Participar como profissional, do mercado de cavalos de corrida no Brasil, não sendo treinador ou jockey, e a prova cabal que te falta um parafuso na cabeça. Mas que é bom para burro é.
É instável, pouco producente, irreal, mas altamente gratificante quando as coisas dão certo. Pois, existem coisas que o fazem esquecer das agruras da atividade. E ganhar, naturalmente é uma delas.
Ganhar nunca é simples. Mesmo na noturna de segunda na Gávea. E sabem porque? Porque teoricamente todos querem. E no turfe, desde cedo você aprende que querer nem sempre é poder. Mas é também no turfe que você consegue estar alinhado profissionalmente com um vencedor da Dubai Cup ou do Santa Anita Handicap, já que a vitória não escolhe o vencedor, mesmo sorrindo para aqueles que mais investem ou melhor fazem as coisas acontecerem.
No turfe você pode ter um Flightline, e não necessariamente ser um Sheikh. Longe de ser uma atividade democrática. Funciona mais como uma monarquia moderada, onde você como plebeu pode participar. E de vez em quando tirar a sua casquinha.
Como disse uma vez, meu sonho era ter cavalos de corrida. Outrossim, como desde cedo aprendi que querer não é poder, profissionalizei-me para manter o vinculo. Em minha carreira solo como proprietário, de apenas um só cavalo, tive sorte e tirei uma champion 2yO. Vamos dizer, que seja apenas sorte, pois, usei de meus atributos para seleciona-la, e na época paguei uma grande quantia. Foi para um cliente, ele teve problemas e eu assumi. Ai está o lado da sorte.
Acompanho o turfe desde os meados dos anos 60 e não sei exatamente porque me apaixonei pela coisa, pois com o Flamengo e o Salgeiro, posso afiançar o porque. Com o turfe, com certeza não. Talvez seja aquele parafuso que falta e hoje aos quase 73 anos, só peço para que não recoloquem o parafuso no lugar, pois, ainda tenho coisas a fazer.
