Caro Renato,
não acha que Royal Delta sentiu algo no começo da reta ?????
Eu vi que ela quase parou???, chegar em 10???.
Acrescentando aos vencedores da manhã , a familia Maktoum , 03 páreos e a Coolmore 02 páreos.
Parabéns pela cobertura .
Abçs;
Cláudio Pragana
Claudio,
A gente nunca sabe o que passa na cabeça dos outros, mas neste caso eu consideraria que os responsáveis pelo Besilu, tiveram a lucidez nata do investidor bem sucedido em pagar por Royal Delta a exorbitância que pagaram em Keeneland e a mantiveram em treinamento. O que para muitos parecia um tiro no pé. Ai, talvez por falta de amadurecimento, optaram em correr pela segunda vez a Breeders Cup Distaff - sei que o nome mudou, mas eu não consigo visualizar de outra forma, como chamar o Veloso de Garota de Ipanema. E ganharam. Por quê, então assim o afirmo, afinal eles ganharam. A princípio uma decisão sábia. Mas para mim, não a mais sábia, pois, ganhariam a Classic e inevitavelmente ela seria escolhida o cavalo do ano.
Ai eles voltam para correr a Dubai Cup, no sintético, quando no ano anterior haviam chegado, se não me engano em nono. O sintético não é a sua pista, penso eu, mas como ela, naquela oportunidade correu fora de suas características, e depois amadureceu como corredora e fisicamente estava mais potente, achei que ela até podia ganhar, pois, a competitividade não era muita. Para não se dizer nenhuma, a não ser por uma cavalo, que tinha um projeto e uma metodologia de cumpri-lo. Mas quis o destino, que voltasse a acontecer, o acontecido no ano anterior.
Agora que a jaca foi pisada, é fácil se salientar as reincidências. Outrossim, considero a decisão, possivelmente de Bill Mott, de uma incompreensão apoteótica, para não rotulá-la como homicida. Não foi o final que Royal Delta mereceria, como grande corredora que é notadamente, pelo que provou anteriormente.
Eu conheço bem o festival de Dubai Cup. Com cavalos que selecionei e clientes que assessorei, consegui um segundo na Dubai Sheema, no Oaks e na Cup e uma vitória na Cup. Para tal projetos foram idealizados e seguidos. Por mais de três vezes chegamos a ter cavalos na Dubai Cup e corremos um total de 8 provas no Festival. Logo não é um bicho de sete cabeças, mas requer atenção e metodologia, tanto assim, que neste ano, nenhum cavalo brasileiro sequer foi aceito nas provas do festival. E gente que lá já compareceu constantemente, nem convidado foi este ano. Todavia, o maior exemplo de profissionalismo que tive o privilégio de observar, foi dado este ano por Graham Motion. E vocês vão entender por que.
Quando ele correu a última versão da Breeders Cup mile, com Animal Kingdom - um ganhador do Kentucky Derby na distância de 2000 metros e em pista de dirt - foi chamado de louco. Acabou em segundo, para aquele que seria considerado o Horse of the Year. Ai ele foi considerado excessivamente afoito ao correr, sua primeira prova desta temporada, Animal Kingdom nos 1,800 metros do Gulfstream Park Turf Handicap (Gr.1) contra o mais importante corredor norte-americano de grama - acima da milha - Point of Entry. E foi novamente segundo. E tudo isto já tendo em mente - anunciado oficialmente pelo responsável maior do Team Valor ainda no meio do ano passado quando o cavalo ainda se restabelecia de seu segundo grande contratempo físico - que o intento era a Dubai Cup. Límpido e claro. E no final foi ele que ganhou a Dubai Cup. Não foi Point of Entry e muito menos Wise Dan. O cheque vai para o Team Valor. Logo, quem provou ser o mais esperto de todos? Bill Mott ou Graham Motion? Quem chegou lá, com um projeto? Eu diria que toda a equipe de Animal Kingdom.
Sei que quando analiso fatos como estes, piso em calos e consequentemente, aumento a minha lista de desafetos, que hoje já pode ser confundida com uma lista telefônica. Mas eu seria um monstro de perfídia e ressentimento, se não tirasse publicamente o chapéu para atitudes racionais como estas.
Diria que, escorregar na maionese não é difícil. Detectar o escorregão do outro e torná-lo público e mais fácil ainda. Agora, reconhecer uma vitória arquitetada e produzida, eu observaria que é politicamente incorreto e mais ainda, impossível de se ver e de achar alguém que a comente publicamente. Se alguém tiver um último vômito de um ressentimento ainda não cicatrizado, que tenha. Depois dos 60, a gente não pode se preocupar mais com melindres e frescuras.
Cláudio, não sei se Royal Delta sentiu ou não. Mas que tudo indica que ela estava onde não deveria estar, disto eu não tenho a menor dúvida.
Abraços
Renato Gameiro
