eu acredito em linhas maternas. Vejam o caso do recente vencedor do Grande Premio ABCPCC. Esqueçam que se trata de uma carreira em 3,000 metros e que foi disputada por cavalos, muitos dos quais, vocês nunca houveram falar. Outrossim, embora ele seja filho de um reprodutor, que pelo menos para mim provou ser de tremenda utilidade, T. H. Approval, analisando-se o pedigree de Mstraubarry deparamos com um estrutura genética materna formada por Hozmeister, Boatman e Tokahee, que para mim, não passa do mapa do inferno do lado do avesso, como diria o Edson Alexandre. Mas, e na grande maioria das vezes sempre existirá um mas, e neste caso presente, a quarta mãe é Donnegale.
Ai amigos, tudo passa a ter um sentido e você passa a compreender, - evidentemente os de mente aberta - que quando existe uma matriarca na questão, coisas extraordinárias podem acontecer, mesmo ela estando na quarta geração e mesmo em se tratando de algo, erigido por elementos ordinários, alguns que podem ser considerados eletricistas..
Querem outro exemplo? Para mim o pior ganhador do Arco foi Sagamix. Ele tinha um pedigree, que poderia ser considerado, mesmo entre os mais exigentes, de médio para cima, mas ninguém me tira da cabeça, que a classe que ele demonstrou naquela tarde, se deveu muito a ganhadora do Vermeille e segunda colocada nesta prova, La Mirambule, uma filha de nosso bastante conhecido Coaraze.
Nos dois casos, é apenas uma opinião, pois, em casos como estes nada pode ser considerado concreto. Todavia você deverá ter o direito de apontar qual seria o provável ponto de força do pedigree. E se levarmos em conta que La Mirambule além de ser uma égua extraordinária em pista, produziu a um ganhador do King George VI and Queen Elizabeth Stakes, Nasram e a outro vencedor do Irish Derby, Tambourine, animal que alcançou o time form de 133, o que não me parece ser um patamar que muitos alcançam.
Donnegale por sua vez, é - em meu conceito - uma das seis maiores matriarcas da criação brasileira. Logo, não me parece uma questão de coincidência um descendente cujas três primeiras mães se viram molestados por verdadeiros eletricistas, tenha consigo chegar com sucesso a esfera clássica.
Logo a base do raciocínio me parece lógica quando alguém defende a utilização destas linhas troncos, mesmo sendo elas permeadas de eletricistas.
O que não pode acontecer e que o Marcelo Augusto irá descrever com mais detalhes, é a extinção de La Malma. Para mim, a única de real valia entre as doze importadas pela ABCPCC, com certeza também a única que realmente provou a que veio, e não seria pelo simples fato de ser uma Pretty Polly? Isto é o que chamo de uma linha tronco. Observem a importância das mesmas. Não importa que La Malma fosse uma filha de Manacle, e que Pretty Polly viesse a ser sua oitava mãe. Ela pertencia a uma linha tronco e ainda por cima por um veio seu pródigo, o de Sister Sarah. A mãe de la Malma, por sua vez, era uma Nearctic, que o tempo provou ser uma tribo que funciona bem na criação brasileira, e ainda por cima, duplicada em duas fantásticas matriarcas, Sister Sarah e Scapa Flow.
Assim sendo, não fica difícil de se imaginar, porque que ela produziu a dois champions, um deles Boticão de Ouro tragicamente desaparecido em pista. Ai eu me pergunto: como a descendência de uma égua como esta pode simplesmente desaparecer de nossas lides? Parece-me inconcebível. Impraticável. Mas nossa dura realidade prova ser possível. E creio que o Marcelo Augusto será ainda mais pontual nesta questão, pois, esta debruçado, não é de hoje, sobre este assunto.



