O Oaks das himbas em Tóquio
Bom dia. Meus amigos, leitores fiéis da coluna do Baronius, fiz uma brincadeira no título que será explicada em breve. Minha esposa riu do título, porque ela sabe o que significa. Vocês todos, em breve entenderão a referência. Domingo de corridas no Japão é dia da família no hipódromo. De família mesmo, o hipódromo conta até com um circuito de um mini-trem bala para as crianças se divertirem enquanto os adultos apostam nas carreiras. Casa cheia para a 87ª edição do Yushun Himba (G1), o Oaks japonês. A segunda prova da coroa japonesa, disputada na milha e meia é um salto enorme para as jovens potrancas que vinham de disputar a milha do Oka Sho, a abertura da coroa. A favorita foi Star Anise. A candidata à coroa é simplesmente uma filha do velocista Drefong e quem entende um mínimo de pedigree, sabia que o salto seria grande demais para ela. E realmente foi. A potranca com resultados mais consistentes e que tinha as melhores conexões era Dream Core (Kizuna), eleita preferida aqui de casa e que sofreu um prejuízo forte na largada, correu muito embravecida em todo o percurso, cansou no final com algumas trocas de mãos na longa reta de Fuchu e perdeu uma carreira incrível para a estrela da festa JURYOKU PIERROT (Orfevre).
Essa bela alazã, com seus 464 quilos bem distribuídos e montada pela sensação Seina Imamura (uma jovem joqueta), suava muito durante todo o passeio preliminar. Porém, a filha de Orfevre em Happy Value demonstrava energia e vontade de correr antes da prova. Ao estilo "pingando azeite". Nossa dúvida aqui em casa era se o excesso de energia despendida no padoque iria afetar seu desempenho. Se afetou, ela ganharia ainda mais fácil. Após o larga, Seina deixou sua montada bracear e galopar com fôlego, achando seu melhor ritmo em todo o percurso. Curva bem-feita, ótima noção do percurso e condução exemplar na hora de decidir o páreo. Tudo isso fez com que JURYOKU PIERROT fosse entrando em todas as brechas em que Seina a direcionava e as duas foram engolindo o chão da longa reta de chegada. No final, as duas “himbas” (fêmeas em japonês) se consagram e estão na história do turfe. Seina Imamura, como a primeira joqueta japonesa a vencer uma prova da coroa e a bela alazã se projetando como vencedora de G1 e buscando a liderança da turma. No disco a diferença entre as quatro primeiras foi de meio corpo. Enfim, muita festa para ambas as himbas que se consagraram no domingo. Muita festa no hipódromo e com certeza uma legião de fãs e gurias inspiradas a buscar seu espaço ao sol em profissões ligadas ao turfe japonês.
Quanto ao cruzamento entre Orfevre (Stay Gold) com a japonesa Happy Value, podemos afirmar que foi tentado apenas duas vezes, obviamente com o sucesso vindo da ganhadora do Oaks. Provavelmente alguns criadores tentarão copiar a partir de agora. O reprodutor Orfevre foi um craque em pista, mas que é bem louco da cabeça. Tentou chutar até seu jóquei habitual quando recebeu esta ilustre visita na estação de reprodutores da Shadai. A matriz correu uma vez e não se colocou, sendo ela filha da campeã do circuito da NAR (hipódromos locais) chamada Name Value. Na linha materna próxima, nada que valha a pena destacar. JURYOKU PIERROT é a joia que surgiu até aqui. Finalizando, vale destacar que Daryz venceu mais uma na França e seguirá campanha para tentar bisar o Arco do Triunfo. Os guinéus irlandeses marcaram a confirmação de Gstaad entre os machos e a vingança de Precise entre as fêmeas. Ambos são filhos do velocista australiano Starsplangledbanner e fizeram a festa para Ballydoyle e Aidan O’Brien. Uma ótima semana para todos e aguardo vocês na live de logo mais com a presença do Fernão (APPS) e do Dr. Fred, para destacar o que há de melhor no leilão Araras Blood & Power. Até breve.
Abs, Baronius
