PUBLIQUEI ISTO EM 2014
E CONSIDERO AINDA VALIDO
Outro dado que considero importante. Os inglêses e seus afiliados, têm a rara capacidade de inventar todo e qualquer tipo de esporte. Só que outros países assimilam as regras e a disputa, e com o tempo, os inventores, passam a ser meros coadjuvantes. Foi assim com o futebol, com o cricket e até com o moderno tennis.
Mas, justiça seja feita, eles sempre tiveram como norma, cortar o mal pela raiz. Quando Napoleão fugiu de Elba sete dias antes de pisar em Paris, o Congresso de Vienna, dominado pelos britânicos, sentiram imediatamente o perigo, e já declaravam o ex-imperador como um fora da lei. E cinco dias depois dele ter chegado a capital francesa, Austria, Prussia, Russia e o Reino Unido, juntaram 150,000 homens. E Waterloo selou definitivamente o destino de Napoleão. Foi exilado, mais longe ainda, na ilha de Santa Helena, onde veio a morrer.
Nas corridas de cavalos, a situação não foi diferente. Quando os cavalos norte-americanos começaram a colocar suas ferraduras de fora, os grandes esportistas súditos de sua majestade, instituíram o Jersey Act. E assim, diminuíram o ciclo de cavalos norte-americanos e fingiram ainda ter a hegemonia da criação de cavalos de corrida. Sempre foi assim a formula inglesa de permanecer na dominância da situação. Mas houve gente que desafiou esta dominância. Criadores como Tesio e mais ainda Boussac.
Com a morte em 1916 do criador norte-americano Herman Dureya, Marcel Boussac, em 1919, insistiu em comprar, de forma privada, os 10 produtos que considerava melhores, da viúva de Dureya. Deixou passar um ano e de 1921 a 1925 repetiu a pratica. E este foi exatamente este, o período de formação de sua criação, muito baseada, em vários elementos barrados pelo execrável Jersey Act.
O tempo fez de Boussac, o verdadeiro vingador de Waterloo. Atravessava o canal e ganhava o que queria, quando queria e da forma que melhor lhe agradasse. Escrevi sobre isto, dias atrás, mais precisamente no dia 19, em um nota intitulada O Dia que vi Marcel Boussac. Porém me esqueci de comentar o assalto que Boussac fez, anos antes, em 1946, no diferenciado meeting de Royal Ascot. Depois de ganhar a Coronation Cup em Epson com Ardam e dois dias depois o White Rose Stakes de Hurst Park, com Marsyas, Boussac trouxe para Royal Ascot uma tropa de choque e lá venceu com Caracalla a Ascot Gold Cup, com o já citado Marsyas o Queen Alexandra Stakes e com Priam II, o Hardwicke Stakes. Foi segundo com Coaraze no Rous Memorial Stakes, dando este 12 libras para Hobo, o vencedor da prova e não satisfeito, meses depois, Djerba iria ganhar o Cheveley Park Stakes. Quando aquela blusa laranja pisava prados britânicos, era barba, cabelo e bigode.
Fica licito se assumir, que os cavalos franceses, não eram bem vistos na Inglaterra, neste período e Marcel Bousac, menos ainda. Boussac era acusado de aplicar dopping, como se os proprietários ingleses fossem santos. E os "anglófilos"(*), vibraram quando anos depois, a falência fez com que Boussac fosse desaparecendo do mercado. Sem grana, a máquina ruiu e se extinguiu. Não foram os imbreeds fechados, muito menos os mais afastados, a razão de seu término. O que fechou o élèvage Boussac, foi a decadência e posterior falência de seus negócios têxteis.
Ontem publiquei uma tabela com os 48 melhores produzidos pelo élèvage Boussac e há de se notar que ele teve imenso sucesso e para tal aplicava suas teorias, aquelas teorias que pessoas que leem mais de 5,000 pedigrees, não conseguem enxergar. Haviam duplicações masculinas em mais de 90% de seus pupilos, e dificilmente era apenas uma. Existiam também, duplicações em grandes éguas, que alguns, que por algum motivo que seja, não gostam de Leon Rasmussem - e o ingleses e "anglófilos" formam a grande maioria - tentam diminuir a importância. Piada...
Tentar denegrir toda a importância e o trabalho exercido por Marcel Boussac, é uma forma de justificar, por que os maiores criadores inglêses de hoje, falam árabe, e os um dia menosprezados irlandeses, simplesmente não lhe dão, a menor bola. Simplesmente os atropelam.
O mesmo digo em relação as teorias de quem quer que seja. Todas tem um mínimo de valor, pois, não nasceram por obra e acaso do Espirito Santo. No turfe, 10% de aproveitamento clássico, já tem que ser considerado excelência.
PARTINDO-SE DO PRINCIPIO
QUE EXISTEM MENOS PROVAS DE GRUPO
DO QUE PROVAS NORMAIS
NÃO EXISTE TEORIA QUE POSSA
FAZER ESTE PERCENTUAL SER MAIOR.
PORÉM, AS TEORIAS,
QUANDO BEM UTILIZADAS,
PODEM AUMENTAR SUAS CHANCES DE ACERTO.
O que o proprietário tem que ter em mente ao contratar um profissional é saber de quantos King Georges, Arcos, Breeders Cups e Dubai Cups, ele teve participação profissional efetiva. Quantos Brasil, São Paulo, Pellegrinis e Latinos, os pupilos por ele selecionados ganharam. E se a resposta vier em forma gaga, simplesmente inaudível, ou acompanhada de uma súbita mudança de assunto, o melhor é você correr o quanto antes. Aconselho a estes a arriscar a fazer seu projeto sozinho, pois, terá menos despesas e certamente mais chances de sucesso. De gente que lê 5,000 pedigrees, fala, fala e não apresenta resultados, depois de décadas, o mundo está cheio e o inferno, devidamente abastecido.
Não tenho dúvidas que o form, britânico é, foi, e possivelmente sempre será, o mais difícil de todos. Royal Ascot, York, Goodwood e Newmarket, destacam-se no mundo, como parâmetros de medição de classe. Outrossim, em termos de criação, diria que hoje estão abaixo dos irlandeses e norte-americanos, e um pouco acima dos franceses, sendo quase alcançados pela cada dia mais contundente criação alemã. Sempre lembrando que Japão e Austrália estão igualmente cada dia melhores. E como diria o próprio Boussac "... é importante não se esquecer que quando alguém alcança o topo de uma atividade, cair para o segundo lugar, é um sintoma de decadência"... E quando a luta é pelo terceiro ou quarto lugares...
E o Albatroz voa.
(*) anglófilo é aquele cara que já nasce com terno, gravata e colete, não teve infância, usa touca para tomar banho e que se acha britânico, mesmo tendo nascido em outro pais.
