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segunda-feira, 25 de setembro de 2023

PAPO DE BOTEQUIM: O ARCO E A CRIAÇÃO NORTE-AMERICANA

Numa época que o turfe norte-americano respirava ainda Bold Ruler, Man O´War e outros detalhes locais, John Galbreath inovava, trazendo por leasing, ganhadores do Arco, como Ribot e Sea-Bird (foto de abertura) e atravessando o Atlantico para ganhar o Derby e acabar com a invencibilidade de Brigadier Gerard, com Roberto.

Escuto de muita gente o conceito que trazer Sea-Bird, para este lado do Atlântico, foi um tiro no pé. Eu continuo tendo minhas duvidas, no momento em que era considerado por muitos, - inclusive o Timeform - como o melhor cavalo do mundo de todos os tempos, e era nada mais, nada menos que um neto de Native Dancer.

Outrossim, na verdade, Sea-Bird, só teve 175 produtos registrados, e embora seu numero de stakes winners, 33, possa ser considerado bem acima da média, ninguém nos Estados Unidos, deu bola, quando ele voltou a sua nativa França, onde morreu ao ano seguinte de sua chegada. Seria o caso do cavalo errado, no lugar errado? Eu penso que se tratou de algo, bem mais complexo: no tempo errado.

Ribot havia ganho em 1954 e 1955 a prova máxima francesa e contava ainda com um King George. Sea-Bird, anos depois vencera em Longchamp ,em 1965, mas tinha a seu favor, o Derby. O primeiro invicto. O segundo com sete vitórias em oito apresentações, sendo segundo apenas na estréia, para um companheiro de barn. Cavalos de mesmo padrão. Mas enquanto um foi considerado sucesso na reprodução. Outro não.

Três anos depois, foi a vez do irlandês Vaguely Noble ganhar o Arco, e viria a ser o terceiro importante ganhador desta prova a servir nos Estados Unidos. E creio, que como Ribot, não decepcionou. sabem quantos anos levou para que os norte-americanos sediassem outro ganhador do Arco? Nove anos e o escolhido foi o norte-americano Alleged, este sim com um pedigree que todos reconheciam. Um Hoist the Flag, em mãe Prince John, em mãe Determine.

Alleged foi um bom reprodutor como Vaguely Noble, mas como ele, incapaz de fazer um filho, leading sire. Na década de 80, Sagace e Trempolino vieram a servir nos Estados Unidos, e mais uma vez os ganhadores do Arco, não caíram nas graças dos criadores norte-americanos. E desapareceram na poeira. E pasmem, de lá para cá, nenhum herói do Arco, desembarcou por aqui. E nós brasileiros, embarcamos na canoa furada de quatro deles, depois de fracassados em campos de muito mais elevado nível de criação, na Europa: Sinndar, Sagamix, Peintre Celebre e Trempolino. O que eles trouxeram de bom para a nossa criação? Custa-me crer que alguma coisa.

Agora me pergunto, se da metade dos anos 50, até os meados dos anos 20 deste novo século, o desempenho dos ganhadores do Arco, nos Estados Unidos, foi pífio, porque adotamos a politica de dar chances a vencedores do mesmo, com o agravante, de ainda por cima, de terem fracassado em haras de gabarito na Europa, sendo os Estados Unidos, o único país do hemisfério norte a se interessar pelo nosso PSI?

A verdade nua e crua, é que apenas Ribot conseguiu a manutenção da tribo que formou, entre aqueles que ganharam o Arco e ancoraram no Kentucky. Primeiro com Ribot-His Majesty-Pleasant Colony-Presently Perfect e outro com Ribot-Tom Rolfe-Hoit the Flag-Alleged. Terminando com uma Breeders Cup Classic e dois Arcos. Poder-se-ia se dizer o mesmo, dos outros filhos de Ribot? 

Rito