HARAS SANTA RITA DA SERRA - BRASIL

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NEPAL GAVEA´S CHAMPION 2YO - HARAS FIGUEIRA DO LAGO - São Miguel, São Paulo

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HARAS ERALDO PALMERINI a casa de Lionel the Best (foto de Paula Bezerra Jr), Jet Lag, Estupenda de Mais, Hotaru, etc...

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HARAS CIFRA - HALSTON POR MARILIA LEMOS

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HARAS RIO IGUASSU A PROCURA DA VELOCIDADE CLÁSSICA - Foto de Karol Loureiro

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HARAS SÃO PEDRO DO ALTO - Qualidade ao invés de Quantidade

HARAS RED RAFA

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HARAS RED RAFA - O CRIADOR DE PLANETARIO

STUD MY HERO DAD - Summerset

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STUD MY HERO DAD - SUMMERSET - foto de Porfirio Menezes

JOCKEY CLUB BRASILEIRO

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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

SEGUNDA PARTE DA ENTREVISTA PUBLICADA NO DOUTORES DO TURFE

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM RENATO GAMEIRO – SEGUNDA PARTE

Dr.I – Continuando nossa conversa, gostariamos de saber como vai hoje o turfe no mundo? Poderia citar quais os países estão em melhor situação e porque?
R.G. – Por incrivel que possa parecer, fica mais fácil citar os países em que o turfe não vai bem. E com certeza, o Brasil é um deles. E não vai bem porque não quer. esta é a mais pura verdade. Dói, mas é para doer mesmo.
Você lembra que a associação de grupos liderados pelos senhores Julio Bozano e Jose Carlos Fragoso Pires conseguiu fazer um GP. Brasil de US$1,000,000 ao ganhador, quando o dolar e a moeda de nossa época, estavam se não me engano igualadas? Logo é possível, mas infelizmente provou não ser factivel. Pois houve uma grande perda de dinheiro. E ninguém, por mais abastado que seja, gosta de perder dinheiro. Não foi repetido e nenhuma outra vereda tentada. Houve erros na concepção? Acredito que sim. mas pelo menos houve a tentativa e uma festa que marcou história. Por uma semana entramos no mapa.
Falei antes do Japão. Não quero dizer que devamos copiar a fórmula que usaram, para revitalizar sua atividade, pois, tenho plena consciência que o que é bom para A, nem sempre é bom para B. E assim por diante. Engana-se aquele que crê na existência um gosto universal. Mesmo a Coca Cola e a Gisela Buchen têm rejeição.
No Japão foram trazidas senhoras de alta classe mas de moral nada ilibada para os hipódromos. Imediatamente os homens abastados, acharam por bem não deixar estas senhoras sozinhas. Cientes do fato, as esposas destes senhores resolveram acompanhá-los. E o tempo não tardou de popularizar a atividade. Hoje o que se joga no Japão e as atendências de público diárias que se verificam, são inimagináveis. Você tem que ver para crer. E a coisa virou uma paixão.
O brasileiro tem um perfil. As agências de propaganda possuem estudos levantados. Alguma coisa que o turfe têm, pode ser o ponto catalizador da atenção de um determinado segmento de nossa população. E como a melhor propaganada é aquela boca a boca. Um vem e trás outro e a coisas vira uma progressão geométrica. O certo é que o clube sempre atrapalha. Deveríamos dividir as responsabilidades. Um presidente para o clube social. Outro para a área do turfe. Atribuições distintas. E quem sabe a coisa pode assim funcionar.
Não sou expert. Mas tenho noção que alguma coisa possa ser feita.
 
