Fui enquadrado recentemente, por três diferentes leitores, de ter uma predisporão contra Mike Smith e Holly Doyle. Logo, em se tratando de três os críticos, apaga-se de uma vez por todas, a possibilidade de ser sorte ou conscidência, Mas, mesmo assim, tem coisas que me deixam fulo de raiva. Aceito o fato que depois dos 70, se aborrecer por pouco não vale a pena e por sua vez por muito, deve ser definitivamente evitado. Principalmente pelo amor a sua sobrevivência, que cada vez se torna mais curta. Aliás, falando um português claro, o simples fato de se aborrecer, já é uma atitude negativa, isenta de qualquer racionalidade. O melhor negócio, é passar uma borracha, ou mesmo fazer ouvidos de mercador.
Mas como diria vó Adelina, "falar é fácil, o difícil é fazer..."
Por isto, tem horas que a imbecilidade alcança tal estágio de insensatez, que simplesmente não dar bola, fere seus conceitos mais básicos de racionalidade.
No turfe, de vez em quando você bate de frente com um, daqueles capazes de achar que a terra é quadrada, que a Dilma tem neurônios e que uma pista em um hipódromo pode ser coberta com uma lona... Ai passa a ser dose, até para o Papa. Como disse acho que cada um tem o direito de ter uma opinião e expressa-la, se o achar conveniente. Afinal escuta quem quiser e concorda quem puder. Mas desde o momento que optei que meu ouvido não seria mais um pinico, que me recuso a discutir com portas e postes humanos. Se o poste mija no cachorro, atravesso a rua.
E falando em atravessar a rua, confesso que foi extremamente difícil, mas consegui. Um leitor, não sei se assíduo ou não, outro dia me veio com esta. "O Mike Smith aprendeu muito com a Zenyatta..." Meus queridos navegantes, os três pontinhos não foram ali colocados por acaso. Eu interrompi, mesmo! Não é bem de meu feitio, mas assim o fiz.
Para quem não sabe, Mike Smith daqui a dois ou três anos deve completar 60 anos. Logo já não está na idade de aprender algo sobre sua profissão e sim ensinar. Mas que seja. Não vou discutir sobre as quase 30 provas da Bredeers Cup que ganhou. Muito menos as sete provas da triplice coroa que venceu até aqui, pois, como diria o Edson Alexandre, para fazer um omelete se precisa de ovos. E ovos, o Mike Smith sempre os teve. Verdadeiras granjas a seus serviços. Sei também que o fato de ter ganho o Irish 2,000 Guineas com Fourstars Allstars, será um feito difícil de ser alcançado por outro jóckey norte-americano sediado nos Estados Unidos. Como o de um cavalo brasileiro voltar a se sair bem, em um King George VI, como Hard Buck o fez.
LOGO SEI DO VALOR QUE SMITH TEVE E TEM,
E EMBORA NÃO SEJA NEM DE PERTO O MESMO,
RESPEITO E RELEVO MUITO DO QUE APRONTA
Mas o que fez Zenyatta passar, nas 16 vitórias que obteve com ela, das 19 de sua brilhante história, foi digno dos mais sérios filmes de terror de Stephen King. Em 95% de suas corridas, ele foi simplesmente abominável e ela raspando a perfeição. Ele, digno de um vampiro diabético. De um leão bangela. De uma zebra com listras desbotadas. Ela com a majestade de uma rainha e a sutileza de uma primeira bailarina. Como igualmente tenho consciência, e já penitenciei-me em mais de uma oportunidade, que não devamos qualquer situação - quanto mais no turfe - fazer uso de qualquer predisposição que possamos cultivar dentro de nós mesmos. Outrossim, quando este leitor a que me refiro, em dado momento, num arroubo lascivo e imoral, tem a audácia de escrever "que na verdade Mike Smith é o Lester Piggott deste lado do Atlantico", ele faz florescer em minha toda o meu canibalismo mental. Consegue até, balançar com todos os meus alicerces de julgamentos imparciais. Pois, assume todos os detalhes de um terremoto na escala 7 ou 8. Pois, para mim, soa como a mesma forma que dizer que Maradona é Pelé ou aventar a possibilidade do Nelson Ned ter alguma vez tido a mesma força vocal de um Luciano Pavarotti. Realmente é muito, acredito que tanto para mim, quanto a qualquer pessoa de juízo, pois, ultrapassa as raias de realidade e mergulha, de cabeça, no pútrido vulgarismo da irresponsabilidade.
Aqui citei que Mike Smith, foi o que foi, e ainda é o que é pela pérolas a que tem acesso. Mas não teria Lester também tido as mesmas chances. Claro que sim. Outrossim, mesmo com ovos pequenos e vistos por muitos como estragados, ele conseguiu extrair toda a proteína dos mesmos.
Piggott, também foi banhado de granjas em torno de si, contudo dos nove Derbies que veio a ganhar, dois foram com cavalos desmerecidos, como Empery e Teenoso. Piggott teve a capacidade de tirar mortos de tumbas. Enquanto a meu ver, muitos foram os vivos e aclamados pela critica especializada, de Mike Smith, que foram enterrados nas mesmas.
De Mike Smith lembro basicamente de um caso, de um ovo de estranho paladar, a atingir o sucesso: Giacomo, ganhador do Derby de Kentucky - pagando 50-1 - porém, quem tem a devida memória ainda funcionando, deverá se recordar que foi este mesmo Mike Smith, que 11 anos antes foi décimo segundo colocado, com o pai de Giacomo, Holy Bull, nesta mesma prova que pagava poule de devolução.
A verdade é que vi nos Estados Unidos pelo menos uma dezena de jockeys com maiores recursos que Mike Smith. Caras como Shoemaker, Cordero, Pinkay, Bailey, Day, MacCarron e outros. logo, arrisco a dizer que sei do que estou falando.
Peço desculpas a aqueles que se sentem incomodados quando critico Mike Smith, ou Holly Doyle, mas seguidamente os pego em falhas comportamentais, básicas. Porém, daqui para frente tentarei mem manter mais sóbrio em meus comentários.