Impressões do GP Brasil 2023
Bom dia a todos. Recebi essa tarefa de exprimir minhas impressões do que vivi durante o fim de semana do festival do GP Brasil. Acompanhei o festival nas pistas assim como no Tattersall. Primeiro vamos às vendas. Leilões cheios e competitivos. Os especialistas na matéria garantem que essa geração 2021 será diferenciada e das mais expressivas já criadas. Os vendedores aparentaram satisfação com as médias alcançadas e conseguiram assegurar algum dinheiro no bolso para continuarem na atividade. Espero que estejamos vendo o início de um ciclo positivo na nossa criação de puro-sangue inglês e quem sabe em 5 anos até uma década vejamos a “indústria” do cavalo avançando.
E agora falemos das carreiras disputadas no festival de areia na sexta-feira. Sem grandes considerações a fazer. A minha preocupação principal era com a condição da pista para o fim de semana. Ano passado a raia afetou demais o resultado e o desempenho dos animais. No sábado pudemos ver um Roberto e Nelson Seabra muito disputado. O percurso da Rennes (sempre acha alguém para derrotá-la...) foi o mais arriscado e também o mais bonito. Com o José Aparecido se esgueirando junto a cerca para disputar com várias adversárias a vitória até os momentos finais. A líder KENLOVA não decepcionou e com Moreira nunca desistindo brigou com todas e venceu em bonito final. Ela não foi tão dominante com em Cidade Jardim, mas mostrou que é égua de luta e contou com mais uma brilhante atuação do “Moreira Show” no seu dorso. Ele esteve impossível no festival. Carreira emocionante que está registrada na memória para sempre. A turma pareceu bem equilibrada sem a presença da favorita High Wire (fez corrida muito fraca no GP Brasil) e hoje temos uma filha do nacional Didimo como potranca líder na sua divisão conquistando um valoroso double entre São Paulo e Rio.
E...que Major Suckow para entrar na história!! Uma égua incrível, a querida Oriana do Iguassu, e o potrinho tido sempre em altíssima conta, MANDRAKE, que finalmente concretizou sua “magia” e venceu na pista e “sobreviveu” à reclamação feita pelo jóquei da segunda colocada. A reta foi de arrepiar. Não lembro de cabeça de ter tido um final do Suckow tão emocionante. Espero que a polêmica se dissipe e que fiquemos em nossa memória apenas com a belíssima disputa proporcionada em pista. De memória, tenho a vitória de Mensageiro Alado e de Dalaba como disputas que também não consigo esquecer. Moreria contra Valdinei Gil, Oriana vs MANDRAKE. Rio Iguassu contra H&R, desenhando uma saudável rivalidade entre dois grandes investidores do nosso turfe e criação. Antes da carreira não acreditava em derrota da égua. Durante a reta ela foi dominada e mostrou uma garra incrível, lutando e tentando a todo custo vencer o potro. Que final escamado, disputado e polêmico, mas acima de tudo lindo! Não vou entrar em muitos detalhes sobre a decisão da comissão de turfe mas apenas dizer que com as imagens às quais que tenho acesso, concordo com a manutenção do resultado de pista. Que os critérios adotados no sábado sejam mantidos no futuro para haver uma padronização. Um detalhe: os três primeiros colocados são filhos de Tiger Heart, garanhão a quem visitei e afaguei lá no Haras Santarém. Parecia um potrinho.
Chegando ao domingo, dia lindo de sol e poucas nuvens, Jockey Club muito movimentado e uma bela organização do evento. Fico feliz que os esforços de todos tenha resultado em um dia de disputas memoráveis e com muita gente nova voltando a participar da festa se aproveitando de todas as atrações disponíveis. Nas carreiras tradicionais do festival, uma milha internacional de arrepiar. Disputa que ninguém podia afirmar de antemão, que foi o embate entre os campeões USHUAIA IBIZA e Bien Sureño. O potro conduzido com muita confiança pelo Henderson Fernandes “suou sangue” para resistir ao tropel do “velhinho” Sureño, que engolia o tapete verde nos metros finais na tocada do “Moreira Show”. Ao vivo tive a sensação de que o recordista da milha em Cidade Jardim havia perdido, mas o photochart revelou uma mínima vantagem para o treinado por Luiz Esteves (sobrando na turma). USHUAIA IBIZA repetiu o feito de Bien Sureño e se tornou bicampeão da milha no eixo Rio-São Paulo. Duas atuações fantásticas dos animais e mais uma disputa entre os “rivais” de Bagé Haras Fronteira (alô Mano) e Old Friends (Julinho e Emílio sempre presentes). Que ambos continuem produzindo e nos brindando com belos animais e excelentes espetáculos.
E o que falar do GP Brasil 2023? Já marcou época! Vitória do favorito RAPTOR’S com João Moreira em percurso brilhante, confirmou sua vitória no Derby Brasileiro deste ano em abril. A incontida emoção do Moreira após o páreo foi demais. O jóquei que talvez traga mais reconhecimento internacional para o nosso turfe, não conseguia conter toda sua emoção ao vencer nossa prova maior, parecia que havia ganhado um G1 pela primeira vez. Momento lindo e espero que todos que o viveram mantenham essa recordação na memória. Quanto à desclassificação do animal On Line, creio não haver muita polêmica. Achei o movimento do Fernandes na cabeceira da curva extremamente imprudente, deixando vários competidores em situação de risco. Comissão chamou a sindicância e desclassificou o animal. Uma pena que o jóquei, que estava em um momento profissional feliz, deverá cumprir uma longa suspensão. Que ele volte ao trabalho ainda tinindo e mostre seu talento na raia novamente.
Poderia continuar falando mais sobre a festa, os páreos, os amigos e tudo mais que ocorreu neste fim de semana, entretanto já me alonguei o suficiente por hoje. Excelente rever no hipódromo da Gávea nossas figuras ilustres: Juvenal, Goncinha e o “inoxidável” Ricardinho. Bela e merecida homenagem aos três maiores jóqueis que fizeram a história do turfe carioca desde a década de 1970. Goncinha e Juvenal começaram um pouco antes do Ricardinho, estiveram juntos nos maiores e melhores embates nas décadas seguintes e Ricardinho com essa vontade incrível de continuar montando vai até onde ele quiser. Só Deus para saber quando ele sairá das disputas em carreiras. Resumidamente essas foram minhas impressões. Festa bonita, início de um novo ciclo e que o trabalho necessário para realização dos projetos prossiga. Não poderia deixar de citar o esforço do presidente Raul Lima (força jovem para o turfe) na condução do evento. Se tudo não saiu perfeito ou do agrado de todos, é porque isto é uma impossibilidade. Sem margem para erro, não temos margem para melhora. Que trabalhemos o presente, com olhar no futuro sem esquecer nossa história. Vi e vivi tudo isso no Jockey Club Brasileiro. Que a festa dos 100 anos de inauguração desse hipódromo seja a melhor possível em 2026. Tempo para preparar a festa a diretoria terá. Um grande abraço a todos que encontrei e compartilhei essa experiência, especialmente ao Zé Carlos Fragoso Pires, o Junior. Sempre muito amável, realmente proporcionou-me conhecer e desfrutar de momentos inesquecíveis. Até o próximo festival nacional em agosto em Cidade Jardim.
BARONIUS - GIL MOSS