HARAS SANTA RITA DA SERRA - BRASIL

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HARAS ERALDO PALMERINI a casa de Lionel the Best (foto de Paula Bezerra Jr), Jet Lag, Estupenda de Mais, Hotaru, etc...

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HARAS CIFRA - HALSTON POR MARILIA LEMOS

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HARAS RIO IGUASSU A PROCURA DA VELOCIDADE CLÁSSICA - Foto de Karol Loureiro

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HARAS SÃO PEDRO DO ALTO - Qualidade ao invés de Quantidade

HARAS RED RAFA

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HARAS RED RAFA - O CRIADOR DE PLANETARIO

STUD MY HERO DAD - Summerset

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STUD MY HERO DAD - SUMMERSET - foto de Porfirio Menezes

JOCKEY CLUB BRASILEIRO

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terça-feira, 2 de agosto de 2011

PUBLICADO NO BLOG DOUTORES DO TURFE

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM RENATO GAMEIRO – PRIMEIRA PARTE

Renato Gameiro
 Entrevista exclusiva com uma das grandes referências do Turfe Internacional, Renato Gameiro.
Dr.I – Como e quando você entrou no meio turfístico, e porque?
R.G. – Entrei pela mesma porta que a maioria dos turfistas entram: a do entusiasta. Foi amor a primeira vista e via televisão, pois nos anos 50 e 60 as corridas eram transmitidas todos os fins de semana e desde pequeno meu ouvido ficou impregnado de nomes como Adil, Farwell, Escorial, Narvik, Lohengrin, Gaudeamus e outros grandes cavalos que adornaram uma época que ainda considero como de ouro. 
Queria deixar claro, que esta, sempre foi a meu ver,a fórmula correta de se fazer um público. De construí-lo. De cativá-lo. Infelizmente a direção de nossos hipódromos, não souberam como manter o interesse dos orgãos de divulgação. E o público não se renovou. Esvaiu-se. O mundo das corridas estava virando um casino e nós arraigados a um clube.
Muita gente atribui a queda deste publico a Internet e a outras formas de diversão. Discordo. Porque se assim o fosse os hipódromos argentinos, chilenos e do hemisfério norte, estariam as moscas como os nossos. E não é o que está acontecendo. Hoje no Brasil, para se colocar uma nota em um jornal ou para transmitir apenas a carreira principal de nossos dois dias mais importantes, é necessário se fazer das tripas, um coração. Houve época que um Grande Premio Brasil era transmitido, como o Kentucky Derby, por uma tarde inteira. Mais de 100 mil pessoas in loco. Não mais. Mas voltemos ao trilhos.
A primeira vez sempre se mostra importante, qualquer que seja o assunto. E eu curti muito tudo que vi, quando compareci pela primeira vez as corridas na Gávea, ainda muito jovem. Tudo me inebriou e acredite naquela época havia muito publico, muita classe em se vestir e polimento em se comportar. Um clube funcionava. Era produto de uma era. Hoje não mais. Para sobreviver, a atividade teve que se popularizar e o turfe brasileiro tentou se manter apenas como evento social. Elitista. Moral, descemos a ladeira sem freio.
Sei que existe uma tendência humana, muito natural de se achar que no meu tempo… mas não é sobre isto que estou me referindo. As coisas eram realmente diferentes em relação ao turfe no passado. A força das fardas era maior. Havia até torcida. Como nos times de futebol. Só para se ter uma idéia, não é de minha época, mas nas décadas de 30 e 40, era mais fácil se encher o Hipódromo da Gávea do que o estádio de São Januário. Imaginem o que era o turfe, então. Algo que excitava.
Uns torciam para o verde e preto dos Seabras, outros para o branco e estrelas azuis dos Peixoto de Castro e muitos para o ouro com costuras azuis dos Paula Machados. Cavalos eram muitas vezes vistos como grandes estrelas. Hoje não passam de meros números a se jogar.
Embora seja carioca e tenha crescido pulando os muros da Gávea, independentemente deste fato, o Rio de Janeiro tinha muito mais força turfística que São Paulo, talvez pelo simples fato de ser o Distrito Federal. E aqui entre nós São Paulo naquela época era uma cidade provinciana e não a grande metrópole que é hoje. E houve outro fator de queda na popularidade desta atividade. Foi no inicio da década de 60, e o nome da criança Jânio Quadros. Ainda bem que só durou nove meses…mas mesmo assim teve efeito letal. Mas isto é outro tema.
