RG – A que o senhor atribui esta carreira sobrenatural de Secretariat?
LL – Não vou ser modesto neste momento, porque nunca o fui quando jovem. Que dirá agora que estou velho e só tenho histórias para contar. Tanto no Derby (Kentucky Derby) quanto no Preakness (Stakes) o Sham foi a nossa sombra e eu sabia que eles viriam com tudo no Belmont. Pincay iria tentar a ponta a qualquer custo. Resolvi acelerar Secretariat nos treinamentos. O preparei como se fosse correr uma milha. Sabia que até ali (a milha) os dois se distanciariam dos demais e depois disto Sham morreria. Nós também, porém, mais lentamente. Ganharíamos ainda assim por quatro ou cinco corpos. E era o necessário. O sindicato estaria feliz, Mrs. Chenery fora da forca e eu estaria de volta ao golf. Mas ele não parou. Ele continuou. Não acreditei no que os meus olhos viam. Rezei apenas para Turcotte não cair de seu dorso. Foi assombroso. Sempre que vejo o filme da carreira, custo ainda acreditar que foi verdade.
RG - E quando o senhor vê este filme, o que sente.
LL – Não dá para sequer explicar...
Seus olhos novamente se perderam naquele famosos ponto e eu respeitei o seu silêncio, que desta vez foi mais longo.
RG – Secretariat perdeu sua carreira seguinte em Saratoga para Onion. E a seguir o enfrentou naquela carreira que a Phillip Morris criou, o Marlboro Invitational Handicap. Porque o senhor tinha tanta certeza que Secretariat venceria em recorde como afirmou em uma entrevista antes da carreira que tive o ensejo de ler. Ou estarei enganado?
LL – Você está enganado, não com o que eu disse, mas com o que aconteceu depois do Derby (Kentucky Derby). Três semanas depois, corremos em Arlington Park (Chicago) e ganhamos e ai então fomos a Saratoga onde Turcotte ensacou a carreira e nos fez perder para uma cebola (Onion).
Não consegui conter minha risada. Ele sorriu e continuou:
LL – O cavalo era mesmo uma cebola. O Jerkens é que era um grande treinador. Me infringiu outra derrota mais tarde no Woodward com Prove Out...
RG – Quer dizer que o apelido que deram para Mr. Jerkens de Giant’s Killer (o assassino de gigantes) é por sua causa?
LL – Não sei se por minha causa. Mas certamente Secretariat tem a sua parcela de culpa. Não tinha dúvidas que Onion iria ser por nós devastado em Belmont (Park – o local onde foi disputada a primeira versão do Marlboro Cup). Isto depois que a carreira foi aberta, já que talvez você não tenha conhecimento, ela inicialmente foi criada para ser apenas um mano a mano entre Riva Ridge e Secretariat, os dois últimos ganhadores do Derby (Kentucky Derby).
RG – E porque abriram a carreira?
LL – Houve uma pressão, não sei da onde. O que não me importou, pois sabia que faríamos primeiro e segundo. Mas também sabia qual seria a ordem de chegada, embora isto desgostasse em muito a Mrs. Chennery que amava os dois cavalos. Um fato que pouca gente sabe, Riva Ridge, era um nome de uma colina na Itália onde Chris (Christopher Chenery), o irmão de Mrs. Chenery lutou e se não me engano se condecorou. O cavalo tinha um sentido todo especial para a família. Mas que eu podia fazer? Em minha maneira de ver Secretariat iria não só ganhar como deveria estabelecer novo recorde. Afirmei isto antes da prova. E creio que isto fez Belmont Park estar cheio até o teto. Sem sombra de dúvidas, Riva Ridge, era a grande diferença. Mas ele era apenas um excepcional cavalo. Secretariat, ao contrário, era outra coisa maior, que não sei até hoje como definir.
A titulo de informação, Secretariat ganhou a Marlboro Cup, na marca de 1’45” 2/5, estabelecendo novo o recorde mundial, agora para a para a distância de 1,800m. Deixando em sua poeira – numa carreira que necessitava convite – nada menos que Riva Ridge, Cougar II, Onion, Annihilate’em, Kennedy Road e Key to the Mint.
RG – Alguma justificativa para a derrota para Prove Out no Woodward?
LL – Posso dizer que de alguma forma o estado pesado da pista não agradou a Secretariat. Prove Out era apenas um bom cavalo. Riva Ridge era melhor do que ele. Secretariat então...
RG – Por isto numa época de chuvas na costa Este, o senhor optou a corrê-lo na grama?
Ele sorriu.
LL – Poderia justificar que sim, mas na verdade foi de Mrs. Chenery que partiu a idéia. Queria provar que ele era bom em qualquer pista. Me disse que isto abriria um universo para éguas européias sediadas nos Estados Unidos.
RG – E o senhor não teve receio em provar um filho de Bold Ruler na grama?
