Pois é, foram quase 30 anos...
Cara Rafela tinha me dado excessivas alegrias, num ano que se ela galgasse mais um degrauzinho, unzinho só, teria sido esplendoroso, em todos os sentidos.
Vó Adelina sempre disse que a ocasião faz o ladrão e com a chegada ao poder do Pt, alguns anos depois, esta premissa da velha senhora ser tornou clara. Límpida. Simplesmente irrefutável. Vide o número de processos que os atuais ministros escolhidos pelo L, tem em seus currículos.
Pois bem, na euforia do sucesso de Cara Rafaela, convenci a Cristina a investirmos em férias e adquirimos três planos de 30 anos, em Cancun, um lugar que dez anos antes havia aguçado por demais meu interesse. E num deles, havia uma varanda simples, mas com o detalhe de estar quase sob o mar. A Villa 4825 do Royal Islander. Um dois quartos e sala, com cozinha banheiros e a tal da varanda.
E durante 27, dos meus últimos 30 anos escrevi ali - em uma semana de dezembro, a de número 50 - muita coisa. Entre as quais, as que mais me haviam impressionado no calendário turfístico que se findava.
Holy Bull, Cigar, Skip Away, Ghostzapper, Invasor Curlin, Rachek+l Alexandra, Zenyatta, American Pharoah, Gun Runner, Justify e mais recentemente Flightline, afirmando que eles seriam os cavalos do ano, como na verdade o foram. O mesmo fiz em relação ao grupo Europeu, e nomes como Peintre Celebre, Giant´s Causeway, Zarkava, Sea the Stars, Goldikova, Frankel, Enable e mais recentemente Baaeed. E estes artigos, foram publicados no Jornal do Turfe e posteriormente tão somente no Ninho do Albatroz, quando este foi ao ar. Mas todos com algo em comum escritos nesta varanda a exceção de três: os de Invasor, um de Curlin e o de Zarkava.
Houve alguma razão? Sim, e chamada EMILY
Emily foi um furacão de categoria máxima, 5, na escala Saffir-Simpson, que assolou a península de Iucatan e pegou em Julho de 2005, não apenas Cancun como minha varanda pela proa. E foram necessários, três anos de reconstrução. Foram anos de ausência e altamente sentidos por mim, e por minha companheira de todo o sempre, Cristina.
Para quem não esteja familiarizado com a questão, no Emily, foram ventos de 260 quilômetros por hora e realmente pouca pedra ficou sobre pedra. Mas em 2008 eu já pude voltar a ela, a varanda, que mesmo que reconstruída, não perdeu um detalhe sequer de sua formação original.
A ocasião faz o ladrão da mesma forma que o local faz muita importância para quem escreve. E esta varanda, a da Villa 4825 do Royal Islander, teve para mim, uma importância fundamental. Era um poste demarcatório.
O contrato acabou. Não sei o que será feito do complexo, e consequentemente de minha varanda. O que sei é que calou-me fundo, quando do artigo que escrevi sobre Flightline. Pois, naquele exato momento veio o sentimento de perda. Não mais nascer do dia, visto sobre aquele angulo. Não mais café da manha, ao som das ondas. Não mais jantares românticos banhados pela lua, que dali parecia ter um tamanho colossal. Como tudo na vida teve um fim e foi bom, enquanto durou.
Aos que até aqui chegaram, agradeço pela paciência, mas era algo que vindo de meu íntimo eu sentia necessidade de expressar. Pois, muito que retrato em meus textos, foi escrito ou concebido nesta varanda.

