Eu acho lamentável haver ainda em nossa imprensa, reconhecida como "especializada" o chamado passador de pano. Aquele que se alinha a um determinado parte e aceita funcionar como um verdadeiro capacho de entrada de hotel de beira de estrada.
Sou do tempo do João Saldanha, reconhecido como o João sem medo e hoje no futebol acompanho a dois jornalistas, o Rica Perrone e o Mauro Cezar Pereira. Um São Paulino e um rubro-negro. Outrossim, ambos, de opiniões próprias e que primam em não passar o pano em situações, principalmente as vexaminosas.
Eu acredito que em minha conduta profissional, tenha sido imparcial. Se não o fui, desculpem-me, não houver de mim, a menor intenção de encobrir A, B ou C. Tento descrever o que sinto, independentemente quem sejam as partes conflitantes.
Sou partidário de se dar a Cezar o que é de Cezar. Seja Cezar quem for. Pois, acredito que só assim, as coisas fiquem bastante claras em volta de si. Vejo as desclassificações e as manutenções de resultados em pista como uma decisão que só compete a comissão de corridas. Se estas decisões não agradam continuamente, mude-se a comissão. Simples assim.
Tivemos em Royal Ascot, uma situação de um desvio de linha a menos de 100 metros do disco, em uma prova de grupo, inclusive com um toque. A comissão decidiu imediatamente pela manutenção do resultado, pois, o principio básico de que a ação do pretensamente infrator não limitou a ação daquele pretensamente prejudicado, tem que prevalecer. Mas aceito também, o outro lado da moeda, a que considere que o infrator inibiu a ação do adversário. E porque pode vir a ser uma situação ambígua? Pois, como na ação do pênalti, da famosa bola na mão e mão na bola, a interpretação é pessoal, e o VAR esta ali apenas para relatar. No turfe, 2x1, vale tanto como 3x0 na votação final de uma comissão de corridas, e há de se convir que só na unanimidade um resultado de pista deveria ser levado a sério, se utilizarmos o bom senso.
Mas torcer cega. Elimina a possibilidade de equilibrar seu veredicto. Imagina, com aqueles que passam o pano? Eu julgo a qualidade de um cavalo de corrida, assim como a de um profissional, não apenas por uma corrida, mas sim por um todo. Logo, não torço e tento analisar as carreiras de uma forma sóbria e regada a "descompromentimento", com quem quer que seja. Ainda porque, na grande maioria das provas clássicas tenho no mínimo três a quatro patrocinadores do blog, que devem ser tratados de uma mesma maneira.
E como sempre digo, o tempo irá responder a todas as perguntas.