Nesta última viagem que empreendi ao Brasil, fui perguntado em um almoço no haras do Eraldo Palmerini, em São José dos Pinhais, o que me fizera acreditar que levando um elemento inédito do Brasil para os Estados Unidos, poderia transformá-lo lá, em um elemento clássico ? E o que deveria ter neste individuo, que o diferencia-se-o tanto, dos demais ?
E antes de responder a pergunta propriamente feita, fiz questão de alertar meu interlocutor que não se tratava de um elemento inédito e sim o elemento inédito. Pois, não era o verdadeiro caminho do projeto eleger um elemento e sim quando acha-se o elemento com as características necessárias para suprir as necessidades do projeto, ai sim poderíamos ter as chances mínimas de sucesso. Desta forma fica implícito a diferença entre indivíduos, no tocante a tudo.
Einstein pintou em cena e não serei cabotino a ponto de afirmar que vi nele um potencial ganhador do Santa Anita Handicap. O que vi, fiou atleta, com alto pedigree, inclusive com chances de sair-se bem no dirt norte-americano em distâncias da milha aos 2,000 metros. E no meu conceito de que iniciado no regime de treinamento norte-americano, suas chances tornariam-se maiores. O que em momento algum, soou para mim como uma utopia. O tempo apenas provou que eu não estava errado e que a validade do projeto, seria autenticada no momento da seleção do elemento.
Seres humanos e equinos, são levados pelos hábitos. Um brasileiro posta na vidraça de seu apartamento um faixa simples com o dizer Ladrão e imediatamente a Policia Federal, pede que ele retire a faixa, pois, no subconsciente nacional, aquela alcunha estava intimamente ligada ao atual presidente da republica, condenado em três instâncias e por unanimidade, por roubo além de outras "cositas mas"...
Hábito ?
O cidadão norte-americano não estava acostumado a tomar café. Muito menos fazê-lo socialmente em uma loja destinada a tal. Contudo, o Starbucks, depois de uma viagem de um de seus gerentes a Milão, sentiu que poderia implantar o hábito de Seattle a Miami, e transformou o hábito em uma febre cosmopolita.
Porque então o receio de sair mundo afora com o cavalo brasileiro ? Porque não aumentar as chances de sucesso, fazendo-o iniciar todos o processo de treinamento nos moldes norte-americanos ? A lógica diz que sim.
Nelson Rodrigues foi o primeiro colocar em seus comentários utópicos a tendencia de nos sentir-mos atacados pelos complexo de cães de sarjeta. Ele foi o primeiro a profetizar da importância que teríamos no contexto do futuro futebol mundial. Estava ele errado ?
Não temos ciência de como criamos bem e da qualidade de nossos profissionais, sejam eles veterinários de haras ou de prado, jockeys ou treinadores. Parte de nosso completo de inferioridade. Selecionar bem é mais que necessário. Implementar o projeto é a situação mais simples de toda a questão. E com estas duas vertentes equacionadas, tudo passa a ser uma fixação do hábito.
R hábito se cria...
