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HARAS ERALDO PALMERINI a casa de Lionel the Best (foto de Paula Bezerra Jr), Jet Lag, Estupenda de Mais, Hotaru, etc...

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HARAS SÃO PEDRO DO ALTO - Qualidade ao invés de Quantidade

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STUD MY HERO DAD - SUMMERSET - foto de Porfirio Menezes

JOCKEY CLUB BRASILEIRO

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sábado, 6 de agosto de 2011

ENTREVISTA PUBLICADA NO DOUTORES DO TURFE - TERCEIRA PARTE

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM RENATO GAMEIRO – TERCEIRA PARTE

Renato GameiroDr.I – No Brasil as provas mais graduadas, sonho de qualquer proprietário e criador, são realizadas na distância de 2.400m. em pista de grama, o que você diria de nosso futuro, sendo que visamos muito o turfe Americano, onde suas melhores provas são realizadas em pista de areia em 2.000m. com pista rápida?
R.G. – O futuro de qualquer nação turfística que se preste, é produzir cavalos que sejam adaptáveis as necessidades modernas que as carreiras globalizadas hoje exigem. Quanto maior for o número e quanto maior as diferentes tendências melhor. É o que Irlanda, Austrália e Nova Zelândia vem fazendo de forma continua, atualmente. Mas não é fácil. Todavia, desculpem a franqueza, muito longe de poder ser considerado impossível. 
Mas o mundo não virá apenas em volta dos Estados Unidos. Existem outros mercados. Por sua vez, não podemos tentar mudar um perfil atitudinal de nosso cavalo de corrida, perfil este adquirido após décadas de criação, pelo simples fato que queremos exportar cavalos para os Estados unidos. A Argentina forçou a barra neste ponto e está pagando um preço caro  demais neste item, pois, creio que perdeu a sua identidade. Não consegue produzir mais o grande cavalo de grama para a distância clássica e muito menos se especializou em produzir aquilo que o mercado estaduniense necessita. Para você ter uma idéia, nesta temporada obtivemos com três cavalos brasileiros, quatro vitórias graduadas nos Estados Unidos, contra duas de dois cavalos Argentinos.
Mas voltemos ao centro da pergunta. Confesso que tenho um pouco de receio do especialista. Ele acaba ficando preso dentro de seu próprio mundo. E quando dá um azar de pegar um outro melhor do que ele… Mas quando ele excede as raias da razão como um Frankel, pouco me importa. Outrossim, eu diria que um Sea the Stars que fluía bem da milha a milha e meia, pode ser mais agradável de se produzir e principalmente de se ter.
Imaginem o drama de Prince Khaled Abdullah, sabendo que na próxima carreira irão vir dois ou três pacemakers para atazanar a vida de seu pupilo. E a espera de qualquer deslize atrás de si, uma Goldikova um Canford Cliffs. Um drama evidentemente que eu adoraria viver, mas não deixa também de ser uma fonte de úlceras e queda do couro cabeludo. 
Não me oporia a ter um Ribot, que era um cavalo especifico. Mas ele igualmente servia apenas para um mercado.  Much Better e Da Hoss, foram os cavalos que mais alegrias me trouxeram na vida profissional, porém diria, que o Hard Buck era mais eclético que ambos. Não tinha talvez a capacidade locomotora dos outros dois, mas era uma cavalo mais fácil de se adaptar a distintas situações. Penso que me faço entender.
Temos sim que criar bons cavalos de corrida. O mercado onde estes cavalos irão brilhar será uma consequência. Você não pode desviar a sua atenção daquilo que é criar e passar a pensar que vai fazer um cavalo especifico que irá servir as exigências norte-americanas, européias ou nipônicas. Seria como um pintor contratado por consignação. Ele nunca será um gênio. Imaginem Picasso ou Dali pintando um quadro que combine com aquele sofá e fique bem encima daquela lareira?
