Imaginem um terremoto e um maremoto, ambos de escalas alarmantes, acontecendo numa mesma região e ao mesmo tempo. Fim de mundo para quem os enfrentassem. Esta é a única forma de se explicar o domínio que estes dois tinham, quando em defesa de uma mesma camisa.
No turfe, uma carreira individual que exige confrontos, fenômenos da natureza equiparam suas respectivas forças em um palco comum, a pista. E sorte daqueles que como eu, tive a oportunidade de ver dois destes encontros no hemisfério norte: Affirmed e Alydar no final dos anos 70 e Sunday Silence e Easy Goer no final da década seguinte.
Abro um parênteses para externar minha eterna aversão aos proprietários de Rachel Alexandra e Zenyatta, por privarem o mundo turfístico de um embate de ambas. Fecho este parênteses.
Se não houvessem embates, eu por exemplo tenderia a ver Easy Goer como superior a Sunday Silence e Alydar a Affimed, o que seriam dois ledos enganos de avaliação. Que na verdade não seria só meus, pois, o favoritismo quase sempre recaiu nos perdedores..
Quando tive o privilégio de entrevistar Charles Withinghan, treinador de Suday Silence e lhe perguntei qual teria sido o cavalo que não treinou e gostaria de ter treinado, sua resposta foi imediata: Easy Goer. Evidente que mesmo na picardia de sua resposta haveria de haver, um fundo de verdade. Logo, qual o sentido pratico de projetar não enfrentamentos ?
No turfe antigo, onde o conquistado na pista tinha um maior valor do que o obtido no breeding-shed, houveram carreiras de desafio, que paralisaram países e continentes. Man O´War x Sir Barton, Sea Biscuit e War Admiral, Nashua e Swaps, Alsab x Whirlaway e Ruffian x Foolish Pleasure. Toda vez que Damascus enfrentava a Dr. Fager, o mundo parecia congelar-se. Hoje não mais...
Não valeu a pena testemunhar um City of Troy x Calandagan ?
Não deveríamos fugir a nossos destinos. Afinal, do que vale a certeza, sem o teste que a prove ?