Dr.I – Sempre escutei pessoas falando em seu nome, dizem que desde os anos 70, o seu nome sempre foi referência de conhecimento e qualidade,o que o levou a ir morar nos EUA?
R.G. – Bondade sua.
Todo profissional anseia estar no centro de sua atividade. Bem pertinho do amago questão. E os Estados Unidos, principalmente a cidade de Lexington, tem que ser considerada o centro de criação mundial do cavalo de corrida. Mas você quer a verdadeira razão. O motivo. O que me levou a levantar âncoras. Pois vamos a ele. 
Na ocasião nosso turfe era dominado pelos pedigrees Europeus, aqui trazidos por representantes da maior agência inglesa, a BBA. O que estava off-broadway por lá era inicialmente ofertado as colônias e quando rejeitado, ao Brasil. Tinhamos que segurar a peteca.  E a bem da verdade como anos antes muitos destes pedigrees europeus haviam funcionado a contento – numa situação totalmente distinta, a equação foi mantida. Explico-me. O que trouxemos no final dos anos 40 e no inicio dos anos 50, foram espólios de guerra. Grandes criadores, principalmente os franceses, tinham que vender, tal era a situação vigente. Com a situação estabilizada na década de 60, verificou-se um fato novo no circuito europeu, na época a grande vitrine do turfe mundial: o cavalo criado nos Estados Unidos.
Desculpe a franqueza, mas não era necessário ser nenhum gênio da lâmpada para sacar que eram os pedigrees norte-americanos que estavam luzindo com maior fervor no velho continente. 
Sir Ivor venceu o Derby de 1968, no ano seguinte foi Habitat que dominou a milha. Em 1970 Nijinsky maravilhou o mundo e quase se torna tríplice coroado. Em 1971 Mill Reef leva o Derby e no ano seguinte foi a vez de Roberto. Em 1973 nos Estados Unidos resplandece um fenômeno chamado Secretariat. Um novo bio-tipo e uma nova forma de aptidão locomotora nascia e funcionava positivamente. 
Estava na cara, de que direção estava vindo a luz no final do túnel. E aqui no Brasil senti que a grande maioria nem o túnel conseguira sequer vislumbrar. Os criadores europeus imediatamente sacaram a mudança que estava se verificando embaixo de seus narizes. Grandes conhecedores do olfato, imediatamente passaram a desovar aquilo que não mais iria funcionar para as suas necessidades. E foi ai, que nos tornamos vítimas…
Dois outros fatores me alertaram para a mudança que teria que se verificar em minha vida, se quisesse abraçar esta profissão como queria na época. O primeiro relacionado com o que respondi em sua primeira pergunta. A queda da atividade no Brasil. E segundo o sucesso que os norte-americanos Earldom e Tumble Lark obtiveram na reprodução brasileira, eles que não poderiam ser considerados dois exímios corredores. Executioner, a seguir, apenas consolidou a tese.
Decidi vir para os Estados Unidos e depois de algumas visitas, iniciadas em 1977, fixei residência em Lexington, no Estado de Kentucky, no ano de 1987. Vim com a cara, a coragem e a Cristina. No inicio comprava, viajava com os cavalos e os vendia no Brasil. Apenas com a ajuda do Antônio Cláudio Assumpção. E a coisa, pouco a pouco, funcionou, pois, foi honesta e bem executada.
Posso dizer que fui parte indução de um novo mercado que se instalou no Brasil: o do até então desconhecido pedigree norte-americano. Passamos a aceitá-lo e posteriormente a respeitá-los, pois, eles dominaram. As potrancas norte-americanas que aportaram no Brasil, mesmo com a desvantagem na idade, batiam as nacionais.  Little Baby Bear quase ganha o Diana Paulista sem sequer ter completado 3 anos, e com uma inusitada mudança de pista, para a areia. Coisas que só acontecem no Brasil…Imaginem trocarem a Breeders Cup mile para o dirt...
Pois bem, o túnel de uma hora para outra surgiu à frente de nossos criadores, que imediatamente identificaram da mesma forma de onde a luz do final do mesmo estava vindo. Não foi simples e muito menos fácil. Todavia, aconteceu e hoje é realidade, para a alegria de muitos e tristeza de poucos.