Dr.I – Neste ano de DOUTORES DO TURFE um de nossos maiores sucessos foi uma enquete na qual perguntamos, quem foi melhor ‘’ITAJARA ou MUTCH BETTER? Qual a sua opinião? Outra enquete foi sobre o melhor reprodutor, TUMBLE LARK ou GHADEER poderia nos responder a sua opinião?
R.G. – Não gosto comparar cavalos de épocas distintas. Aliás é dificil se comparar ou mesmo ver a  beleza em coisas distintas. Por exemplo o Rio de Janeiro com chuva, é lamentável. Paris, ao contrário, é romântico. Colocar sal numa salada é palatável. No café repugnante. Acho que uma comparação entre Itajara e Much Better, é uma ação dificil de poder ser considerada factível e consequentemente de ser levada adiante, pois, o primeiro só correu contra os de sua idade. E o segundo, praticamente floresceu contra os de diferentes idades. Logo, alhos e bugalhos. Como três anos, creio que Itajara foi o melhor. Entre os mais velhos Much better na distância clássica foi o que mais me impressionou. mas houveram outros. O que dizer de Palemon e Cacique Negro? De Rhiadis e El Santarém? De Hard Buck e Pico Central? De Riboletta? Grão de Bico? De de Duplex?
Eu diria que tanto Much better como Itajara foram grandes cavalos de corrida. E isto é o que realmente importa. Mas creio que sejam impossíveis de serem comparados,de uma forma imparcial. Se você me perguntasse qual foi o cavalo brasileiro que mais memarcou, eu diria tratar-se de Much better por minha ligação profissional a ele, mas o que mais eu gostaria de estar profissionalmente ligado seria sem dúvida alguma Duplex. O acompanhei em todas as suas vitórias no exterior. E por incrivel que pareça, nunca fez sucesso em nosso território.  E nesta linha teríamos que colocar também Siphon, Sandpit, Riboletta, Hard Buck, Pico Central e Einstein que extrapolaram. Outrossim foi ele Duplex e meu querido Einstein, os mais ecléticos, em minha opinião. Duas máquinas de correr, que não respeitavam adversários, pistas, distâncias ou hipódromos. Duplex tinha pouco físico e um pedigree apenas sofrivel. Einstein ao contrário era um privilegiado em ambos aspectos. Mas é aquela história. Os Seabras já haviam encerrado suas atividades e mesmo assim produziram não só um, mas dois cantos de cisne: Emerald Hill e Duplex. E o outro era egresso do Mondesir.
Devo ter em algum lugar a lista particular de grandes cavalos e éguas que vi correr e não creio que os possa comparar, colocando-os em uma ordem qualitativa. Evidentemente que os citados por mim estarão nesta lista, assim como Grimaldi,  Off the Way, Revless, Donética, isto sem contar aqueles que apenas histórias ouvi como Adil, Farwell, Escorial e tantos outros. Somos afortunadamente ricos em cavalos que considero diferenciados. 
Teria que sentar e pensar, pois, sempre escaparão de sua memória um ou outro grande corredor. E nunca será justo omiti-los. Principalmente no Brasil, onde os machos desaparecem dos pedigrees clássicos e seus nomes entram no ostracismo.
Quando se fala em reprodutores fica mais fácil de comparar, quando os nomes em questão atuaram em um mesmo centro, em condições de chances parecidas e numa mesma época. Este é exatamente o caso de Ghadeer e Tumble Lark. Não há como deixar em branco as grandes façanhas de Ghadeer  tanto nas estatísticas de reprodutores como de avôs maternos, outrossim, para meu gosto particular, não primou por produzir cavalos que fossem capazes de ganhar na distância de 2,400m, que é o nosso real parâmetro de classe. Com a ajuda de Hornbeam e Waldmeister, dois europeus plenos na transmissão de stamina, produziu a dois cavalos que chegaram a distância clássica com sucesso. E ficou nisto ai.
Tumble Lark, ao contrário me parecia um reprodutor mais completo. Dava do ganhador da penca ao dos GPs. Brasil e São Paulo. Era altamente prepotente. Todos os seus filhos pareciam saídos de uma mesma forma. E que olhos e que expressão tinham. 
Ambos tiveram um plus a seu favor. Seus filhos foram treinados quase pelos mesmos treinadores. Tanto os do Mondesir, quanto os do Rosa do Sul, tiveram do bom e do melhor. E isto sempre ajuda. Dificil é ser um Henti le Balafre, que recebe todo e qualquer tipo de égua, cuja progene é criada nos mais distintos Haras e treinados por diferentes profissionais em condições nem sempre aceitáveis. E para mim Clackson é inesquecivel. produzia um tipo de cavalo, mas aquele que mais nos servia para ganhar Derbies, Brasils e São Paulos.
Infelizmente tanto Ghadeer quanto Tumble Lark, não coseguiram fazer filhos reprodutores. Ou como diriam os do hemisfério norte, não foram Sire of Sires. Infelizmente Clackson e Henri le Balafre estão indo para o mesmo caminho. Pena, mas esta é a sina brasileira.  Todavia, em sua próxima pesquisa, sugiro que não devesse fazer apenas um mano a mano. Peça a seus leitores uma maior abrangência. Porque não colocar outros nomes como Earldom, Waldmeister, Clackson, Locris, Roi Normand, Henri, Executioner e outros que possam vir a sua mente.
 
