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domingo, 1 de janeiro de 2023

PAPO DE BOTEQUIM: OS PARADOXOS

Os paradoxos da vida, parecem agradarem no varonil com o céu cor de anil. Afinal vocês já viram candidato a presidência desfilar em carro aberto no Complexo do Alemão e exigir carro blindado para comparecer a sua posse?

Entendo que quando se está entre amigos a gente afrouxa a segurança, mas para quem se sente a alma mais pura do planeta e muito querido pelo povo, não vejo sentido algum em blindar-se. Ou será que faz todo o sentido e eu é que não estou notando?

Dizia vó Adelina, que de grão em grão a galinha enche o papo. Será que de picanha e cervejinha grátis, um politico garante seu voto? Mas apenas com a inestimável ajuda das urnas eletrônicas, invioláveis do Barroso e incorruptíveis do Xandão. Pelo menos, é o que parece...

Enquanto isto o pais está derrotado nas urnas e com a morte de um de seus símbolos.



Dia 29 perdemos Pelé. Nao sei se ele foi boa pessoa, bom pai ou mesmo um bom marido. O que sei é que sem brinquinhos, sem tatuagens, sem dancinhas, sem jatinhos particulares e sem rola-rola, nos ajudou a ganhar três campeonatos mundiais, além de nos proporcionar o prazer de simplesmente vê-lo jogar. Um paradoxo, ter ciência de seu sofrimento final.

O Brasil passou a ser reconhecido mundialmente por três símbolos. Samba, Café e Pelé. Não necessariamente nesta ordem...

Mas a coisa não fica por ai. O turfe brasileiro está cheio da paradoxos, também. Porém o que mais me chama a atenção é o desprezo que o mercado tem para com o reprodutor nacional e a complacência para com o importado, seja quem ele for. E de quem seria a culpa? Acredito que não total dos criadores, pois, aqueles que vendem, sentem que o mercado dá mais valor ao cheiroso e fracassado no exterior, que aqui chega e é financeiramente respeitado pelos investidores. Do que aquele que demonstrou valor nas pistas, muitos até, não apenas dentro de nossas fronteiras. Logo, para que investir no nacional, que dificilmente venderá seus filhos por um bom preço, necessita-se coragem e resiliência.?

É uma raciocínio lógico, mas inexato, pois, dificilmente aquele que não foi, será capaz de gerar filhos que serão. Citem-me um que tenha conseguido, ser fracassado em pista e bem sucedido no breeding-shed sendo filho de quem quer que seja.

Ghadeer, Wild Event, Roi Normand, Waldmeister, Locris, enfim named, foram acima da média em pista. E aqueles que bateram a testa no partidor ou pisaram em um prego, o que conseguiram em nossa reprodução?

Certas éguas ajudam até defuntos, mas aqui entre nós, tudo tem um limite. Logo, que me desculpem os adoradores do impossível, mas os paradoxos não nos tem levado a lugar nenhum. Então qual seria a vantagem de utiliza-los.

Sei que se tem muito cuidado ao abordar esta situação, Maas sou franco, pois depois dos 50 - e lá se vão mais de duas décadas - ter-se muito cuidado com o que se diz, é porque você está cercado das pessoas erradas.

Turfe não roleta.

E antes que me esqueça, aqui fica a dica. Escrever necessita-se apenas de memória e imaginação. Escrever as coisas certas, de conhecimento e luz. Um bom 2023 para todos o que assim acreditam e um adeus a nosso Pelé.