Dr.I – Quando em contato com criadores e proprietários todos nos falam a mesma coisa, ‘’a criação Brasileira vai bem, mas o turfe de mal a pior’’, qual a sua opinião? Como melhorar este quadro?
R.G. – Não sou dirigente, mas sou arquiteto. Ou pelo menos fui. E com a formação que tive, aprendi, que de uma folha em branco pode nascer um grande projeto. Basta haver vontade de fazê-lo e conhecimento da questão. Mas apenas a vontade não o leva a lugar algum. Conscientizados do que fazer, uma equipe de profissionais tem que levar adiante um projeto viável de ser implantado e factivel de sucesso. Os exemplos através do mundo estão aí para ser copiados. Não precisamos ir longe. Palermo é ali na esquina e Maronas mais perto ainda.
Concordo que qualquer chofer de taxi de Montevideo e de Buenos Aires, tem na cabeça o resultado da quarta de Maronas ou da quinta de Palermo. Existe nestes dois paises, um amor maior pela atividade. Mas amor se desenvolve. O ser humano nasce com ele. Necessita apenas ser aprimorado.
Temos que ter patrocinadores. Isto é básico. Mas para que isto aconteça, temos que oferecer um produto que seja vendável aos olhos do grande público. Hoje não o temos. Não acredito que nossas reuniões sejam enfadonhas como alguns pregam, mas de alguma forma teríamos que as tornar mais atrativas. Como? Não sei. O que sei é que o Japão fez de uma forma e funcionou. Os Estados Unidos de outra, e obteve também sucesso. E a Europa que andou meio cambaleante no meio dos anos 90, está firme e forte vendendo saúde, mesmo no meio das crises financeiras que ora assolam o primeiro mundo.
No tocante a criação brasileira, afirmo com conhecimento de causa, que ela tem esmero, mesmo a despeito do Pero Vaz de Caminha ser um senhor que não primava pela exatidão de seus conceitos sobre qualidade de terra. Mas suprimos esta inferioridade com muito detalhe tanto na alimentação, como na higiêne, sanidade e na cuida. Temos Haras no brasil que nada devem a qualquer outro no mundo. Temos regiões já estabelecidas, que embora sejam inferiores em qualidade de terra e habitat, que as melhores da Nova Zelândia, Irlanda, Kentucky e Argentina, são capazes de produzir excelentes cavalos de corrida. E o mais importante: creio que aquela história de se criar cavalo de corrida na casa de campo é coisa do passado. Teresópolis é lugar de veraneio e no máximo lugar para treinamento, nunca para cria. Bagé, não é lugar de turismo, mas dá para se criar uma ajeitado cavalo de corrida.
Mas ainda pecamos em relação a pedigrees. Preterimos o bom elemento nacional ao enfeitado importado que na pista nada demonstrou. Aquele a que chamo os Neros da vida. Têm pedigree, mas são ovelhas negras. Este seria um erro com o qual já deveríamos estar vacinados. Sabinus, Clackson e mais recentemente Redattore e Romarin, corroboram esta minha tese. Temos que nos desvencilhar deste eterno complexo que o Nelson Rodrigues tão bem batizava como o sendo o dos vira-latas. Inteligência sem clarividência. A aquele que provou ser melhor que o coetaneo do hemisfério norte, deve ser dada uma chance igual ao do importado. Mas isto é também outro tema a ser analisado em outra ocasião.
Porém, mesmo com esta deficiência, na atual temporada norte-americana, somos o único centro criatório do hemisfério sul, a ter, até o presente momento, três individuais ganhadores de grupo. Contra dois da Argentina e apenas um da Nova Zelândia. Logo, se não estamos bem, muito longe de estarmos mal. 
Mas ainda são poucos… ou melhor muito poucos os cavalos que conseguem luzir aqui nos Estados Unidos. E muitos são os que aqui aportam para nada. Isto denigre o mercado, pois, passamos a ser vistos como exceções. E deveríamos, se houvesse critério, de sermos considerados regras. 
Na Europa até agora nenhum nenhum. Talvez com raríssimas exceções como Hard Buck e Light Green, que estiveram bem perto de chegar a um lugar ao sol. Uma coisa é certa: não existe mercado forte interno, sem ajuda externa. Temos que exportar. Mas temos que ter o produto a alcançar sucesso, para que o investidor volte. E para tal, teríamos que ser mais seletivos naquilo que importamos.
PRIMEIRA PARTE DA ENTREVISTA
PUBLICADA NO BLOG DOUTORES DO TURFE DE IAGO BORBA