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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

PEQUENO PAPO DE BOTEQUIM: A SEXTA MARCHA

Vocês sabem o que diferencia um carro de alta performance de um de boa performance? A sexta marcha.

Pois é, em cavalos de corrida existe também esta proclamada sexta marcha. E o que se viu na Gávea este domingo, em cancha seriamente pesada e na distância de 2,400m, foi uma corredora chamada Estrela Monarchos, se utilizar da mesma e ganhar, se dando ao luxo de ser contida e afagada por seu jóquei, nos 50 metros finais.

Por que ressalto este fato, por que em condições de pista normal e na milha, eu já tive esta experiência com Da Hoss. Sua volta, quando de sua segunda vitória na Breeders Cup Mile, depois de ter corrido apenas uma vez, no espaço de dois anos, foi a verdadeira ressurreição de Lazarus, na opinião do locutor da carreira. Da Hoss, foi ultrapassado, reagiu e ganhou. Provou ter a sua sexta marcha. Louvável. Mas quando a coisa versa para a milha e meia, normalmente complica, pois esta é a distância que categoriza os que são gatos selvagens e aqueles que são os verdadeiros tigres. E quando a pista se encontra impraticável…


DEPOIS DE MUITA DEPURAÇÃO, 
AQUELES QUE PRATICAMENTE
RE INVENTARAM
AS CORRIDAS DE CAVALOS
CHEGOU-SE A CONCLUSÃO
QUE A MILHA E MEIA
ERA A DISTÂNCIA CLÁSSICA.
ISTO É AQUELA QUE DEFINIRIA
O VERDADEIRO POTENCIAL
DE UM CAVALO DE CORRIDA

Much Better, era outro, entre os que selecionei, que tinha esta sexta marcha e a usava na milha e meia. Quando o Ricardinho apertava o botão, a corrida iniciava para ele dali. Não importava em que ponto do percurso ele estivesse. Ele era o exemplo do atleta perfeito. Condicionado, evidentemente, por um grande treinador.

Ontem Estrela Monarchos provou igualmente ter a sua sexta marcha, só que em terreno anormal, o que não me parece muito normal. Não havia entre a equipe que a dirige o menor resquício de dúvida que suas chances de ganhar eram enormes, pelo que ela vinha apresentando nas manhãs. Mas a milha e meia é uma distância que exige o esforço supremo, logo nunca se sabe o que pode acontecer, em uma primeira vez, até se cruzar o disco. Ademais, que a presença de Abidjan, requereria, pelo menos atenção. 

Tomo a liberdade de abrir um parenteses. Abidjam, é produto do cruzamento de um milheiro com uma stayer do mais alto calibre. Tanto ela, quanto sua mãe, foram criadas em um Haras que considero um dos melhores deste pais, o Santa Rita da Serra. Já era vencedora de graduação máxima na distância e em terreno similar. Vinha tinindo. E diria que ela apenas perdeu a segunda colocação, por ter seguido Estrela Monarchos, quando esta assumiu a ponta no final da reta oposta, ultrapassando uma conterrânea sua, igualmente por mim selecionada quando ainda desmamada em Keeneland, e que estava servindo de pacemaker, para uma sua companheira. Foi exatamente ali, que o Daltro selou sua perda da segunda colocação. Mas também se espera…Fecho o parênteses.

Abidjan partiu para cima, nitidamente queria ganhar a carreira.  Fez a curva colada na tordilha, só que não tão a vontade. E creio que chegou a livrar cabeça no inicio da reta, mas ai, foi a sexta marcha de Estrela Monarchos, que quando utilizada pelo V. Gil, para mim se transformou no fator que definiu a carreira.

Pois é meus amigos, esta sexta marcha não é visível aos olhos humanos,  - embora exista gente capaz de até ver a alma dos cavalos - quando o elemento em questão é ainda um yearling, ou weanling. Mas ela pode estar estampada em seu pedigree, pois, é a genética que a determina. O bom treinamento apenas a explora.

Eu não diria que Estrela Monarchos tem um pedigree para a milha e meia, já que seu pai, dono, a meu ver, da mais instigante atropelada já dada por um cavalo de corrida no Kentucky Derby, era um cavalo de meia distância. Isto é de 1,800m a 2000m. Seu avô materno, Fusaichi Pegasus, um outro ganhador do Kentucky derby, era igualmente um cavalo de meia distância, assim como o pai de sua segunda mãe Northern Dancer, que perdeu justamente a chance de ser tríplice coroado, na milha e meia do Belmont Stakes. Mas Northern Dancer tinha uma sexta marcha, que eu explicarei a seguir. Outrossim, há de se notar, que a sua segunda mãe, Golden Oriole, trata-se de uma irmã inteira de El Gran Senor, que perdeu um Derby britânico sem nome, mas logo a seguir garantiu para si, a versão irlandesa. Logo, a grande força staminica, poderá ser vista como vinda de sua linha materna.

Agora eu explico. Uma coisa que diferencia Northern Dancer dos demais, era a sua capacidade de aceleração. Ele era pequeno, mas tinha muita velocidade e vontade de vencer. Em sua carreira ganhou 14 de seus 18 compromissos, e creio que o fato dele ser o recordista em Gulfstream dos 1,400m (1'22"20) e em Churchill Downs, quando de sua vitória no Kentucky derby, na extraordinária marca de 2' cravados, atestam por si só, que ele era dotado igualmente de uma sexta marcha, que podia ser utilizada para distintas distâncias. Pois bem, tanto Monarchos quanto Fusaichi Pegasus tinham acelerações progressivas. Não me pareciam dotados de uma sexta marcha. Agora montar uma estrutura genética, forjada em três ganhadores do Kentucky derby, não deveria passar tão a desapercebido, como passou em Keeneland, aos grandes investidores. Vocês não acham?

Genética sempre foi e sempre será a chave de qualquer equação. Quem não acreditar tem que rezar para que o pato esteja exatamente sobre sua cabeça quando você atirar com sua arma de olhos vendados. Estrela Monarchos foi preparada com esmero, por um treinador que excede em capacidade de trabalho. E este trabalho não é de hoje. Ele teve inicio desde o momento que foi descoberto, Estrela Monarchos se tratar de algo especial. A tordilha era nervosa, insegura e a principio não sabia dosar sua imensa velocidade. E ainda tinha contra si o fato que teria que enfrentar as mais velhas, sem diferença de peso. O que é uma piada monumental! A ela foi ensinada paciência e controle. O resto ela já sabia decor e salteado, pois, tudo estava gravado em sua equação genética.

Parabens, a todos que a cercam, pois, tão difícil do que se encontrar a pedra preciosa, e conseguir coloca-la, um dia polida, na vitrine da Tyffanys. 

No mais, eu acho que chegou a hora dela testar os machos. E garanto que ela vai dar trabalho.