Bom dia, meus amigos do turfe e caros criadores do PSI brasileiro. Antes de mais nada, já começo pedindo desculpas aos leitores. Na edição da série Parâmetros do PSI Brasileiro inverti a ordem entre a segunda e a terceira parte por engano. Ou seja, hoje vocês lerão a segunda parte na ordem lógica que escrevi, enquanto o artigo da semana passada é o terceiro... Asseguro que a compreensão na mensagem não ficará prejudicada pelo ocorrido. Espero que os leitores que têm gostado dos artigos continuem engajados na leitura e aguardando as demais colunas.
Bom, vamos para mais uma rodada dos parâmetros dos animais corridos no Brasil entre as temporadas de 2022 e 2024. Relembrando alguns detalhes importantes da primeira parte, a população avaliada foi de 3.963 indivíduos que correram, advindos de 2.360 matrizes e 225 reprodutores. A nossa linha de base comparativa é 9% de ganhadores clássicos (Grupo + LR) e 6% de ganhadores de provas internacionalmente catalogadas como de grupo. Antes de adentrar em mais dados e informações, gostaria de deixar uma mensagem para o criador brasileiro. Você é chamado de CRIADOR porque você não pode copiar, você é um pavimentador do futuro, você “joga xadrez com a natureza” (palavras de S.A. Aga Khan), você “tem de ser um profeta” (palavras de Zenya Yoshida) e acima de tudo, um criador de sucesso nunca será um copiador de modismos. Você, criador, é um bandeirante dos nossos pastos, desbravador dos caminhos que nos levam até o futuro. Essa é a arte de criar.
Hoje vou me concentrar na carga genética de nossos produtos. Primeiramente, vamos ao quadro que traz esta tal carga genética (Coeficiente de Inbreeding) até a décima geração da população estudada e as médias anuais de uma amostragem mundial:
Como podemos verificar, não há qualquer diferença significativa entre a carga genética no Brasil e no resto do mundo. Fiz diversas simulações separando por jurisdições diferentes e os números se repetem. Logo, o PSI brasileiro está sim alinhado com o que é produzido fora das nossas fronteiras. As diferenças que surgem nos extremos são os casos raros que não tem representatividade. Para darmos uma cor aos números, seguem aqui o animal de valor máximo, chamado LORD DA SERRA (2020), filho de English Major na Have No Shame. O animal com menor carga genética foi o alemão AGGENSTEIN (2019), filho de Amaron em Altstadt. Quem tiver curiosidade por favor estude os pedigrees acima. Com relação à importante divisão entre duplicações cruzadas até a quinta geração (Inbreeding) e o chamado Outcross (Linebreeding), como queiram, nosso país apresenta 77% da população estudada com duplicações (Inbreeding) e 23% na categoria de Outcross. Como foram os resultados destes grupos? Os animais com duplicações cruzadas foram ligeiramente superiores aos demais, sem qualquer significância estatística. Podemos dizer que, dada uma mesma chance, ambos os grupos desempenham de forma equivalente. Dois terços das duplicações são feitas nos dois maiores chefes de raça do final do século passado. Ninguém ficará surpreso ao saber que NORTHERN DANCER (37%) e MR. PROSPECTOR (29%) são os mais duplicados. Aqui podemos afirmar que o “dublê mágico” Northern Dancer + Mr. Prospector (alô Renato Gameiro, esse filho é teu) foi a duplicação mais eficiente. A superioridade não é gigante, mas usá-los em seus cruzamentos ocasionou uma melhora de desempenho clássico da ordem de 25%. Duplicações em DANZIG, STORM CAT e GHADEER apresentaram menos que 5% de vencedores de provas de grupo, resultado abaixo da média. Quem quiser continuar tentando esse caminho, terá de ser cirúrgico e contar com um tanto de sorte.
Concluindo aqui com alguns exemplos ilustrativos. Você pode chegar ao sucesso com pequena carga genética, como no caso de Navio Fantasma e Ever Daddy (ARG), ou do outro lado do espectro temos uma Bluestocking (GB) e um Los Angeles (IRE) com altas cargas e muitas duplicações. No Brasil não há diferença alguma em desempenho clássico entre as duas famosas teorias. O estudo de Todd de 2018 aponta, com muito mais dados e variáveis testadas, que o aumento de carga genética está sim gerando uma depressão de desempenho na população. Aqui a mensagem é simples, quando for montar seu cruzamento saiba qual é sua intenção e saiba os riscos que está correndo. Tenha fé nas suas escolhas e cuide bem dos seus produtos. Às vezes, práticas simples funcionam melhor que teorias. Ou, como diz esta frase da qual não sei o autor: "Seu instinto é uma forma de discernimento. É uma maneira do Espírito Santo comunicar a você que algo está errado ou certo. Não ignore isso."
Abs, Baronius