Temos que sempre dentro do possível agradecer a Deus aquilo com que ele nos dotou. Uns com habilidades atléticas. Outros com culturais. Uns com perseverança, outros com paciência. Enfim, qualquer que seja o seu dom, Deus de alguma forma o ajudou a desenvolve-lo.
Eu escrevo e sou capaz de encher páginas dentro de uma linha de raciocínio. Confesso não ter a capacidade de síntese de um Sêneca, nem um virtuosismo de Machado de Assis, mas não os invejo por isto. Apenas os idolatro pela capacidade que tinham, um de dizer tudo num só pensamento e outro de fazer-se entender usando exemplos fáceis de serem entendidos.
Como diria Nelson Rodrigues, o mundo está cheio de idiotas e eles vão tomar conta do mundo, fato este já notado atualmente até em países considerados de direita, como os Estados Unidos e o Brasil. Primeiro que eles são realmente muitos, e estão distribuídos estrategicamente, de forma que você tope com um, a cada esquina da vida. E o turfe brasileiro, parece concentrar uma dose bastante significativa deles, que se proliferam como ervas daninhas.
Talvez por ser uma ciência empírica, a genética tem suas leis, mas estas nem sempre se cumprem da forma como era esperada. O principal fator de discórdia, é justamente aquele que versa sobre o bom com o bom certamente lhe trará o melhor. Nem sempre será assim, mas muitos idiotas temem em acreditar que sempre o será.
Quando há ganho financeiro, como no caso norte-americano, até vale a pena arriscar, pois, sempre haverá alguém com a disponibilidade financeira e a coragem cega de arriscar-se. Mas quando não há, como no caso do Brasil, para que se tentar?
Deem ouvidos a Sêneca, pois, o tempo é nosso bem maior, mais raro e irrecuperável, que possuímos.
Não me foi dado o poder da sintetize, logo, poderia levar páginas e páginas para tentar provar exaustivamente algo, que um sábio o faria em um único parágrafo. Mas mesmo assim o tento, na crença que se até as crianças no Japão, são capazes de aprender seu idioma, idiotas de uma forma ou de outra, poderão deixar de ser idiotas se assim o quiserem. Olha o tempo e o espaço que levei para chegar aonde queria chegar. E estariam os idiotas propensos a evoluírem?
Realmente tenho minhas dúvidas, a começar que o idiota tem a rara capacidade de não se sentir um idiota, e muitas vezes ao contrário, se acham os donos da verdade. De suas verdades.
Verdade não tem dono. Ela nasce de um pensamento comum, adotado por muitos, mesmo que não aceitas por poucos. Dilma foi tirada de seu cargo e não perdeu sua legibilidade. Lula foi condenado em três instâncias, todas por unanimidade, e não também não a perdeu. Ai eu pergunto, qual foi o crime de Jair Bolsonaro, para perde-la? Eu acho que o fato de ter se tornado, maior do que si mesmo. Tornou-se um simbolo.
E símbolos, tem que pagar um preço por sua notoriedade. Eles são um perigo, para aqueles que anseiam ter, porém, sem ter a capacidade de conseguir. Deixemos lados políticos, de lado, e analisemos de forma séria a questão. Foi justo? Não sou eu que responderei, apenas diria que foi inédito e rápido, logo havia muita intenção em fazê-lo.
No turfe brasileiro, nada me parece inédito, nem mesmo rápido de ser feito. Ao contrário dos cavalos, somos lentos, e nem sempre escolhemos a direção certa de ir. E eu me pergunto, porque? Provamos ser inventivos, na politica e nos negócios. Corajosos em nossas crenças e lépidos em nossas artimanhas, do dia a dia. Temos senso de humor e um raro jogo de cintura para nos livrar de situações constrangedoras. Outrossim, para certas situações, aqueles que militam com mais profundidade em nossa atividade, perdem a sua individualidade e atraídos pelo bando, a eles se juntam, arrefecendo seu poder de refletir com mais acuidade.
Um pais de poucas raízes, mas capaz de gerar a um Pelé, a um Senna, a um Jofre, a um Guga, a um Oscar, a um Rui Barbosa, a um Villa Lobos, a um a Machado de Assis, e quantos mais que criamos, apix em suas respectivas capacidades, é ainda incapaz de gerar a um turfe sadio e rentável, como os que prosperam em países de muito menores dimensões e muitos deles com maior problemas financeiros que os nossos. E me resta apenas uma pergunta:
Porque será?
Talvez Maquiavel já tenha dado esta resposta séculos atrás...