LL – Até teria se fosse outro. Não Secretariat. Ele seria capaz de correr na 95 (US 95 – estrada de rodagem federal) ou no Atlântico. Estreou na grama e estabeleceu novo recorde. Isto poderia ser considerado normal?
E ele estava certo. Secretariat não podia ser tratado como um elemento normal. Ganhou sua primeira carreira na grama, o Man O’War Stakes em recorde para a prova, estabelecido em 2’24”4/5.
RG – E porque terminar a campanha de Secretariat no Canadá? Uma maneira sua de reverenciar o pais em que nasceu?
Ele soltou pela primeira vez um boa gargalhada.
LL – Como você pode constatar, escolhi a Flórida para terminar os meus dias. Mas não foi bem assim. Haviam comparações entre Secretariat e Man O’War e Mrs. Chenery queria provar que nada houvera antes e talvez não haveria depois, como Secretariat. Não digo que era uma vaidade. Era uma crença pessoal dela.
Elucidações se tornam necessárias. O fato de Man O’War ter ido enfrentar e bater o tríplice coroado Sir Barton em um camuflado match race no hipódromo de Kenilworth Park, pode ter sido o fator que fez Mrs. Chenery enveredar com um novo e desnecessário desafio para Secretariat. Camuflado e me explico. O match race era um ato proibido pelas leis de corrida canadenses e para que este match race pudesse ser levado a efeito, seus idealizadores “criaram” uma fictícia Kenilworth Park Gold Cup convidando também ao grande corredor Exteminator, que fez forfait e na verdade se apresentou no mesmo dia, mas em outro hipódromo.
Mrs. Chenery, quando por mim entrevistada, anos depois, desta entrevista com Laurin, nunca me respondeu a esta pergunta, sorriu e disse que suas razões era para provar que Secretariat poderia ser o melhor em qualquer distância ou pista. Como o provou. Secretariat ganhou o Canadian International, em sua segunda carreira na grama, por mais de seis corpos. Sendo esta a sua última aparição nas pistas.
RG - E o que aconteceu em Woodbine?
LL – O de sempre. Ele ganhou.
Quase dois anos depois, em Dezembro de 2000 tomei conhecimento da morte de Lucien Laurin. Emocionei-me. Tivemos apenas um contacto depois desta entrevista. Um agradecimento seu, que me chegou por intermédio da própria Mrs. Chenery, sobre a entrevista que ele havia gostado muito.
Levado a reprodução, Secretariat não cumpriu com aquele que era dele esperado, mas longe de poder ser considerado um mal reprodutor. Produziu a 653 produtos, sendo que 57 (8,72%) podem ser considerados stakes winners. General Assembly, Lady’s Secret e Risen Star foram indubitavelmente seus melhores produtos. O primeiro ganhou o Travers Stakes de 1979 em recorde, a segunda foi Horse of the Year em 1988 e último, o champion 3yo de 1988, ostenta ainda o recorde de ter vencido o Belmont Stakes pela segunda maior margem, 14 ½ corpos, no terceiro melhor tempo – 2’26” 2/5 para esta prova, no qual estavam igualmente escritos Forty Niner e Winning Colors. Atrás apenas dos tempos obtidos por Easy Goer e Secretariat.
Todavia os dois maiores feitos de Secretariat, reprodutivamente, a meu ver foram o de ser um excepcional avô materno, não só de corredores, como de excepcionais reprodutores, dos quais devem ser citados, Storm Cat, Gone West, Chief’s Crown, A. P. Indy e Summer Squall.E o segundo a importância de seu imbreed e do Rasmussen factor de sua mãe Somethingroyal, estão tendo nos pedigrees dos ganhadores de grupo do turfe neste momento.
Secretariat ganhou 16 de seus 21 compromissos, foi eleito Champion 2 & 3yo em 1972 e 1973, Champion male Turf Horse em 1973, Horse of the Year em 1972 e 1973, foi ainda indultado ao Thoroughbred Hall of Fame no ano de 1974.
Foi capa de três nacionais magazines na mesma semana, sendo dois deles os importantes formadores de opinião: Times e da Newsweek, é estatua no paddock de Belmont Park, é nome de prova de grupo 1 em Arlington Park, é nome de rua em Napa na Califórnia e em Paris, Kentucky, é a gravura que tenho sobre a minha mesa de trabalho em meu escritório de Lexington, virou tema de filme para Walt Dysney e para mais de 50 livros escritos sobre suas façanhas, e ademais o cavalo que sempre sonhei ter e um dia terei se deus assim o desejar.
E além de tudo ganhou as estatísticas de avôs maternos no ano de 1992. Resumindo, deixou a sua marca. Morreu na Claiborne Farm, aos 19 anos de idade, um dia depois de meu aniversário. Onde se encontra enterrado no cemitério atrás do escritório da fazenda. Sofreu bastante com a laminites pela qual foi atacado nos quatro cascos. Não merecia ter o final que teve.