FOI UM NOITE JAPONESA DAS ARÁBIAS
Bom dia. Depois do festival da Pegasus na Flórida, o turfe global viajou para Riade na Arábia Saudita para celebrar o segundo festival de carreiras do ano e consagrar o melhor cavalo em treinamento no mundo. Com 6 provas de grupo sendo disputadas na tarde do hipódromo do rei, o King Abdulaziz, o festival transita desde um Derby local com pontuação para o Kentucky Derby, passando por páreos na grama (espetacularmente cuidada) nas mais variadas distâncias, até culminar com a disputa da prova com maior premiação no mundo, a Saudi Cup. Se para nós o atual King Abdulaziz já seria o supra-sumo de qualidade, para eles não. Existe em curso um projeto imobiliário que foi lançado nesta semana com pompa e circunstância, chamado Qiddiya City, com várias instalações de lazer e turismo, além das instalações para os animais e o hipódromo em si, que ficará dentro do complexo em desenvolvimento. Show de bola. Coisa de monarca saudita. Lembrando que eles estão criando na Arábia Saudita algo em torno de 1500 animais por ano, o que os deixa no mesmo patamar de volume que Brasil e Chile. Uma boa parte da cavalaria que nós assistimos nos páreos comuns do país é criada em casa mesmo.
Bem, vamos à carreira principal e ao verdadeiro G1 da noite. Todos sabiam que tínhamos um duelo no deserto. O consagrado FOREVER YOUNG (Real Steel) contra o talentosíssimo Nysos. Este, treinado de Baffert, sempre com seus problemas físicos que não o deixam atingir seu potencial máximo. Disputa muito bonita, com ataques e contra-ataques dos dois ginetes e uma vitória firme do japonês por um corpo escasso. Se não tivemos o cardíaco final de 2025, tivemos um desafiante digno, que obrigou um FOREVER YOUNG a mostrar toda sua capacidade locomotora mesmo reaparecendo da vitória na Breeders’ Cup ainda abaixo do seu potencial máximo. Trabalho sempre em altíssimo nível de Yoshito Yahagi, o homem do chapéu, no preparo da fera. Vocês sabem, treinador de cavalos para ser elogiado e admirado pelo Edson Alexandre é porque é de fato nota 10. Meu amigo é fã do japonês. O jovem Ryusei Sakai cada vez mais ganha confiança no próprio trabalho e nas decisões que toma. Fez um percurso primoroso, trabalhando em conjunto com sua montada e dando todas as condições para que ele vencesse. Ele é um bridão com altura acima da média (mede 1,70) e que tem de adaptar seu corpo longilíneo para estribar de forma equilibrada. Quando eu era criança, ouvi muito a expressão “bridão bom estriba curto”. Na verdade, bridão que estriba equilibrado, em conformidade com seu centro de massa, passa a ser bom. Conversem com o eterno Jorge Ricardo que ele irá esclarecer bem o conceito para vocês. Já tivemos, eu e minha esposa, um ótimo papo sobre o assunto com o Ricardinho, claro, regado a vinho. Enfim, a frase que ouvi quando criança era uma tremenda bobagem, dita por pessoas que veem corrida de cavalos, entretanto não montam em animais. Montar bem é estar apoiado em equilíbrio com a andadura do cavalo.
Na parte noticiosa, os planos do proprietário Susumu Fujita são correr em Dubai e depois parar durante o verão do hemisfério norte. E aí, voltar a correr em algum momento no outono, podendo haver uma tentativa invernal na pista de grama no Arima Kinen em Nakayama. Porém, após a vitória deste sábado, o coração do dono balançou, e ele está pensando em mantê-lo em treinamento até a Saudi Cup de 2027, antes da aposentadoria para aproveitamento na reprodução. Vamos ver qual será o seu futuro.
As demais provas do festival tiveram resultados normais, com animais de um patamar abaixo dos melhores em cada categoria. Nada para explorarmos aqui. Apenas deixarei anotado uma curiosidade. Nas 3 provas de grama, ponta e dupla de animais castrados. Quem quer ter um cavalo de corrida, com sanidade e muito tempo nos prados, tem a opção de castrá-lo. Artifício muito usado no Reino Unido, Austrália, África do Sul e Hong Kong (só castrados). Finalizo convidando todos para a Live de logo mais e desejando aquela semana carnavalesca de descanso e festejos.
Abs, Baronius