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segunda-feira, 9 de maio de 2022

VIAJANDO COM BARONIUS

O ano era 2015, a prova, o Kentucky Derby, primeira prova da coroa americana, que não era conquistada desde que o grande Affirmed havia vencido os três duelos contra seu rival Alydar no longínquo 1978. AMERICAN PHAROAH era o grande nome e favorito da prova. Um castanho nascido em Kentucky, filho de Pioneer of the Nile em Littleprincessemma, ele era criação e propriedade do egípico Ahmed Zayat (Zayat Stables, LLC). Neste Derby já havia apostas abertas aqui no Brasil, eu e minha esposa ficamos assistindo as carreiras na parte da tarde e procurando uma boa poule para jogar no Derby. Depois de muito estudo e conversa chegamos à conclusão de que Firing Line, com nosso querido Gary Stevens (um dos jóqueis favoritos da patroa) era a melhor opção para bater o favorito. Stevens, treinador em ascensão e uma farda que dava para ver de longe e parecia homenagear a Mangueira. Além das poules de vencedor e placé, fizemos algumas apostas de exata com o veloz Dortmund e com o favorito, ambos treinados por Bob Baffert. Dada a partida tudo correu como programado. Ainda era usado o partidor auxiliar e Dortmund com Martin Garcia aceleram na frente. Firing Line, bem trazido por Stevens, o persegue e AMERCIAN PHAROAH largando por fora de seus adversários correu pra dentro e foi colocado à espreita em terceiro pelo mexicano Victor Espinoza. Os parciais foram bem lentos, na casa 23s, 47s e 71s até os 800 metros finais e sem alteração de posições. No meio da curva Espinoza começa a instigar seu pilotado que avança sobre os líderes, mas não mostrava uma ação avassaladora e inclusive seu jóquei começa a usar o chicote já neste momento. Em casa as esperanças aumentavam. Ao final da curva, os três líderes saem em igualdade de condições, mas AMERCIAN PHAROAH vinha mais embalado e começa a luta para dominar Firing Line. Nós, grudados na tela e torcendo demais por Firing Line, aguardávamos que a canhota de Stevens operasse algum milagre para uma reação final nos levar à vitória, que infelizmente não foi neste dia. AMERICAN PHAROAH dominou e livrou um corpo de vantagem sobre um valente Firing Line que não desistiu nunca. Dortmund parando muito, chegou em terceiro a 3 corpos do ganhador. A pista não parecia tão rápida e os cronômetros marcaram 2m03s02, com 400 metros finais em 26,57s, de fato não foi um Derby rápido. Parciais lentos e finais ainda mais lentos. Não acertamos o vencedor, mas salvamos o dia com um placé e uma exata boa perdendo do favorito da prova. AMERICAN PHAROAH continuou evoluindo se tornando o primeiro tríplice coroado americano em 37 anos, maior intervalo na história da disputa. Ainda por cima se provou contra os mais velhos vencendo a Breeder’ Cup Classic do mesmo ano. Não nutria muita expectativa por ele na reprodução e pelo que vejo até hoje tem resultados razoáveis, quem sabe nossos especialistas em estatística e reprodução possam fazer uma avaliação melhor. Ahmed Zayat, aparentemente “quebrou” financeiramente, vive envolvido com processos de liquidação de patrimônio nos E.U.A. e não tem mais a cavalhada que um dia levou as pistas. Bob Baffert continuou sua trajetória vitoriosa nas pistas e no momento cumpre a suspensão por medicação proibida diagnosticada no Kentucky Derby do ano passado. Detalhe que este treinador até junho do ano passado já havia amealhado 29 violações que resultaram em multas e nunca havia cumprido suspensão tão grande como esta de 2 anos imputada agora. Victor Espinoza sofreu alguns anos depois uma queda muito feia que quase o deixou paraplégico. Felizmente hoje ainda monta na Califórnia caminhando para o encerramento de sua carreira vitoriosa. Gary Stevens ainda nos brindou com mais algumas cirurgias para se manter no dorso dos animais e com mais algumas mágicas antes de aposentar o chicote em sua laureada e espetacular trajetória. Martin Garcia, também mexicano, que montava bastante para Baffert nesta época foi se apagando e hoje monta no circuito de Oaklawn Park sem grande destaque nacional. Vejam como o mundo não para de girar. Estamos sempre na gangorra da vida. No campo da prova também estava Keen Ice, pai do ganhador dor derby de 2022. 

 

Finalizando o artigo de hoje, tivemos um Kentucky Derby 2022 muito diferente e até divertido. Em casa por razões óbvias a torcida era por Crown Pride. Mas, eis que o jovem jóquei venezuelano Sonny Leon (quem?!?) faz um percurso sensacional! Que mesmo sendo prejudicado na curva e tendo de se livrar de um animal que parava a sua frente na reta, venceu brilhantemente a carreira. Os favoritos e líderes desta geração, que não empolgam até o momento, chegaram a seguir confirmando seus retrospectos e prometendo novos embates no futuro. Pelo que vi de RICH STRIKE até o momento acredito que seus responsáveis embarquem na chamada “Triple Crown Fever” e o levem ao Preaknes Stakes, onde não acredito que vença. Em duas semanas saberemos as respostas. A certeza deste ano é que os pequenos venceram os grandes investidores do turfe mundial com um cavalo modesto, mas que deu uma vitória no Derby a uma fazenda que tem muita história no turfe americano, a Calumet Farm (não mais com a sua farda original e com outros donos) é a criadora do alazão. Não era registrada vitória da Calumet no Derby desde Forward Pass 1968, através da desclassificação de Dancer’s Image (outro Derby controverso). Fazenda recordista em vitórias, agora com 9 ganhadores do Kentucky Derby. RICH STRIKE é descendente da família 9 da matriarca Vintner Mare (GB) nascida em 1865. Também descendem desta família Peintre Celebre (Arco), Fourstars Allstar (Irish 2,000 Guineas), Benny The Dip (Epsom Derby), Hoop Jr. (Ky Derby), Excelebration (G1). No Brasil podemos identificar os ganhadores de G1 Frisson, Pateo do Batel e Olimpo. Ganahdor de G2 Quasimodo. Na esfera de G3 temos Olympic Gulliver e Love My Dream. Que Buena venceu uma prova listada também é descendente da família 9. Além dos citados temos alguns ganhadores na esfera de provas especiais. Lembrando que os dados que tenho acesso começam em 2011. Uma ótima semana de trabalho para todos e até uma próxima oportunidade. 

 

Abs, Baronius