Foi o maior ano do turfe brasileiro em termos continentais. Com dois cavalos, dois criadores - Eraldo Palmerini e Julio Bozano - e um jóquei, - que não podia deixar de ser o Moreira - vencemos as quatro mais importantes carreiras do calendário internacional da América do Sul: o Pellegrini da Argentina, o Brasil de nossa terra, o José Pedro Ramirez do Uruguai e o Latino Americano de nosso continente. Foi portanto barba, cabelo e bigode, com direito de lustro no sapato.
Não se trata de ufanismo nem mesmo nacionalismo exagerado. É a realidade. E ao mesmo tempo que aplaudimos a nossa criação pelo feito impar, tomo conhecimento que um ganhador de Derby e de três provas graduadas nos Estados Unidos, em sua primeira monta a apenas 15 éguas en São Paulo. Seu nome Planetário e se ainda levarmos em conta o fato de seu pai Il Doge, que tem um dos maiores índices de classicismo, ter coberto somente 11, em seu primeiro ano em Bagé, periga poder ser um crime genético inafiançável, de graves consequências. Quantas teriam sido as éguas de fora? Provavelmente, nenhuma.
Lembro a meus navegantes, que os pais destes dos novos heróis do turfe brasileiro, Courtier e Emcee, nem supremos são nos haras que ora servem. Seriam no máximo, suplentes. O que prova que Deus deve ser mesmo brasileiro.
Senhores já me esgoelei, implorei e nada parece acontecer em favor do grande cavalo nacional. Mais elementos são importados ao exterior, elementos estes que em pista, dificilmente bateriam aos melhores parelheiros brasileiros. Masa agimos como cegos, que não querem se curar. London Moon e Pimper´s Paradise, foram inicialmente aquinhoados com um bom número de éguas, mas já em suas segunda gerações este número decresceu. Somos um turfe de fogo de palha.