Da mesma forma que eu acredito que o real é um subconjunto do possível, penso que o amor é um subconjunto da paixão. Estaria eu sendo filosófico? Talvez, porém são coisas que não consigo expulsar de meu subconsciente.
Uma vez li, que a previsão lida com a possibilidade. Mas sei de antemão que a delimitação desta possibilidade, alterna com a idéia precípua do factível. E tudo que é factível é possível de ser atingido, não apenas porque domina a questão, mas igualmente por quem a ama e procura entende-la. Porque entra ai o amor e não a paixão? Para mim o amor o encanta e a paixão na maioria das vezes o cega.
Já tive paixões rubro-negras, salgueirenses, pelo Rio de Janeiro e até pelos cavalos de corrida. O tempo me ensinou que muitos de meus erros foram causados pela cegueira que você de vez em quando é acometido, quando exagera em seus sentimentos. E age de forma nem sempre equilibrada para com as suas decisões. Hoje amo estas atividades e me sinto muito mais equilibrado em decisões que envolvam este teor.
Como todo carioca e com formação em arquitetura, tenho o defeito - ou qualidade - de sonhar em demasia. Ganhar um King George, um Arco ou um Santa Anita Handicap, foram coisas que sempre me fascinaram. E diga-se de passagem, ainda me fascinam. Dentro das previsões, enxergava possibilidades e cheguei muito perto de em alguns casos a torná-las factíveis. Outrossim, o amadurecimento me fez ver que sonho desassociado de realidade, pode virar pesadelo. E se esta desassociação for grande, serão pesadelos funestos... Ou na melhor das hipóteses, esta maneira de se encarar o problema de uma forma inconsequente, esvazia seu mundo. E ai tanto o factível, quanto o provável se afastam de seu pensamento objetivo.
Temos que primeiro traçar o objetivo, para depois imaginar a "factibilidade" do mesmo. Sendo o veredicto a favor do factível, trata-se então de tecer um projeto encima de um elemento pré-selecionado e uma equipe escolhida. E o correr, sem que um mico tenha que ser pago, tanto em um Arco, quanto em um King George, um Santa Anita Handicap ou uma Dubai Cup, com cavalos selecionados no Brasil, passa a ser algo factível. Ganhar passará a ser uma consequência.
São sonhos gostosos de serem vividos e um dia contados a seus netos. Eles exercem uma força transformadora, porém também o escraviza, numa forma de manter seus sonhos cada dia mais altos, sem contudo perder a noção de onde se colocar os seus pés.
Quando há paixão, as chances de se escorregar na maionese, se torna maior. E a "factibilidade", menor.
Quando senti a necessidade de publicar a coluna que pretendo publicar sempre que me for possível, sobre Eles fizeram história, o fiz por entender que os conceitos que tenho e tento transmitir, são na verdade oriundos do conhecimento que adquiri, através de anos, tomando noção da histórias destas pessoas, os profissionais com quem lidavam e os maravilhosos cavalos que criaram ou possuíam.
É um trabalho de pesquisa, anos a fio. Não anos, diria que décadas, pois teve inicio nos anos 90. Aproveitava as viagens, para nas bibliotecas angariar material e pesquisar. Livros, revistas, jornais da época. Assim pude criar perfis. Se são eles os mais fidedignos, vocês irão julgar. Contudo, muito há de se aprender com quem fez história nesta atividade
Contudo, tenham certeza absoluta disto: não houve um Hyperion, sem um Bayardo, como não existiu um Tesio sem o exemplo dado por um Lord em Westminster. O que vou apresentar, em diversas partes, ate o final deste ano, deveria ser parte de um livro, pois livros ficam e podem ser consultados décadas depois de publicados. Mas infelizmente publicar um livro no Brasil, requer patrocínio e isto não me parece factível, tendo em vista a impossibilidade de retorno do investimento. Poucos serão os leitores e muitas serão as criticas.
Somos no Brasil um grupo pequeno, e menor ainda é o número de pessoas neste grupo, que se preocupam em tentar descobrir o porque que as coisas acontecem ou aconteceram. Mas confesso que amo fazer isto e o fiz quando tempo dia para levar a frente este desafio. E ademais, se forem um ou dois a se interessarem, já terei cumprido minha missão. Aliás desde que haja, pelo meno UM, a batalha ainda não está de toda perdida.
