Quando ao Brasil vou, tenho um enorme prazer de encontrar amigos e conhecer gente nova, recentemente engajada no turfe. E em relação aos últimos sou obrigado a responder perguntas, que se repetem constantemente.
A grande maioria aceita e a gente toca a vida para frente.
Mas não poderia eu comprar e tentar meu sonho, em pistas não exploradas pelos clientes, como forma de evitar o primeiro motivo? Evidente que sim, mas ai entra o segundo, a falta de dinheiro que seria necessário para tentar torná-lo realidade.
Mas vamos por partes.
O cavalo de corrida brasileiro, num âmbito internacional, tem um preço bem abaixo daquilo que um, um dia, possa representar em pistas norte-americanas. E como sempre afirmo, ele em capacidade locomotora, nada e eu disse NADA deve a seu coetâneo do hemisfério norte. O problema, é que para ele lá chegar, para muitos tem que se provar nas corridas brasileiras, onde o ressarcimento de seu investimento inicial, na maioria das vezes, não passa do ínfimo.
Porque ressalvo que apenas pra muitos? Pois, acredito que já tenha sobejamente provado com Einstein (foto de abertura), que um inédito de ainda dois anos, bem escolhido, exportado ainda cru e lá começado, se torna um cavalo norte-americano, e com isto tem mais chances reais do que um que chega aos três anos, coberto de vícios adquiridos e tem seis meses perdidos, outrossim necessários, para se aclimatar a seu novo hemisfério.
E porque as pessoas não o fazem em maior número? Vários são os motivos, mas acredito que o principal, é aquele de acender o fósforo para ver se ele realmente funcionará. Simples assim.
Ter um cavalo de corrida requer sabedoria na escolha e sapiência em traçar o que de melhor ele possa usufruir em pista. Porém, o mais importante, é ter o cavalo certo e não faltar nada a ele, e é ai que entra a necessidade de um lastro financeiro. Nestas vendas posso afirmar que marquei dois - ambos comprados para diferentes clientes - que certamente seguiriam a trilha Einstein, com boa dose de sucesso.
Afinal tudo que um bom sonho precisa para ser realizado, é primeiro de alguém que possa acreditar que ele possa ser realizado. E segundo, o sonhador ter as condições financeiras e os profissionais certos, para toca-lo à frente. O resto será sorte, oportunidade e imaginação.
No que posso usar como defesa de minha tese, foi expressado na campanha de Einstein. Filho de uma égua extraordinária em pista, mas que muito deixou a desejar no breeding-shed, produzindo de útil, apenas a ele e tinha ainda contra si o fato de ter seu destino traçado na terra em que seu pai fracassou redondamente como garanhão. Pois é, poderia se transformar certamente em um pesadelo...
Na pista o filho de Spend a Buck, foi apresentado em 30 oportunidades, das quais 11 foram convertidas positivamente, sendo sete de grupo e cinco de graduação m máxima. Oito foram suas colocações, entre placês e shows, que garantiram aos bolsos em quem confiou no projeto, nada menos que quase US$3,0 milhões em prêmios. Mas para que este audacioso e bem resolvido sonho, viesse a acontecer, quem o adquiriu o direito de sonhar o sonho, o deixou com uma competente ex-assistent trainer e teve que arcar com US$50,000 iniciais, para poder realmente começar a sonhá-lo.
Logo conhecimento, imaginação sãos os ingredientes de uma acertada seleção. Mas lastro financeiro e a vontade de sonhar, de quem quer bancar a empreitada.