Muitas coisas fazem você decidir pela compra de um cavalo de corrida. Agora fazer o que é certo com este animal, depois da compra, é que me parece o x do problema. Muita gente me cobra porque Einstein foi para os Estados Unidos, ainda inédito? Eu diria que a oportunidade. Um cliente abriu mão de comprá-lo e outro dos Estados Unidos, pensou em comprar um potro no Brasil. Como diria tio Jorge, o marginal. Era o útero encontrando o agradável. Mas vamos por partes.
Sempre tive um crunch por Merry Sunshine (Santa Claus e Los Angeles por Supreme Court). E por isto sempre acompanhei o que ela e suas filhas produziram, a espera que de algo muito especial um diria poderia acontecer. E este algo aconteceu felizmente nas patas de Gay Charm, a mãe de Einstein. Aliás, desde seu batismo que um nome não podia ter caído mais sob medida neste filho do inesgotável Spend a Buck. Qual a razão deste crunch? Por favor analisem o pedigree de Merry Sunshine e reflitam tudo o que nele está exposto. Ali a frente dos olhos de quem quiser ver, está a base de uma reprodutora que se tornou égua base em um conceituado estabelecimento de cria. O Mondesir.
O simples fato desta britânica ser imbreed em Precipitation - o mais importante mensageiro do invicto Hurry On - por si só agradava-me. Principalmente levando-se em conta a importância que os Hurry Ons sempre tiveram na criação brasileira. Outrossim, existiam outros fatores preponderantes. E o mais importante deles é a meu ver a combinação de diversos Rasmussen Factors, em sua mãe e nela própria. Uma sucessão de fatores que a meu ver determinavam ser ela possuidora da capacidade de transmitir classe.
Sua mãe Los Angeles, trazia no bojo de seu pedigree, os Rasmussen Factors em Lady Juror, por seu filho Fair Trial (avô materno de Supreme Court, pai de Los Angeles) e Sansonnet (mãe de Tudor Minstrel, avô materno desta mesma Los Angeles) e também o em Scapa Flow, por seus filhos Fairway (pai de Fair Trial) e Pharos (avo materno de Owen Tudor, o pai de Tudor Minstrel). Engenharia genética que deve ser respeitada e se possível imitada.
Cruzada com Santa Claus, Los Angeles teve a oportunidade de produzir a Merry Sunshine que por sua vez trazia em sua equação genética o Rasmussen Factor em Gondolette, por sua filha Dolabella, a terceira mãe de Chamossaire (pai de Santa Claus) e seu filho Sansovino (avo materno de Tudor Minstrel, este avo materno de Los Angeles). Se isto não bastasse Santa Claus possuía um imbreeding em Pharos, objetivando que Merry Sunshine passasse a ter quatro linhas de Scapa Flow e um subseqüente Rasmussen Factor nesta reprodutora base do élèvage Derby. Assim sendo, a base sempre esteve ali. Alguém notou e a adquiriu. Merry Sunshine, para mim é égua base. O segmento da Oaks winner Virga e da One Thousand Guineas winner Gay Charm, respectivamente segunda e primeira mães de Einstein apenas realçaram a tendência que um dia um produto deste trinômio iria produzir em termos mundiais. E Einstein ai está para provar a tese. Ainda mais sendo ele filho de um dos mais consistententes ganhadores do Kentucky Derby, descendente de uma tribo de tremenda adequabilidade dentro da criação sul-americana: Buckpasser.
A todos Gay Charm foi servida; Bright Again, Candy Stripes, Clackson (2 vezes), Effervescing, Roi Normand (3 vezes), Nedawi, Pleasant Variety e Roy. Mas foi com Spend a Buck que ela explodiu, demonstrando necessitar de um forte influxo de espontânea velocidade, que com certeza somente este descendente de Buckpasser - entre os que compunham esta lista - poderiam lhe oferecer.
