Nelson Rodrigues sempre dizia que ser jovem é uma doença, mas que felizmente se cura com o amadurecimento. Pois bem, um dos únicos plus que o jovem brasileiro tinha, era o de não acreditar em ideologias. Era esta sua grande virtude e a maior prova de sabedoria popular. Mas infelizmente a nova juventude brasileira, catequizada pela esquerda funesta petista, burrificou-se, não dando crédito à máxima que a ideologias, criadas com a revolução francesa, que a seu tempo fizeram rolar pescoços reais, foram as mesmas que fizeram rolar a seguir os pescoços dos responsáveis por rolar as primeiras. Este é o preço da ideologia: a cegueira convulsiva.
No turfe, eu acredito em certas teorias, mas não nos dogmas que elas podem se transformar, se aplicadas cegamente, sem critério algum. Cada caso, é um caso e deve ser estudado de forma particular. Como por exemplo, aquilo que chamo de pontos de força. É claro, que é altamente subjetivo se acreditar que toda a potencialidade de um pedigree pode vir de certos elementos, principalmente quando eles são duplicados. Mas esta subjetividade é muito maior ainda, quando a aliada a teoria da sorte ou do destino, aplicada por muitos. Principalmente aquela calcada de que do cruzamento do bom, com o bom, irá fatalmente gerar ao melhor.
No Brasil já tivemos exemplos gritantes de haras que primaram por se fortalecer de éguas clássicas e que fecharam suas portas muito mais cedo do que se poderia supor. Ao passo que outros que acreditavam estar nas linhas baixas a possibilidade de maior sucesso, as portas ainda se mantém abertas.
Não creio que ainda sejam muitos, aqueles que pensam que uma família materna, que uma determinada linha tronco, não possam fazer uma diferença. Da mesma forma que a humanidade foi dizimada por intolerâncias monoteístas, muita gente no turfe não se deu conta de erros cometidos, pela simples fato de não levar a sério, as dominâncias de tribos e famílias fator crucial de sobrevivência. Elas existem e a maior prova disto e o desaparecimento de muitas e a manutenção de poucas.
Eu acredito que falta erudição básica no turfe brasileiro. Não se conhece o passado e mesmo assim muita basófia é dita sobre o futuro. Vó Adelina, sempre dizia que quem achar que o futuro a Deis pertence, não merecia sequer viver. Somos nós que determinamos o nosso futuro. Como Tesio, o fez na Itália, a Coolmore na Irlanda, Yoshida no Japão e Edward Taylor no Canadá. Quatro países teoricamente que nunca poderiam fazer frente aos Estados Unidos, Inglaterra e França, outrossim, a clarividência de alguns, tornou isto ser possível.
Nada impossível. Mesmo a Dilma um dia pode dizer algo aproveitável e até o Boulos arrumar um emprego. Somos um turfe com poucos rumos, mas mesmo assim, capazes de criar já pelo menos 50 cavalos capazes de sair pelo hemisfério norte e provaram que nada deviam a seus coetâneos. Se atualizarmos nossos conceitos, poderemos duplicar este número, num espaço bem menor de tempo, do que o gasto pelos 50 primeiros.
Mas que isto possa acontecer, temos que acreditar e nos interarmos do que fizeram os outros, para colocar a cabeça fora da água. Por enquanto estamos submersos.
