No turfe, principalmente em seu escalão máximo, nem sempre querer é poder, porque acima de tudo, é necessário se saber. Ontem tivemos uma prova disto. Mesmo treinador, distância mais acessível e o norte-americano Classic Causeway chegou em último a lastimáveis 18 corpos no Prince of Wales stakes ao passo que anos atrás, o brasileiro Hard Buck foi segundo, a quatro corpos no King George em 2,400 metros. Mas além do planejamento da aventura viesse a ser completamente distinto, creio que a qualidade do cavalo brasileiro era muito superior.
Venho me batendo a décadas, que o cavalo nacional, nada deve a seu coetâneo do hemisfério norte, mesmo sendo ele construído, sobre uma genética caipira e de pouca efetividade, em qualquer outro centro. Mas a grande maioria de nossos investidores, não conseguem acreditar. Acreditam em bicho de sete cabeças e acham qualquer iniciativa como esta, cara. Caro é se adquirir algo de qualidade e ficar a trocar figurinhas num turfe que ressarce mal a todo aquele que se aventura a investir alto.
Saber no turfe exige tempo e persistência. Coisa que muitos treinadores não conseguem ter. Principalmente nas Américas. Hard Buck fez parte de um projeto sério para correr o fortíssimo King George. Classic Causeway, foi um pilhéria de mal gosto, para financiar turismo e talvez, 30 segundos de glória em frente as câmeras.
Sempre fui favorável ao risco. Mas longe de passar por um suicídio consentido. Pois, no turfe internacional querer dar um passo maior que as pernas, ainda mais tratando-se de Royal Ascot, geralmente gera resultados desastrosos.
Vou abrir um parênteses. O Phillipson, arriscou e não creio que tenha gerado mico, em sua aventura com seu derby winner e ganhador do Pellegrini, Não dá Mais pelo velho mundo. Voltou e está correndo o fino. Foi segundo no Grande Prêmio São Paulo e se não fosse o prejuízo sofrido com a ação inconveniente de H. Fernandez, no Grande Prêmio Brasil, acredito que estaria na foto da chegada e certamente entre os três primeiros. Fecho-o certo que serei entendido.
Temos que raciocinar global e isto não consiste em tão somente, acompanhar o noticiário. Tem que se analizar as possibilidades, pois, existem outros adversários por lá, com melhores pedigrees, já adaptados as condições ambientais e montados e treinados por experiente profissionais, para lhe meter 18 corpos na testa, ao menos erro de avaliação. E eu acredito, que embora perder sempre será uma derrota, por quatro é digno. Por 18, no mínimo vexaminoso.
Porque a foto de abertura? Experimente elevar sua perna na altura que ela fez? è a mesma coisa que ir a uma prova de grupo um em Ascot, achando, que todos os grupos 1, são iguais. Todo buraco tem uma profundidade, que pesquisa e analisa, sabe em qual buraco a mergulhar.