Dr.I – Com a movimentação de garanhões graduados no Brasil, o que você pode nos dizer sobre o futuro da nossa criação? Conseguiremos aumentar o nosso nível da Criação Brasileira?
R.G. – Cada vez que um Elusive Quality, um Refuse to Bend, um Shirocco, um manduro, um Northern Afleet, um Royal Academy e um Spend a Buck penetram em nosso centro criatório, existirá uma grande chance de melhoria de nosso rebanho a curto, médio e com sorte longo, prazos. Hoje, por exemplo, vejo com grande ansiedade o sucesso futuro de um Top Hat, o atual de Hard Buck, mas nunca esqueço do disperdicio que foi levado a efeito com os filhos de Locris, Tumble Lark, Ghadeer, Waldmeister e outros.
Muitos reprodutores passam a desapercebido pois, não temos muitas fontes estatísticas. Wild Event para mim é um grande garanhão. Mas seria ele tão superior a Signal Tap que com ele compartilha as éguas de nosso mais importante estabelecimento de cria, o haras Santa maria de Araras? Olhem o número e as chances dadas a Signal Tap e o resultado que ele têm demonstrado. Esta semana mesmo, teremos um GP. Brasil com 12 ou 13 participantes, e as duas maiores forças da carreira são seus filhos. Não seria isto um sinal que muiotos investidores deste mercado estão comendo mosca. Ele não é descendente de um chefe de raça. Ele é um FILHO de um chefe de raça. Isto não poderia ser considerado um diferencial?
Volto a dizer aquilo que venho dizendo a tempos. Houve uma melhora substancial em nosso rebanho feminino. Não só eu como vários outros importaram éguas importantes para o nosso convívio. E outro fator substancial de melhoria em nosso rebanho equino. Com menos um agravante em relação aos machos: as que melhores tivemos em pista, poucas foram vendidas para fora. 
Em minha teoria a égua é a peça de maior peso no enigma que se chama criação do cavalo de corrida. Isto, é uma opinião pessoal, e como em tal não pode ser levada a ferro e a fogo. Mas eu a levo, e isto é problema meu. Até hoje nunca me arrependi do fato. Sou um defensor das linhas maternas. Estudo-as com afinco e não é de hoje. Atualmente posso dizer que existe um grupo de 18 éguas,  capaz de dominar no hemisfério norte, mais de 45% dos ganhadores de grupo. Como existem mais de 300 ramificações ainda em atividade no cenário mundial, trabalhar com estas 18, é um handicap que criador algum deverá abrir mão. A não ser que goste de roleta russa, ou seu esporte preferido seja fazer jogging na favela da Rocinha de madrugada.