Nasci e cresci em Ipanema e minha formação acadêmica é de arquitetura, logo, tenho uma tendência a ser firmemente enebriado pela beleza. Não chego ao ponto limite de considera-la fundamental como o poetinha Vinicius, mas creio que ele estava certo quando dizia ser ela para ele fundamental, pois ele comia nas mesa...
A idade lhe ensina que a beleza é uma graça herdada, mas que o tempo inexoravelmente leva. Já o caráter é uma graça aprendida que o tempo apenas aprimora.
Sou antigo, logo, ainda acredita em conceitos básicos, tais como família, honra, honestidade e outros detalhes que hoje parecem não ser mais levados em consideração, como qualidades. E sim como cafonices. Mas pretendo viver mais alguns anos, e quem considerar meu texto válido de ser lido, verá que nunca abandonei ou abandonarei esta maneira de ser.
O turfe quando levado a sério lhe ensina que certas verdades são eternas, independentemente das linhas que você usa em seus cruzamentos. E acredito que o criador lúcido, não é aquele que procure apenas beleza de tattersall naquilo que vai gerar em cruzamento por ele proposto. Vender bem é importante, porém correr bem é ainda mais conclusivo. Assim sendo, seu objetivo precípuo deveria ser a formação de caracter, que no cavalo de corrida é exprimida em sua vontade de vencer. Esta era a meta de Tesio e por isto ele acreditava no ganhador do Derby de Epsom, os inspecionava e os selecionava para suas éguas. Hoje as prioridades são outras. Mas os conceitos, os mesmos.
Mas foi com um cavalo de sua criação, que ele criou aquela que talvez venha a ser sido, sua obra prima. Obra que não viu correr: Ribot.
Vejam como são as coisas, Nearco, que para mim era outra de suas obras primas, era para ser filho do invicto Fairway, mas a eclosão da guerra fez com que Nogara, fosse detida na França, a caminho da Inglaterra, onde permaneceu por três temporadas e para não perder a temporada acabou sendo coberta pelo irmão inteiro de sua inicio escolha, Pharos. E deu no que deu...
Abertura necessária de um parênteses. Outra versão existe que a nominação de Nogara para Fairway não foi aceita pela equipe técnica de Lord Derby, coisa que considero menos crível, em se tratando da égua que ela provou ser em pista. Ademais porque ela permaneceu três temporadas na França a um alto custo de manutenção? E somente em 1935 gerou a um produto vivo, batizado com o nome de Nearco, seu único produto desta aventura. Fecho parênteses.
Teria sido Nearco melhor se filho de Fairway fosse? Teria sua linha, - a de maior importância no turfe moderno - se mantido ainda viva aos olhos do mundo nos dias atuais? Ou será que a peça chave desta equação não foi a "rejeitada" Nogara? Afinal ela não poderia ser considerada - mesmo para os sofisticados moldes de Lord Derby - uma Maria vai com as outras. Afinal, fora ganhadora dos dois Guineas italianos, e por tal eleita champion 2 e 3yo em seu pais.
Como reprodutora, ela igualmente reproduziu ao tríplice coroado italiano Niccollo Dell´Arca (Coronach), a segunda colocada no Oaks italiano, Nerveza (Ortello), a Neaucide (Bellini) o terceiro colocado no Derby italiano e aos listed winners Niccollo D´Arezzo (Ortello) e Nicolaus (Solario). Considerando-se que ela teve um total de nove produtos e nada menos que sete atingiram com sucesso a esfera clássica, qual qualificação ela poderia ter? Dadeira, no mínimo !
O problema de Nogara, foi ter tido apenas uma filha. Isto a impossibilitou de ser uma reine de courses. Mesmo com este agravante dela descendem Pinturischio, quarto colocado nos 2,000 Guineas vencido por Rockavon, o chefe de raça Fortino - pai de Caro - ganhador do Prix de l´Abbaye de Longchamp, Nardini vencedor do Gran Premio Cittá di Napoli e Tanavar vencedor na Inglaterra do Lonsdale Handicp.
Sempre defendo a tese, nem sempre compreendida, que cavalo tem mãe e Nogara, a meu ver, foi um baita genitora.