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terça-feira, 10 de maio de 2022

PONTO CEGO: A CHANCE A TODOS

 


Este Kentucky Derby, mais uma vez determinou que o tiro pode vir de qualquer lugar. Mas vejamos o que quero dizer com isto.

Há certas experiências tão gratificantes, que quando repetidas tempos depois, dificilmente trazem o mesmo prazer primeiramente sentido. Uma delas, é a do primeiro grande amor.

Tentar voltar a ter o mesmo relacionamento, com aquela pessoa que lhe foi tão importante anos antes, é difícil, pois, muitas coisas mudam em você e na pessoa. Isto em qualquer situação. recentemente estamos voivemdo o grande caso de amor que um dia Jorge Jesus e o Flamengo tiveram. E agora tentam trazer de volta tempos que a meu ver não voltam mais.

O Benfica é uma prova disto. Abandonando o Flamengo, para reeditar no Benfica o sucesso que um dia teve na temporada 2009-2010, Jorge Jesus gastou US$150 milhões de Euros e nada arrumou. A não ser  desespero de seus adeptos. Agora tenta-se trazê-lo de volta ao Flamengo para se tentar reeditar o time de 2019. Porque o resultado seria tão diferente do que aconteceu no Benfica, recentemente?

No turfe, o Mondesir não pode viver eternamente pensando que um novo Ghadeer possa ser a única solução, assim como Roi Normand no Santa Ana e aqueles que se consideram viúvas do Agnes Gold, tratem de procurar por outro, pois, ele já se foi. A roda gira. A fila anda. E novas experiências devem ser testadas.

Dificilmente haverá um encaixe, simultâneo como o acontecido com Wild Event e Put it Back no Araras. Como explicar? São coisas que não devem ser explicadas. Apenas curtidas. Earldom II, Tumble Lark, Our Captain Willie, ajudaram ao Faxina, ao Rosa do Sul e ao Bandeirantes, desfraldarem suas bandeiras. Assim como Ghadeer, Roi Normand, Locris, Clackson e Agnes Gold, o fizeram em Bagé. Nunca se esquecer deles é algo que devemos cultivar em nossa memória afetiva. Todavia, achar que sem a presença deles será impossível continuar, é que me apavora.

Como no caso das viúvas de Jorge Jesus, paga-se um preço muito caro, aqueles que teimam em viver do passado. O passado ensina. o presente testa. Memória afetiva é coisa a ser curtida, mas nunca tentada, como única saída, à sua ressurreição.

De nada adianta chorar-se as pitangas de situações que pareciam sólidas, como as de Forbidden Kingdom, ou mesmo Echo Zulu, e que esvaíram na realidade que se torna o presente. A roda gira, a fila anda e é para frente que se anda, mesmo no varonil com céu da cor de anil, comumente dado a situações, que até a própria razão é capaz de desconhecer e quando identificadas, duvidar.

Nisto, os norte-americanos são os que para mim, demonstram o maior desapego. A era dos Curlins, Medaglia d´Oro tem que ser enaltecida, mas convenientemente substituída pela de Tapit, e esta ultrapassada pela de Into Mischief, que tem que fazer o que sabe e o que não sabe, para não deixar de Gun Runner o ultrapasse. Afinal, nada neste pais pode se considerar insubstituível. 

Mas os antigos ídolos não são abandonados. Seus filhos são explorados, pois, acredita-se que por algum deles, se dará a continuidade. Este é o segredo da criação de cavalos de corrida nos Estados Unidos: dar chances a todos e depois se fixar naquele que deu certo. Pois, só assim encontram-se um Tapit ou mesmo um Into Mischief.