As Lucrécias Borgias
Tanto o Baronius como Renato Gameiro divulgaram nomes infindáveis de eletricistas que passaram pelo Brasil, aqueles reprodutores que cortam a transmissão de qualidade das famílias maternas. Acredito que o conceito dos Eletricistas seja aceito e entendido no nosso meio.
Mas se nos reprodutores, alguns tem esse poder de crueldade, como seria com as fêmeas? As Lucrécias Borgia da vida, de famílias maternas frondosas, mas que por motivos que não entendo fizeram dessas éguas uma ilha de inutilidade, um galho que por fora parece lindo, mas por dentro está podre, tende um dia a cair e ser esquecido por todos.
Para quem não lembra, Lucrécia Borgia foi uma nobre italiana, que viveu entre os anos de 1480 e 1519, último membro influente da família dos Borgia. A ela foi atribuído todo tipo de crimes e vícios, até o ponto de ter sido considerada o protótipo da maldade.
Essas Lucrécias Borgia são dignas de nota dez na categoria destaque em produção do habilidoso matungo, aquele que figura nos páreos de cinco e seis anos sem vitória. Apesar de serem cruzadas com bons reprodutores, nada sai de útil. Suas filhas seguem sua linha de produção de inutilidades.
Com reprodutores, o resultado em pista, pedigree, cruzamentos, físico, características em corrida em confronto com sua tribo paterna nos dão sinais ou deixam um cheirinho de eletricista no ar antes mesmo de testá-los, poucos irão nos surpreender.
Mas com as Lucrécias Borgia, o buraco é mais em baixo, pois elas tem tudo no lugar, foram matungas ou GI em campanha, mas muitas matungas em campanha de boas famílias maternas se tornaram excelentes reprodutoras e matriarcas. Exemplos são muitos, Risota, falam que não chegaria a frente da ambulância, e olha a matriz que foi.
Reflita agora comigo, imagine que você esteja procurando uma nova reprodutora e lhe sejam oferecidas duas opções. Duas filhas de Roi Normand, uma na linha da Onefortheroad e outra na linha de Griffe de Paris. A primeira criada no Haras Doce Vale e a segunda criada no Haras Santa Maria de Araras. Ambas descendem de matriarcas de sucesso em ambos criadores. Se interessou?
Pois é, ambas são Lucrécias Borgia, ambas convidadas pelos seus criadores a se retirarem do recinto. Os dois grandes criadores por algum motivo, de forma acertadamente, as retiraram de suas lidas. Logo após elas foram pulando de um criador para outro, diga-se de passagem passando por outros grandes criadores, cruzando com diversas tribos paternas e reprodutores e nada acontece. Os matungos são criados as pencas...
As duas brasileiras não vou falar os nomes, mas internacionalmente duas grandes éguas em pista estão em meu radar. Falo da americana Zenyatta e da australiana Black Caviar. A primeira com 19 vitórias e um segundo em 20 saídas e a segunda invicta em 25 saídas. Zenyatta foi coberta por Bernardini, War Front, Medaglia D'oro, Tapit e Candy Ride, já Black Caviar por I Am Invincible, Exceed And Excel, Snitzel, More Than Ready entre outros. Suas filhas estão com filhos por estrearem e nós estamos atentos ao que irão produzir. Será que ambas se tornarão em novas Lucrécias Borgia?
Lembrando aos navegantes que com as Lucrécias Borgias o buraco é mais em baixo, pois a americana Allez France, uma descendente de La Troienne, ganhadora de várias provas de GI, entre elas o Prix de l'arc de Triomphe, champion 2 anos, 3 anos, melhor égua adulta e animal do ano não produziu nada cruzando com Nureyev, Spend A Buck, Seattle Slew e Exclusive Native, mas suas filhas Action Francaise e Allons Enfants deram sequência na transmissão de classe.
Eu levei a frase do Gameiro para minha vida, "quem muito tenta se explicar, se complica. Se você não tem a resposta do porque está acontecendo, aceite-a e seja feliz, simples assim".
Portanto, se lhe for oferecida uma Lucrécia Borgia a você, corra o mais rápido possível. E para bem longe...
Até a próxima quarta, abraço virtual
Marcel Bacelo
