Uma tarde de verão em Deauville
Bom dia. Mais um fim de semana de carreiras em Deauville, movimentado balneário francês que fica na região da Normandia. Muitas carreiras clássicas importantes no sábado e domingo, sendo o Prix Jacques le Marois (G1) a atração principal. Muito sol, muito calor, hipódromo tomado nos dois dias e muita gente jovem participando do evento. Realmente dá gosto de acompanhar uma jornada como esta. Este fim de semana serviu na França como início da caminhada dos grandes cavalos e coudelarias para o ápice da temporada, o festival do Prix de l’Arc de Triomphe, a ser realizado no primeiro fim de semana de outubro.
Divulgada pelos franceses como a maior e melhor milha da Europa, a prova no retão gramado contou com excelentes corredores e nobres ausências. Preciso registrar que Bow Echo (o "Frankel do momento") se acidentou em treinamento e foi retirado para a reprodução. Fará muita falta nas pistas. Seu fiel perseguidor Gstaad ficou descansando na cocheira, assim como Notable Speech e a líder entre as fêmeas da milha, Blue Bolt. Aqui espero ter selecionado a primeira prateleira da Europa.
Em pista vimos uma disputa muito bonita e tática entre os 3 primeiros colocados, sendo que a favorita Precise (físico um tanto frágil) parece ter sentido os repetitivos esforços que Aidan O’Brien a tem submetido e chegou em um apagado terceiro lugar. Descanso, recarga de energias e volta às disputas, isso é o que ela precisa. O alazão calçado Zeus Olympios veio da Inglaterra, brigou com todo mundo e somente se rendeu a força e vigor da atropelada de RAYIF (Sea The Moon) nos momentos finais. Condução principesca de Mikael Barzalona e aquele preparo em 100% do pequeno gigante, Francis-Henri Graffard. O homem não para de vencer com a farda de S.A. Aga Khan. Sobre a prova, era isso que podia registrar, mas antes de irmos para o cruzamento do vencedor, tenho de falar sobre mais uma corrida ridícula de 2 representantes japoneses na prova. Há pouco, os bravos nipônicos passaram vergonha em Ascot com seus parelheiros e novamente fecharam a raia atrás da ambulância. Aqui, particularmente, não acreditava em nenhum dos dois animais. A pergunta que fica é: Por que se expor ao vexame com animais que de fato não tem o poderio locomotor para brigar fora de sua casa? Que os japoneses aprendam as lições dos fracassos no verão europeu e voltem mais fortes nas próximas tentativas.
RAYIF é um irlandês, filho de Sea The Moon (Sea The Stars) em uma irlandesa, colocada clássica chamada Rayisa (Holy Roman Emperor). Ele, que havia vencido o Poule d’Essai des Poulains em maio, vinha de pular a prova de Royal Ascot e de fracassar em seu reaparecimento em Deauville no mês de julho. Sea The Moon é uma fonte de resistência (stamina) na reprodução que tem 964 produtos e 4% de aproveitamento clássico. A matriz é dupla produtora clássica, através da irmã do ganhador, Rayevka e pertence a família 9-e. Este ramo entrou no haras com a potranca Rilasa, nascida em 1975 e foi criada por Marcel Boussac. O avô materno Holy Roman Emperor tem 2.042 netos em idade de corrida e resultado clássico de 2,5%. O cruzamento de RAYIF foi poucas vezes tentado e deu certo com este indivíduo específico. Nada para acrescentar em termos de nick ou afinidades sólidas. Este foi o páreo que passou na minha lente. Aguardo vocês logo mais na Live de segunda-feira. Até breve.
Abs, Baronius