Minhas impressões do GP Brasil 2023
Entre tantas coisas que aprendi com o Gameiro, uma delas é que se você deseja fazer uma boa análise sobre algo, precisa esperar a poeira baixar para seu campo de visão ser ampliado. Por esse motivo estou escrevendo somente agora sobre as minhas impressões sobre o GP Brasil 2023.
Eu concordo plenamente com a grande maioria, a festa foi a melhor da década disparada. Grandes disputas em pista, grande público nas arquibancadas, enorme variedade de comida e bebida e clima ótimo sem pista pesada com chuva.
No sábado, Edson reservou uma mesa no terceiro andar que estava em linha reta com o disco de chegada, além do casal do Figueira do Lago ter feito a gentileza de convidar o Gameiro para ficar no camarote deles e por obvio, fui junto, aproveito cada milésimo de segundo da companhia do Renato quando ele vem ao Brasil.
O que mais me chamou a atenção foram as vaias na premiação do GP Major Suckow, até poderiam ter reclamado da decisão da comissão de corridas que em qualquer decisão que tivesse tomado, certamente geraria polêmica. Mas nunca terem vaiado os profissionais e nosso maior investidor como proprietário de cavalos de corrida. Falei na Live e reforço por escrito, se tivéssemos quinze Aloísios o turfe Brasileiro seria muito melhor e maior. Recebi muitas mensagens de pessoas que confirmariam a desclassificação e muitos que confirmariam o resultado em pista. Raul, presidente do JCB esteve na nossa mesa no sábado, foi um grande anfitrião e no fim das corridas parabenizei ele novamente e reforcei, Gil e Eu, que não desse bola para as vaias, a festa estava linda.
No sábado a noite o leilão do Haras Santa Rita da Serra estava tudo muito bom, com exceção dos garçons que pareciam que estavam recebendo bônus para retirar os copos das mesas, se você descuidava, um copo com dois a três dedos de bebida sumia num piscar de olhos. Sobre o leilão, muitos proprietários que estavam dispostos a pagar R$6.500 de parcela num potro, ficaram de mãos abanando. Garanto a vocês que não foram dois nem três. Muitos lotes excelentes, a potranca filha do Setembro Chove é de primeira. Setembro Chove vai rebentar a “boca do balão” ano que vem, podem me cobrar e eu se fosse você, analisaria o cruzamento dele com sua reprodutora nesta próxima temporada de monta.
No domingo consegui “fugir” dos camarotes, já não levei terno e gravata para ter a desculpa perfeita. Dia de GP Brasil gosto de ficar entre o padock e a pista para ver os animais caminharem, poder sentir eles e ver o que ninguém viu. Querem um exemplo, no festival do GP Brasil de 2016 eu estava no padock na véspera de correr o GP Jockey Club Brasileiro GI e só eu vi que após a pesagem, o potro El Shaklan embrabeceu e caiu em cima de um canteiro de flores e pedra ficando com a pata no ar. Ele que pouco mais de uma hora depois o fato, corria a prova de GI esmorecendo no final para English Major.
Saibam que o animal que eu anoite que gostaria de ver pessoalmente no festival era um inédito, ou melhor inédita. Trata-se de Magnific Princess uma filha de Put It Back na Quanto Carina por Wild Event. Com esse nome e pedigree, estrear no fim de semana do GP Brasil é que tinha caroço nesse angu. Eu a vi no padock e depois corri, sim eu corri num sai da frente que atrás vem gente, para estar próximo da estaca dos últimos 100m para vê-la no passeio. Uma potranca linda, com grande expressão e que não caminha, flutua. Na corrida não teve um bom pulo, mesmo largando na carreira. Pulava a cada passagem de 100m como uma doida, na curva vinha passando seus adversários como se eles estivessem parados e a contra gosto do Blandi. Entrou a reta com domínio absoluto e venceu como quis, mostrando que há muito espaço para evolução. Aconselho a vocês assistirem o quarto páreo de domingo, dia 18.06.
Vocês sabem quantas reprodutoras no Brasil produziram cinco ganhadores de provas de grupo além de Quanto Carina? Já respondo que nenhuma. Ela produziu a Black Cello (GII), Flight Time (GI), Dolemite (GI), Carrocel Encantado (GII) e Baccelo (GI). São cinco ganhadores de grupo com quatro reprodutores diferentes. Será que o sexto filho dela ganhador de grupo vem aí?
Orla de Ipanema ainda verde ganhou aos esbarros, deveria embarcar ontem para os EUA. Torci muito por Oriana do Iguassu e High Wire que são grandes éguas e mereciam ganhar as provas que disputaram. Sempre torço para os grandes corredores.
Ficou muito evidente a área dos turfistas da área dos não turfistas. Impossível não gostar de algo na praça de alimentação pois tinha comida Bahiana, gaúcha, alemã, belga, americana, portuguesa entre outras assim como chopp, cerveja artesanal, batidas, drinks, vinhos, sucos, gin, uísque e o que mais você quisesse beber e comer. Na área dos não turfistas faltou mais engajamento na captação de apostas, eu que estava com o programa em mãos fui diversas vezes procurado para dar informações sobre apostas, para falar se a aposta que fizeram foi vencedora. As meninas com as fardas e as outras com máquinas de captação de apostas deveriam ter alguma meta, caso consiga pelo menos R$ 10.000 em apostas ganharia “x” de remuneração extra. Elas andavam em grupos grandes ao invés de espalhadas conversando com as pessoas, passando orientações, falando que todo fim de semana tem corridas. Faltaram painéis explicativos sobre o turfe na área de não turfistas.
Vi crianças chorando e reclamando que estava demorando para os cavalos virem perto da cerca. Fiquei com a dúvida, porque não tivemos os páreos de pôneis no intervalo das corridas? Porque não criamos atividades extra entre uma corrida e outra? Cada vez que o cavalo do Punga passava próximo da cerca era um show, a criançada adorava tocar nele. Porque não tinham uns 2/3 pôneis para as crianças andarem, poderem vestir alguma farda e tirar fotos que ficariam eternizadas nas suas vidas? Certamente o engajamento para novos turfistas e apostadores poderiam ser bem melhores. De repente já ter alguém para fazer o cadastro de novos apostadores no site de apostas do JCB ou como diz o Edson sortear voucher para novos apostadores. Engajar a turma dos não turfistas.
É muito bom ver um potro ganhar o Derby, que por ter seu campo vazio não nos deu dimensão correta para comparações, ganhar no mesmo ano o GP Brasil. Assim como a vitória do Moreira nos ajudou a divulgar o nosso turfe, as mídias internacionais mencionando o GP Brasil bombaram nas redes sociais. Legal de ver as “provocações do bem” que acontecem entre turfistas, como o Mano Moglia tirando o Julinho Camargo em relação a milha do GP Presidente de Republica, “este ano eu te peguei, me cobrei do ano passado quando você venceu para cima de mim..” aos risos Mano falou ao Julinho.
Dar os parabéns a toda equipe do JCB pela festa, falar que agora a responsabilidade pelo GP Brasil de 2024 só aumentou e que morando em Curitiba, esperamos a todos no próximo GP Paraná que certamente terá uma grande festa. Quem sabe um novo embate entre Oriana do Iguassu e Mandrake, não seria uma boa a revanche na casa da égua, caso ela não for para reprodução?
Abraço Virtual
Marcel Bacelo