Quando ainda em meu recesso anual parlamentar, fui arguido por um leitor assíduo, se eu me sentia um sujeito realizado? Pensei um pouco, e cheguei a conclusão que a realização é um objetivo, que aquele que pensa em realiza-la, cada dia a coloca, instintivamente, fora de seu alcance, pois, esta é a forma de você se manter sempre vivo, no jogo da vida.
Para tal, três condições básicas de espirito são necessárias. Mente sana, coração sereno e consciência do dever cumprido. Traçam-se os objetivos e a vida tratará de ajuda-lo aos os alcançar.
Confesso que fiz dos meus, os mais complicados, pois, quero estar jogando até o último minuto de minha existência: ganhar o Arco e o King George. Sei que vai ser tremendamente difícil, pois tratam-se de suas operações almejadas por todos do mercado e 99,9% com mais poderio financeiro que dos meus clientes.
Corri o Arco com Much Better e o King george com Hard Buck, dois cavalos brasileiros, por mim selecionados e creio que eles não fizeram feio. Mas o intuito é um dia ganhar. Sei que pensar nisto aos 72 anos de idade e tendo como base cavalos brasileiros, parece non sense. Mas o que na vida não é um non sense?
Objetivos nem sempre serão alcançados. Eles sim, tem que ser perseguidos. Eu, graças a meus clientes e a ajuda de Deus, já ganhei com elementos por mim selecionados provas importantes como a Dubai Cup, Santa Anita Handicap, Breeders Cup Mile, logo sei que poderia me sentir realizado. Mas, falando francamente, ainda não o sou naquilo que considero, a paz de espírito da certeza do dever cumprido. Tenho a vantagem de fazer aquilo que mais gosto e estar sempre cercado de gente que acredita que possa ser conseguido.
Minha outra luta, contrariamente a de Adolph Hitler e Lula, é pelo reprodutor nacional. Não que este sentimento tenha um cunho nacionalista, muito pelo contrário, mas sim pelo sentido de sobrevivência que sempre permeou minha existência. Não podendo se trazer aquilo que deveria ser trazido, porque não viabilizar o nacional que demonstrou em pista qualidade superior aos importados que aqui pisam?
Pois bem, dizia a velha e nobre senhora, que água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. E confesso que cheguei a achar que a pedra nunca cederia. Outrossim, ao receber o laudo da primeira geração de Pimpers Paradise, imediatamente acendi minha chama de esperança, pois, nem tudo está perdido. Foram 64 éguas cobertas e pelo menos 58 confirmadas cheias, em seu primeiro ano de trabalho, o que em outras palavras para um reprodutor nacional, está de bom tamanho.
Por isto neste inicio de 2023, o meu especial agradecimento ao haras Figueira do Lago, ao Doce Vale, ao Santa Maria de Araras, ao Fronteira, ao Estrela Nova, ao Embalagem, ao Anderson, a Sergio Ludmer, Dois Irmãos, By Winners, Don Juan, JCR, Quintella, Moema, Tributo a Opera, Springfield, São Jose e Expeditos, Bervely Hills, Clark Leite, Moema e Coudelaria Pelotense, por darem a chance a um cavalo nacional, por quem tanto clamei por uma oportunidade. E que se repita na temporada de monta deste ano e possivelmente no ano que vem, não apenas com ele, como também com outros filhos de Put it Back, Wild Again, Agnes Gold, Refuse to Bend, Roderic e quem quer que tenha, algum dia, ter dito ao que veio, na criação brasileira.
Temos não só que dar chances ao nacional, como também tentar que por intermedio deles, a possibilidade de criar como o Japão, e a Australia, linhas próprias que um dia se provarão como exportáveis. Isto é um objetivo e com a vantagem de ser alcançável.