Tudo no Brasil é relativo, principalmente quando tratamos sobre auto-estima. Nos vendemos por pouco e esquecemos com extrema facilidade das agruras anteriores. Seria isto um defeito ou uma qualidade? Juro que não sei.
Na vida nada é insubstituível. O Santos sobreviveu sem o Pelé, o Flamengo sem o Zico e até hoje são dois dos três clubes do patamar mais alto cenário nacional, a não ter vivido, um minuto sequer em uma segunda divisão. O Botafogo, do qual não pode se dizer a mesma coisa, perdeu o Garrincha, mas hoje lidera por uma dúzia de pontos o Campeonato Nacional. Logo, possivelmente haverá sobrevivência depois da tempestade. Dependerá apenas de você.
No turfe, o TNT sobreviveu depois da saída de cena do Much Better e simplesmente passou a outro patamar. O Mondesir continua firme, criando cavalos de nivel internacional - agora para outros - mesmo depois da perda de Ghadeer. E diria que mesmo sofrendo com o desaparecimento do Santa Ana do Rio Grande, do São José Expedictus, do Jahu e Rio das Pedras, do Faxina, do Inshala, do Rosa do Sul, e para não tornar esta lista interminável, do Malurica, continuamos a criar cavalos que mesmo não trazendo em suas entranhas, genética de primeiro mundo, ganham provas importantes a nível internacional. E isto levando-se em conta também, o número ínfimo de nossa produção anual: menos de 2,000 registros contra mais de 6,500 da Argentina.
Que nos faz diferentes?
Evidentemente que não são nossos campos - inferiores aos da Argentina - e muito menos a qualidade de nossos investimentos em reprodutores, mas sim o esmero de nossos profissionais e a coragem de nossos investidores, fatores estes, discutidos e amplamente aceitos no debate que tivemos esta última segunda feira, na live número 72 do Ninho do Albatroz. Live esta que deveria ser vista por todo aquele que milita nesta atividade. Sem exceção e por isto mesmo que deverá ter uma continuidade, pois, muita coisa ainda ficou para ser discutida. Assim o espero.
Fica bastante claro que tanto o profissional brasileiro - em se tratado de jockeys, treinadores, criadores e proprietários - tem mais arrojo em suas investidas. Acredita em seu potencial e sai mundo afora a procura de seu destino. Foi assim com Moreira, Sylvestre, Leandro, Ricardinho, Paulo Lobo, Tolu, Aranha, Pico Central, Siphon, Sandpit e tantos outros. Cite agora argentinos que assim o fizeram. Com raras exceções na área de treinamento, cavalos mesmo só os vendidos.
Enquanto acreditamos na qualidade de nosso cavalo, o investidor argentino acredita no dinheiro que receberá quando vender. São dois projetos, distintos. Uns investem para seguir até onde der. Outros, vão apenas ate a hora de se desfazer. Hoje a vitrine principal do turfe argentino é a Carrera de las Estrellas.
Eles não estão interessados a seguir o exemplo do RDI. Muito pelo contrário. Querem ressarcir o gasto e partir para outro. Quem estaria certo? Não creio que possa responder. Outrossim, tenho certeza absoluta que isto é o grande diferencial de com menos genética, inferior paixão pela atividade e um turfe menos competitivo, termos assim mesmo obtido melhores resultados que os argentinos, nos Estados Unidos.
Vale a pena dar uma conferida nesta live, já que contamos com a oportunidade de ter um profissional como o Aranha, que convive e conviveu nestes três centros. Acredito ter sido uma das mais elucidativas da qual participei.