Quando você cria um bom cavalo de corrida, o resto que virá a seguir é mera consequência. Dou sempre como exemplo o caso de Cats Night, uma potranca que criei com o Antônio Claudio Assumpção no haras que tinhamos, o Elle et Moi. Criamos Cats Night e ela virou de uma hora para outra, a Preta do Mangueirão, perdedora de apenas uma carreira nas pencas e assim mesmo num dia que largou mal e correu contra quartos de milhas. Nunca imaginei criar uma égua para a penca. Mas ela se tornou uma, por mera consequência.
Alongando-me no tema, aliás alongar-me sempre foi um de meus defeitos, diria que criar um cavalo de corrida é como construir uma corrente de elos resistentes. O grande criador Federico Tesio dizia com grande propriedade que quando o óvulo era fecundado, você tinha ou não o grande cavalo, pois, todas as suas características genéticas do produto, já estavam imprimidas em seu quadro biológico. Dai para frente a gestação, o nascimento, a criação ao pé de sua mãe, o desmame, a criação com seus companheiros, o translado para onde vai treinar, a doma, o treinamento, até que as portas do starting-gate sejam abertas pela primeira vez para ele, são os elos desta corrente. Qualquer um que for quebrado, fará com que aquele valioso diamante, possa se tornar numa pedra sem favor algum. Por isto é necessário de se cercar de grandes profissionais e ter igualmente sorte, pois, até um raio perdido pode cortar o seu sonho ao meio. E deixemos o mercado, se algum dia ele se interessar por seu produto, ser uma consequência.     
Dr.I – Com a crise financeira nos EUA, você acha que isso hoje facilita os criadores brasileiros a importação de melhores matrizes para o Brasil?
R.G. – O turfe brasileiro é formado em sua grande maioria, por empresários bem sucedidos em outras áreas. Gente que aceita riscos e gosta de ousar. Neste ponto acredito que somos os mais bem dotados em nosso continente. Sempre conto aquela história, dos três empresários no meio do pantanal matogrossense a beira de um rio infestado de piranhas e os jacarés. Enquanto o empresário brasileiro visualizava uma futura Disneywolrd a ser construída do outro lado do rio, o empresário argentino se apavora com o custo que aquela empreitada possa ter e o uruguaio não tira o olho dos jacarés.
Mas até isto está mudando, os criadores argentinos nos ultrapassaram em investimentos no setor de reprodutores, e os uruguaios cada vez mais tem demonstrado querer chegar lá, mesmo se tratando de uma nação pequena em tamanho, mas que prova dia após dia, ser enorme em sua paixão.
Temos hoje um dólar barato. O acho irreal, manipulado, mas a realidade é que está barato.  Por sua vez existe uma crise financeira mundial, que felizmente não nos pegou pelo pescoço. Logo, a hora de investir é agora. Não daqui a 3 ou 4 anos, quando as coisas possam voltar ao normal. E que nem aquela história do cavalo que está pronto para correr. Não adianta esperar quatro semanas porque só então a corrida perfeita será então realizada. Você tem que correr agora, ou o cozido pega fogo. Erro é do treinador que o trouxe à tona antes da hora. malha-se quando o ferro está quente. Ademais, você tem que se adaptar as situações do mercado, não esperar que o mercado se adapte as suas, e exatamente na hora que você quer. É exatamente ai que você compra gato, pensando estar levando lebre.
Vim para os Estados Unidos em 1987, quando o mercado norte-americano, apos 10 anos de crescente sucesso, despencou de uma forma vertiginosa. Levou doze anos para se erguer e nunca mais foi o mesmo. E neste período de pouco mais de uma década trouxe 32 reprodutoras, que produziram ganhadores de grupo e duas dúzias de potrancas que foram de esfera clássica. Foi o momento. Eu não o criei. Eu simplesmente me aproveitei do mesmo. Se algum mérito tive, foi o de me sentir pronto para vir no momento propício e tê-lo feito.
No mais é impossível se manter sua industria na ponta se não houver a melhor matéria prima a sua disposição. E, querendo ou não, esta matéria prima está no hemisfério norte. A disparidade genética atual é maior que o Grand Canyon.
Dr.I – Você como um grande conhecedor da matéria acha melhor comprar potrancas inéditas, éguas em campanha ou matrizes já prenhas de bons garanhões?
