Pois é, no turfe existe gente que convive a décadas com a atividade e ainda não entendeu a situação em que vivem.
Quem entra no turfe, principalmente na criação de cavalos de corrida, pode ter uma visão inicial errônea. Outrossim, depois de alguns anos passa a sentir quão difícil é esta atividade.No século passado eu achava que existiam coisas impossíveis de ser conseguidas. Que havia um limite. Até que um dia, conversando com uma de muito sucesso na atividade, meus olhos foram definitivamente aberto, para o diferença, entre dificuldade e impossibilidade.
Um grande criador de cavalos de corrida, naquela oportunidade, me disse em 1999, num almoço durante as vendas de Deauville, algo que soou a principio fantasioso, porém, verdadeiro depois que a idéia assenta em sua mente e você reflete sobre quão difícil é a situação; "You can give in, you can give out, but never give up".
Em cavalos de corrida isto é uma verdade.
Você precisa criar, comprar, treinar ou montar 1000 cavalos de corrida para tirar um que realmente chegue a participar com reais chances de um Arco, de um Derby ou de uma Breeders' Cup. Evidentemente que exceções são feitas aos grandes potentados... E por incrivel que pareça, você aprende muito mais com os 999 que errou do que propriamente com aquele que chegou lá, e atingiu seu objetivo. Mas isto só virá a acontecer se você nunca entregar os pontos, pois, quando menos se espera, a esmeralda aflora da rocha e toda a sua espera e dissabores são plenamente recompensados.
E eu passei a tentar lacunas no sistema, onde poderia exercer melhor meus sonhos, que agora em minha mente pareciam viáveis, mesmo que a dificuldade fosse muita. Seis que nesta atividade a única garantia que você tem ao se cruzar um "Champion" com uma "Champion", é que nascerá desta junção um "Thoroughbred". Ele terá quatro patas, duas orelhas e uma cabeça.
A vantagem inicial é que os genes destes dois especimes, não lhe trarão outros igualmente com o mesmo numero de patas, orelhas e cabeças, como um camelo ou mesmo uma girafa. O que já não deixa de ser reconfortante. Mas igualmente não lhe garantira um bom cavalo de corrida. Apenas um cavalo de corrida.
Ter os "genes" superiores não lhe avalisa o direito de passá-los adiante. O que comumente chamo de transmissibilidade. Simplesmente aumenta as suas probabilidades. E é com isto, que você tem que se contentar. Porisso, você tem que repetir aquilo que já deu certo é rezar para que o milagre genético volte a se verificar. Quando esta repetição aparece constante, o milagre deixa de existir e o fator sorte, a mandar. É o que comumente chamamos de achados. Que podem vir no formato de um nick, de uma estrutura genética, de imbreeds em chefes de raça ou duplicações em matriarcas. Mas tem gente que prefere acreditar no milagre, o produto da sorte, de uma conjunção zodiacal, e simplesmente abrem mão da maximizacação na tentativa do acerto. Mas é um direito inalienável de qualquer ser humano que respire.
Da mesma forma, o tempo lhe ensina que ter a rara fortuna de uma mera participacao na "First League", em uma carreira como o Arco ou o Derby, já é vencer. Estar entre os melhores já e uma vitória, já que vencer e apenas uma consequência natural.
A vida turfística lhe conduz a aceitar o fato, que voce vive para o futuro, mas aprende com o passado. E nada como um mal cavalo para lhe ensinar os erros que você não deve cometer mais. Não é atoa que os mais importantes treinadores tiveram o inicio de suas carreiras direcionadas para cavalos de "claimings", da mesma forma que para se chegar a Formula 1, você tem que ter sido um dia, "cobra" no Kart e para chegar ao selecionado brasileiro tem que começar com uma "pelada" na várzea.
Em cavalos de corrida você aprende mais com um "no Thank you" do que um "yes"."Tim tim" para aquele um que realmente chegou lá. Um brinde ainda mas forte para os que permanecerem, mas que Deus abençoe os outros 999, que lhe ensinaram o caminho. Assim a cada mal cavalo que você criar, comprar, montar ou treinar tenha como consolação o fato que ele poderá ser uma lição para o seu acerto futuro. Se você captar as menssagens de forma ágil, este futuro poderá ser até brilhante.
Logo, quando falo de Tesio, Aga Khan, Boussac e Lord Derby, tento sintetizar aqueles, que me em minha opinião, sintetizaram com maior vigor, tanto o sucesso, quando a manutenção do mesmo. Todavia, houveram outros, antes deles que pavimentaram a estrada que um dia eles cursariam com extremo zelo.
Quem contribuiu com um St. Simon, com um Bayardo, com uma Sceptre ou uma Pretty Polly, igualmente provou o seu valor. E é sobre alguns deles, que tecerei comentários, pois, ainda sou daqueles que acredita que culturas é algo que soma e o faz crescer como ser dentro de uma atividade.
A esta coluna será temporária, e a batizarei de Eles fizeram história.