Abro um parênteses. Mesmo, com todo respeito pelo que fizeram em pista tanto Effervescing, quanto Clackson e Roi Normand, nenhum deles pode ser comparado ao que foi Spend a Buck. Fecho o parênteses.
No pedigree de Einstein, existem 16 chefes de raça, 14 pontos de stamina, 12 de velocidade e apenas dois elementos nascidos no Brasil; suas duas primeiras mães, ambas ganhadoras de graduação máxima. O que determina que não foi por acaso que ele chegou onde chegou, internacionalmente. Tinha pedigree para tal. Só não viu quem se desobrigou a ver.
Por estas peripécias da vida, Einstein a principio era para ter permanecido no Brasil, se o treinador de uma dos mais importantes coudelarias brasileiras não houvesse se pronunciado que este tratava-se de mais um filho de Gay Charm, uma égua que segundo ele nada produzira. Todos eram bonitos, mas de pouca valia. Como este mesmo treinador achara Quick Road muito grande, repassei Einstein para um proprietário norte-americano, cujo treinador, presente as vendas, gostou imensamente de seu físico e aceitou subir a base pré estabelecida. Talvez por saber menos do histórico de Gay Charm e acreditar no que seus olhos viam, ele tenha aceitado adquirir seu filho, o que prova que as vezes saber menos, representa muito mais, quando a abobrinha é o tema principal de uma discussão. Afinal, quem observou o que Charming Doll produziu antes e depois de Much Better, ou mesmo Jolly Saint antes ou depois de Da Hoss, deve ter em mente que o que realmente vale em termos de seleção, é o produto em questão. Aquele que está a sua frente. O histórico de seus progenitores apenas determina o montante de seu investimento. Nunca o fator de rejeição. Seria vacina que todo o profissional do turfe deve receber de forma a estar aberto a toda e qualquer opção.
Deixar de sair com Zeta Jones,
porque suas duas ou três outras irmãs eram feias,
me parece uma ação infinitamente tresloucada.
Não tenho dúvidas em afirmar que Pico Central, Siphon, Sandpit e Riboletta foram os quatro mais importantes corredores brasileiros em solo norte-americano, assim como Hard Buck o foi em solo europeu. Mas penso que a campanha de Einstein seja de primeira linha; por sua consistência física e mental de sempre tentar e estar presente nos momentos cruciais de decisão em uma carreira. Graduou-se na areia e na grama, coisa que Siphon esteve muito perto de fazer nos Estados Unidos. Tem nome de gênio e age como tal. A dupla HH, Helen Pitts e Hanne - a mesma que tanto contribuiu para o sucesso de outro brasileiro Hard Buck - está mais uma vez de parabéns.
Em suas duas participações na areia, numa foi segundo para Curlin e a seguir bate de maneira instigante no Clark Hcp. (G2) a um cavalo que vinha de ganhar o Whitney em Saratoga e o Massachusetts Hcp., em Sufolk Downs – Commentator. Vencer o Santa Anita Handicap (G1) talvez tenha sido o apix de sua carreira. Einstein foi a primeira bem sucedida experiência de um potro inédito brasileiro nos Estados Unidos. Só esperava que não fosse também a única...
Não posso achar que a ida de Einstein ainda inédito como corredor para os Estados Unidos tenha vindo a ser um ato de genialidade. Houve oportunidade e porque não dizer um que de sorte. Todavia, a ousadia de fazê-lo certamente pagou seus dividendos. Como o fizeram no caso de Hard Buck, que esta mesma Hanne, em Newmarket, o levou a ser segundo no King George VI. São oportunidades que pintam, mas é necessária um mínimo discernimento da possibilidade de êxito. Afinal vocês viram quem foi a mãe de Hard Buck? Um filha do Derby winner Secreto, numa filha do Arc winner Vaguely Noble na ganhadora da Poule dEssai des Pouliches e do Diane, Gazala.