R.G. – Você tem que usar o dinheiro de seu cliente, comprando o melhor que este o possa comprar. Mas evidentemente que o cliente é quem pede. Ele pode querer uma égua saída de campanha, ou mesmo cheia, como pode preferir uma desmamada ou uma outra de um ano e meia. A vontade é do freguês. Isto em nada atrapalha a performance do agente.
O que atrapalha é você ter 4,500 opções em um catálogo como o de Keeneland em Novembro, estuada-o de ponta a cabeça e alguém lhe pede, quero uma filha do Storm Cat, nova, boa e barata. Limita muito suas opções.
Todavia se esta é a questão, você tem que pelo menos tentar achar aquilo que o cliente quer. Se der ótimo. Se não der espere o outro leilão. Nunca fui agente de não querer perder a viagem, pois, encaro todos os leilões como aulas. Se nada comprar, algo aprendi e isto é o que interessa. tenho 60 anos e hoje mesmo tendo certeza que sei bem mais do que sabia a 20 anos atrás, ainda tenho que aprender muito para minimizar as chances de erro.
Existe ai Iago, uma questão também de preço. o mercado é imediatista, logo a égua saída de campanha, normalmente custa mesmo que uma de igual competência já cheia. Da mesma forma que uma desmamada, acaba tendo um preço menor, que se fosse vendida seis oito meses depois. Uma grande faixa do mercado, prefere pagar mais, mas minimizar as chances de desastres. E querem ver logo aquilo que investiram tirar seus frutos.
Para mim o importante é trazer o melhor que seu dinheiro possa comprar, independentemente do tipo de cavalo a se importar.
Dr.I – Como iniciante nesta nova empreitada, sendo grande admirador de sua pessoa, quais conselhos você poderia me dar?
R.G. – Minha vó Adelina dizia, que conselho é uma coisa tão importante que deveria ser vendido, não dado.Embora não veja esta situação de uma forma tão radical, diria que não me sinto a altura de dar conselhos a quem quer que seja. Todavia, dentro de meu trabalho acredito em certas formulas de ação, que não são dogmas, mas que tem funcionado, pelo menos  para mim e para alguns clientes. 
O que posso dizer, é que talvez seja o único agente brasileiro que veio para os Estados Unidos e conseguiu aqui permanecer. E completo ano que vem bodas de prata. Confesso quebrei muitas vezes a cara, mas creio que tive a capacidade de não cometer o mesmo erro em uma segunda vez. Talvez seja esta a razão que ainda não vendo pizzas, nem penso ainda em voltar ao Brasil, se é que um dia irei voltar.
Outro fato que posso contar como positivo a meu favor, é que muitas oportunidades deixei cliente vermelhos antes, mas nunca brancos depois. Não é fácil agradar a todos e existe uma inveja pairando sobre este mercado.  E é talvez sobre isto que deva aconselhar. Fuja do pior inimigo deste mercado. E este é aquele amigo que não tem cavalo, mas que como papagaio de pirata se acopla em seu ombro e fica lhe dizendo o que fazer e o que não fazer.
Este é o câncer do mercado. Pense nisto: quando você sente uma dor no coração, opta por visitar o melhor cardiologista. Quando tem uma empresa, se cerca dos melhores profissionais que a possa tocar para frente. Porque não fazer o mesmo com esta atividade chamada criação e propriedade de um cavalo de corrida? Você tem que tratar esta atividade, com profissionalismo e respeito, como outra qualquer. Nela existem profissionais e picaretas, como em todas as áreas. A era do “olhometro” se foi com Don Pedro II.  Quem ganha constantemente o faz, porque tem uma forma de agir. A sorte pode o ajudar em uma vez, e até a coincidência um dia aterrissa em seu quintal e o faz ter sorte pela segunda vez. Mas constância exige competência. E sempre existirá alguém, com mais tempo, experiência e conhecimento que você para agilizar seu caminho para o winners circle.
Dr.I – Deixe uma mensagem aos nossos leitores:
R.G. – Comprem ou criem um cavalo de corrida. Dá menos trabalho que um barco, muito mais prazer do que uma casa de campo e com certeza é muito mais barato que uma amante argentina.