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quarta-feira, 11 de maio de 2022

PAPO DE BOTEQUIM: O SEGREDO DE RICH STRIKE


Cabe ao analista tentar responder as perguntas, mesma que elas não tenham por assim dizer, respostas simples de serem respondidas. E a pergunta da semana, após o desenrolar deste estranhíssimo Derby, foi como era de se esperar, quem para mim passa ser o líder desta geração.

Acho simples de responder:  Epicenter (foto de fechamento).

Na verdade talvez ele nunca deve ter sido deixado de ser, pois, em todas as carreiras que participou mostrou a sua cara de cavalo profissional que certamente o é. Neste Derby, participou desde o inicio da carreira, num trem que foi alucinante com os 800 vencidos na melhor marca da história desta carreira, todos talvez preocupados com a possibilidade dos ex-cavalos de Baffert bracearem a frente e terminarem com os sonhos de tantos outros. Na reta aguentou firme o assedio do favorito da carreira, Zandon, que vindo de trás, privilegiou-se como o ganhador Rick Strike, do cansaço dos da frente.

Se Rich Strike (foto de abertura) não viesse junto a cerca e passasse como passou de viagem, quem sabe ele não sustentaria mesmo assim uma luta?

Foi uma corrida atípica, Nem Spend a Buck conseguiu tremendos parciais. Ajudou em muito ao ganhador e ao terceiro colocados, que nada tinham haver com a excentricidade do trem, e simplesmente fizeram as suas corridas.

Se em cada cabeça há de haver uma sentença, porque em cada corrida não haveria uma razão distinta de ser? O vencedor correu a corrida de sua vida, num hipódromo em que se apresentara uma única vez e ganhara por nada menos que 18 corpos. Depois andou visitado outros lugares, mas se levando em consideração que nesta distância seu pai bateu aos três anos ao tríplice coroado American Pharoah - em sua única derrota na idade - mesmo em condições semelhantes a este Derby, com o favorito e Frosted se esfalfando na luta pela ponta. Logo, há de se respeitar o vencedor, pelo menos, nesta distância. E no caso neste hipódromo.

Como o Edson tão bem frisou nesta última live, Churchill é daquelas pistas em que você ama ou a deixa. Não existem meio termo. Ele provou, que a ama. Aliás desliza na mesma. Mas o trem de carreira foi crucial para seu sucesso. Se fazem 24" e 48" ele com sorte arrumaria uma sextinho se bem corrido.

Mas parece ser um cavalo de sorte, pois, como diria o Walter Aliano, quando perguntado das chances de seu cavalo, a resposta a esta questão será mesma. Só ganha quem está inscrito e nem inscrito ele estava. Foi necessário uma desistência e seis no shows, para ele poder alinhar. Pois era o número 27 das opções.

Não seria isto destino? Ou quem sabe sorte?



Para mim, Secret Oath (foto acima), como deixei claro, teria muita chance de ter ganho o Derby. Lukas errou o pulo ao achar que poderia vencer o Arkansas Derby e o Kentucky Derby, A pista de Arkansas é também do tipo ame o deixe-a. Mas agora está certo que o Preakness lhe cabe como uma luva.

No Preakness a carreira para mim é ela e Epicenter, se ambos sairem bem de seus esforços. Zandon, terá que correr mais perto, pois, Pimlico tem uma reta bem menor que Churchill e sempre favoreceu a aqueles que correm na dianteira.

Não será supresa alguma se a potranca prevalecer. Swiss Skydiver e Rachel Alexander provaram isto neste século. E Lukas já provou em sua longa existência, como fazer uma potranca enfrentar de igual para igual os potros, neste patamar.

Terá ela forças para enfrentar aquele que provou para mim, mesmo na derrota, ser o líder desta geração? 

Depois do Oaks, eu tinha plena certeza. Depois do Derby me reservo ao direito de transformar minha opinião em palpite. Mas creio que se os dois tiveram em ordem, poderá vir a ser uma carreira interessante, principalmente se os ex-Bafferts se mexerem, como deveriam ter se mexido em Churchill, desta feita em Pimlico.

Sou da antiga. Não creio que um treinador deva ganhar um Derby por merecimento. Este pertence apenas o cavalo. Cabe ao treinador não perder a oportunidade de apresentar seu pupilo em seu máximo, na hora certa. Talvez tenha sido o segredo da vitória de Rich Strike. Era seu momento. Algo me diz que estava escrito isto a 40 anos antes do nada...