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segunda-feira, 30 de novembro de 2020

PAPO DE BOTEQUIM. AS RETICÊNCIAS DO TURFE


Mantenho um dialogo constante com as pessoas que acredito que tenham algo a ser somado a meu conhecimento. No Brasil, não são muitas. Mas elas existem com certeza. Considero-me ainda um aluno. Não engatinho mais, outrossim, ainda cometo meus erros e tenho total percepção que quanto mais aprendo, mais necessito aprender.  Porém, igualmente tomei conhecimento que você tem que se contentar em acertar mais do que erra. Se seu percentual de acerto estiver na casa dos 80%, você está na profissão certa. Se estiver abaixo dos 50%, um conselho, vá jogar golfe...

Tesio dizia que depois de três gerações, a lâmpada perdia sua intensidade. Em parte ele estava certo. Todavia, existem dominâncias que perduram, não só em famílias maternas como em tribos, ou alguém duvida da dominância de Northern Dancer-Sadler´s Wells-Galileo, a de Northern Dancer-Danzig-Danehill, ou de linhas troncos como a 13-c, 1-x e 14-c, por exemplo?

No futebol tem uma lei que cada dia fica mais latente. A praga do ex. Ele vai lá e invariavelmente faz gol contra seu ex-time. No turfe o maior inimigo de um jovem reprodutor é seu pai consagrado. Quem detém as grandes éguas, sempre preferirá a matriz a qualquer filial. Por isto, muito crédito tem que ser dado a Frankel e Kodiac. Mais o primeiro que para o segundo, pois, para este último, a concorrência do pai já não existe mais.

Imaginem quão duro foi para Galileo, Montjeu e High Chaparral, ter que enfrentar Sadler´s Wells. Logo o que Galileo, conquistou foi uma verdadeira dominância, que chega a desafiar a lei de Tesio.

Vejo por exemplo que a Europa se recusa a usar um Seattle Slew ou mesmo um Deputy Minister, pois, eles se provaram carentes de qualquer habilidade na pista de grama. Os poucos que conseguiram burlar a regra geral, e se saíram bem no terreno gramático, quando aproveitados reprodutivamente, constituíram-se em tremendos fracassos.

Se você quer dominância tem que aceitar as regras do jogo. Elas não foram escritas por mim, ou por quem quer que seja. Você tem que observar e acreditar que em 95% das vezes, as coisas não acontecem por acaso. Elas acontecem por que tem que acontecer. Por que dois japoneses, não conseguem produzir louros de olhos azuis? Se conseguir o milagre, acho bom desconfiar do vizinho alemão, sempre muito simpático, do quarto andar...

Agora se você não acredita em dominância, porque então trazer um filho de Tapit ou de Into Mischief? Você os trás porque acredita que exista uma força de transmissão naquela tribo. Se não os Duke de Marmalades cobrindo, como cobriram as mesmas éguas ofertadas a Ghadeer, teriam tido resultados semelhantes. E a gente sabe que não foi bem isto o que aconteceu...

Não se pode ganhar um torneio de meia dúzia de times escolhidos a esmo, e em seu pais achar que se ganhou um mundial. Tem que se primeiro ganhar uma Libertadores e a seguir seguir rumo a Tokyo ou Qatar e enfrentar que que realmente foi de melhor, nas outras partes do mundo.

O mesmo acontece com a criação de cavalos de corrida. Vejam que Mr. Prospector, Fappiano e Kris S, iniciaram na Florida. Belong to Me e Laoban em New York. Contudo na primeira fagulha de uma possível existência da capacidade de transmissão, foram imediatamente transladados para Kentucky. E a qualidade do book de éguas se fez presente. E suas respectivas efetividades se tornaram mais visíveis ao olho do mercado. Isto se chama acreditar em dominâncias. Como sempre digo, tem que se observar e acreditar que as coisas não acontecem por acaso...

Muitas são as reticências desta nota. Mas são elas que o fazem pensar e sentir necessidade de ir mais ao fundo do âmago das coisas. Ninguém nasce sabendo. É na verdade observando e ouvindo que se agrega conhecimento. Um dia o Parmera quem sabe ganha o seu mundial. É grande e um dia o merecerá. Mas até lá tem que se contentar em continuar tentando.

Na criação de cavalos de corrida, deveríamos ser os primeiros a exigir um atestado de dominância naquilo que ousamos trazer. Um Seattle Slew de grama, tem provavelmente o mesmo valor que o Galileo de dirt. Se a família 42, tivesse o mesmo potencial de uma 1-x, eu acredito que o turfe estaria de cabeça para baixo. Pois, teríamos que obrigatoriamente rotular Tesio, Boussac, Lord Derby e Aga Khan, de tremendos sortudos.,,

E lá se vão mais reticências...