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domingo, 25 de junho de 2023

PAPO DE BOTEQUIM. O PICO DA GALÁXIA OU O CAMINHO DO BREJO?


Até monarca novo pintou no pedaço e ganhou a sua corridinha,,,

Digo a aqueles que me seguem, e principalmente aos que escutam, que a única universidade de quem quer entender pelo menos um pouquinho de turfe, são as carreiras grupadas e se houver interesse em pós-graduação, alguns meeting espalhados pelo mundo. Principalmente no continente europeu.

Royal Ascot, é neste contexto a defesa de minha tese, pois, ganhar lá, é certamente chegar ao ponto máximo de sua forma. São cinco dias de disputas, com 18 provas de grupo, sendo a metade delas de graduação máxima, que vão dos 1,000 aos 4,000 metros. Logo, gosto para tudo.

Este ano, sem a presença da Rainha e com o anunciado afastamento de Frank Dettori no final da temporada, tivemos cinco dias de total fascinação. Finais emocionantes, azarões surgindo do nada, mas faltou uma atuação contundente. Daquelas que ficam para sempre guardadas no fundo de suas mentes. Pode parecer frescura minha, mas acompanho Royal Ascot há três décadas e sei do que estou falando.


Frankel, o único com três ganhadores, foi para mim o grande nome reprodutivo entre os machos. Ainda mais que os três atingiram sucesso na esfera maior. Mostahdaf, Courage Mon Ami e Triple Time. Há de se comentar que o último aterrizou como uma verdadeira bomba, já que muitos esperavam um desenlace entre Inspiral e Modern Games, respectivamente, segunda e quarto colocados. Do que captei, a certeza de que quando afirmava que Inspiral era de um patamar superior ao de Modern Games, nunca estive errado. Agota imaginar que Triple Time aprontaria, já me parece profecias. Vejam quanto ele pegou.

Pois bem, o que dizer de Courage mon Ami sair da esfera normal e em sua quarta apresentação, manter sua invencibilidade da forma que o fez, nos 4,000 metros da Ascot Gold Cup (G1). Com certeza sentiremos saudades desta dupla: Gosden-Dettori.

Aplausos para Siyouni e Woottom Basset com dois individuais ganhadores de grupo, cada. Woottom com uma de graduação máxima e Siyouni - que foi preterido na época por seu companheiro de haras Simmdar, para servir no Brasil - com dois ganhadores na esfera superior. Apenas outros dois detalhes a serem ressaltados a mais: Tahiyra (Siouyni), líder inconteste de sua geração, venceu, mas não diria que convenceu. Tenho sérias dúvidas se Shahrastani e Akarad, respectivamente pais de suas terceira e quarta mães, vão ser suficientes na manutenção de sua stamina clássica. Até a milha apenas uma derrota, na segunda colocação nos 1,000 Guineas.

E a grata constatação que o grandalhão King of Steel (Wootton Basset) is for real, e sua renhida segunda colocação em Epson, não foi produto da obra e do acaso daquela pombinha sapeca. Ele corre de verdade.

Se Frankel dominou as ações do quadrante superior em sua linha principal, seu pai Galileo, o fez no quadrante inferior, igualmente na sua linha principal, com dois individuais ganhadores de grupo, sendo um de graduação máxima.

E já que estamos nos atentando sobre as mães, nota-se que dos 18 individuais ganhadores de grupo este ano em Royal Ascot, nada menos que 18, tiveram o útero de suas mães fecundados de 5 a 12 anos, validando minha tese que depois dos 12, suas chances de tirar o melhor do que lhe poderia ser viável, decresce assustadoramente. Mas o cedo, também não funciona.

Um ganhador grupo (de conotação máxima) numa égua fecundada aos 15 e nenhum em éguas de 3 e 4 anos. Fique claro que o período de melhor aproveitamento foi este ano, novamente o de 5 a 9 anos, onde foram obtidos 11 triunfos - sendo sete de graduação máxima - atingindo o significativo percentual de 57,89%.

Quanto a qualificação das mesmas, tivemos entre as mães produtoras destes 18 elementos, apenas duas ganhadoras de grupo, - ambas de graduação 3 - duas colocadas em provas de grupo, duas stakes winners, limitando a seis o número de filhos com mães de perfil clássico em pista.  Isto é 33%. No mais, foram seis filhos de éguas que pelo menos ganharam, três de que não correram e tão somente uma que correu e não se colocou. Acho que isto explica alguma coisa, ou será que não?

Sempre digo que cavalos de corrida tem também mães e estas, linhas troncos, que remontam a éguas consideradas em sua épocas, transcendentais. Este ano dos 18 ganhadores de provas de grupo em Royal Ascot, 17 pertenciam a famílias distintas, exceção a 1-k (a mesma de Frankel), com dois.

Primeiro assunto controvertido. Apenas quatro vencedores - e tão somente um de graduação máxima - não apresentaram ou o fizeram em apenas um chefe de raça, imbreeds. Desculpem a aqueles que lutam por escancarar ainda mais nossos pedigrees, mais 22,2% me parece ser um percentual ridículo. E isto levando-se em consideração um imbreed como pedigree aberto. Pois, se assim o fosse o percentual cairia pa 11,12%. Sete são aqueles com mais de dois imbreeds, sendo dois com cinco, dois com quatro e três com três. Pergunto, é bastante ou será necessário se desenhar?

E chegamos a segunda controvertida discussão. A que versa sobre as tribos. Controvertida, eu não sei porque, pois tivemos um ganhador da tribo Caro, três da de Mr. Prospectors e 14 (77,7%) Northern Dancers, sendo 4 Danzigs e 4 Sadler´s Wells. Entende-se por que certar tribos, vão para o pico da galáxia e outras para o brejo.

Meeting como os de Royal Ascot, são para serem curtidos, mas depois destrinchados, pois, muitos insumos brotam deles. Basta se ter a devida atenção. E para aquele gaiato que provavelmente urrará ao estrebuchar, que não estamos em Royal Ascot, diria que se copiarmos os exemplos que dão certo no pico da galáxia, haverá uma seria melhoria de seu padrão, produtivo. Ao passo se mantivemo-nos na fila de brejo, um dia a ele chegaremos...