Bom dia. Falando diretamente de Copacabana, não pude acompanhar a jornada do fim de semana do turfe, logo deixarei os comentários das carreiras de lado. Aqui vou dar uma revisada em alguns números dos parâmetros da criação brasileira que compartilhei com os leitores no segundo semestre do ano passado. Introduzindo mais opinião e menos estatísticas na pauta de hoje.
Começando do princípio, como toda jornada deve iniciar. Gostaria de dizer que acompanho de perto o excelente trabalho que nossos haras fazem no campo, superando diversos obstáculos para entregar um produto de qualidade e que tem aceitação internacional. Com a grande depuração feita nos últimos 30 anos na área da criação, só sobreviveram os apaixonados e estabelecimentos de excelência. Sem essas duas características, nós estaríamos mais próximos da extinção do PSI no Brasil.
Qual foi a principal mudança ocorrida na base de nossas matrizes no período de meio século? O turfe brasileiro teve sua formação muito voltada para a Europa e o espelhamento com o velho continente de muitas das nossas provas de seleção, fez com que a formação inicial do nosso plantel de matrizes e reprodutores fosse essencialmente clássico e europeu. E hoje nossa base majoritária de garanhões é americana, as nossas linhas maternas mais recentes também sofrem muita influência da terra do Tio Sam. A mudança foi drástica. Chama atenção a grande influência de Mr. Prospector na parte alta das linhas maternas. A origem recente de nossas matrizes é brasileiríssima. Mais de 4/5 das mamães levam o BRZ ao lado de seus nomes. A inviabilidade das importações por questões econômicas e o desequilíbrio entre custos e receitas da atividade travaram o movimento de renovação do nosso rebanho.
Para iluminar o caminho dos nossos bravos e lutadores centros criatórios, podemos estabelecer que em cada 10 animais registrados, 7 correm. Com todas as dificuldades brasucas, o resultado fica em linha com os principais centros do mundo. Entre os corridos, os números são os seguintes. 6 em 10 animais corridos, são vencedores. Os demais fazem apenas figuração. Nossa média geral é de 9 ganhadores clássicos em cada 100 corridos e 2 em 100 chegam a vencer provas de Grupo 1. Realmente aqui é o pico do Everest, só existe ar rarefeito. Em termos comparativos, nosso rebanho supera em muito, os números percentuais de vitórias clássicas dos americanos. Simplesmente o turfe aqui é bem menos competitivo e temos o país com mais provas de grupo por provas corridas do planeta. Logo, sobram provas e faltam animais para preenchê-las. Com isso a métrica aqui é diferente. Aproveitando uma recente entrevista da Live com o presidente Raul Lima (JCB), falo novamente, não tenham medo de perder provas de grupo. Aqui no Brasil a adaptação é necessária e será cobrada pelos órgãos reguladores internacionais. Sofreremos no curto prazo, mas sairemos mais fortes no futuro. Em breve não teremos onde esconder o excesso de provas graduadas por aqui. Enfim, era isso que podia acrescentar para vocês no dia de hoje, sem encher muito a cabeça de vocês com meus números, estatísticas e regressões lineares. Vamos ver o que a Live de logo mais nos apresenta e que a semana seja muito proveitosa para todos.
Última observação de hoje é que a expectativa da disputa da Dubai World Cup continua, apesar da escalada do conflito entre EUA e Irã. Até a próxima.
Abs, Baronius.