Antes que venham me cobrar, tenho a dizer que criar cavalos de corrida é uma no cravo para 9 no casco. Muitos dissabores, uma quantidade imensa de sonhos e pouca realidade. Mas o que há de se fazer? Quando a mosca azul nos pica, nos tornamos cegos a aquilo que os de fora consideram irracional.Vender cavalo de corrida no Brasil, não é um bom negócio, como o é no hemisfério norte e até em nossa vizinha Argentina. Então porque os argentinos vendem tão bem? Não sei. E o pior, nem imagino...
Logo, é o caminho mais difícil de se chegar ao sucesso. Outrossim, talvez seja este desafio que faça os criadores brasileiros se esmerarem cada vez mais. E talvez por isto tanto esteja sendo investido em cavalos de fundo para a nossa reprodução.
Dois filhos de Monsun, um de Gone West acabam de se juntar ao nosso criatório. Cavalos que foram tardios e de fundo. Todos ganhadores de graduação importantes na grama e na milha e meia. O mundo está se virando para a milha e nós olhando para a milha e meia. E não se assustem, mas não estamos de todo errados. Com certeza esta distância é hoje a melhor entrada dentro do turfe norte-americano, que cada vez mais se afasta da stamina.
A pobreza dos campos formados para distâncias acima dos 2,000m na grama norte-americana é impressionante. Assim sendo, é uma oportunidade para nós, já que os argentinos estão investindo do meio fundo para baixo. Sou daqueles que não gosto de colocar todos os meus ovos numa mesma cesta. Acho que devemos trazer, sprinters, milers, middle distance e classic horses. Mas concordo que para se conseguir um melhor pedigree e campanha, quanto mais nos afastarmos do que o mercado exige, melhor.
Não deixa de ser uma boa oportunidade. Temos apenas que concientizar nossos profissionais de treinamento, que cavalo de fundo, não precisa estrear aos 2 anos em 1,000 metros. O segredo é manter os cavalos em treinamento, felizes, interessados e te-los pronto a correr quando as provas em torno dos q,400 passarem a ser uma realidade. Ver filhos de Sulamani, correrem provas de 1,000 metros me dá arrepios... E para seus proprietários a médio prazo, indigestão...
Não é problema algum trazer cavalos de qualidade para a milha e meia. O que não podemos é trazer pedigrees bonitos com campanhas lastimáveis e deixar de lado o reprodutor brasileiro que em pista se mostrou superior a seus coetaneos do hemisfério norte. Vejam o exemplo de Sabinus, Xaveco, Clackson e mais recentemente Romarin.