Croix du Nord, um experimento japonês.
Bom dia, meus amigos. Cá estou eu de volta à minha base, na Vila Mariana, SP. Voltei justamente em um fim de semana movimentado: GP São Paulo, Guinéus na Inglaterra e o Tenno Sho (Primavera) em Kyoto, no Japão e Derby em Kentucky. Agora é domingo pela manhã, e estou aproveitando o tempinho para escrever, antes de me dirigir à Cidade Jardim. Vou aqui focar no que ocorreu em solo japonês.
O turfe japonês viveu mais um capítulo memorável neste domingo, em Kyoto, com a vitória emocionante de CROIX DU NORD (Kitasan Black) no tradicional Tenno Sho (Spring), uma das provas mais exigentes do calendário mundial. Disputado ao longo de 3.200 metros, este Tenno Sho primaveril é conhecido por testar não apenas a velocidade, mas principalmente a resistência e a inteligência tática dos competidores. Quando eu e minha esposa vimos que o Croix du Nord estava inscrito, ficamos um tanto quanto desconfiados se ele conseguiria boa performance. As 3 últimas corridas dele foram, na sequência, todas com vitória: o Derby Japonês, em 2400, o Prix Prince d’ Orange em 2000 e o Osaka Hai, também em 2000. Disso para 3200 é um passo muito distante. Mas, como o turfe japonês é um grande laboratório, “vambora”! E como não poderia deixar de ser foi o franco favorito.
Sob a condução um tanto quanto afobada de Yuichi Kitamura, o favorito manteve-se próximo dos líderes enquanto o ritmo era ditado por Mystery Way. Em entrevista antes do páreo, o ginete não se mostrou exatamente empolgado com este experimento de correr uma distância tão longa com a sua montaria. O espírito era mais de “vamos ver no que vai dar”. Talvez seja por isso que, para mim, ele tenha sido afobado logo na largada. Ele não precisaria ter ido tão à frente logo de cara, tanto que em boa parte do percurso inicial teve que fazer força para segurar o filho de Kitasan Black, o que foi um risco enorme de “matar” o cavalo na boca. Mas, na movimentação decisiva na reta final, o animal mostrou categoria e ao ser exigido nos últimos 400 metros, Croix du Nord apresentou uma aceleração contundente, porém, demonstrando sinais de desgaste diante da distância. Nos metros finais, quando já liderava, começou a perder terreno, permitindo a forte aproximação do azarão (200 para 1!) e meio irmão Wurttemberg, também filho de Kitasan Black, corrido atrás da ambulância. A dupla cruzou o disco emparelhada, levando o público a uma longa espera pelo resultado oficial. Após análise do photochart, a vitória foi confirmada para Croix du Nord por uma margem mínima: 02 centímetros, segundo a imprensa nipônica. A minha esposa baixou a foto de chegada e não é que ele está “um pelo” na frente mesmo? Pessoalmente acredito que a vitória, se não fosse a ansiedade do jóquei, poderia ter sido mais tranquila.
Com o triunfo, Croix du Nord alcança sua quarta vitória em provas de Grupo 1, além de emendar um feito expressivo ao vencer consecutivamente o Osaka Hai e o Tenno Sho (Spring) — sequência alcançada anteriormente apenas por seu pai, o lendário Kitasan Black. Apesar da ansiedade do jóquei e o desgaste final, Croix du Nord demonstrou atributos fundamentais de um grande campeão: resistência, aceleração decisiva e, sobretudo, determinação. Com a vitória em Kyoto, o cavalo entra definitivamente na elite do turfe japonês e mundial.
Esta corrida serviu de forma interessante para vermos que o turfe japonês gosta de performance. E eles não tem medo de testar, usar as pistas como grandes laboratórios práticos para verem até onde vai o desempenho de um cavalo. É isso amigos, paro por aqui para me aprontar para o GP São Paulo. Abraços e vejo todos na Live.
Abs, Baronius