Turfe Europeu x Turfe Americano sob meu olhar.
E lá vou eu, a faixa de novo, já que meu marido está hoje prestigiando o Grande Prêmio Brasil, na Cidade Maravilhosa. E eu vou escrever sobre Europa x EUA. Tive o privilégio de ver corridas ao vivo nos dois locais e enfatizo que não sou turfista. Ou seja, quando vejo uma corrida não tenho na mente toda a carga de informações que vocês, turfistas, tem. No máximo vejo as condições do cavalo no cânter, as pules e as condições da pista. E de vez em quando sei quem é o pai dos atletas equinos. E começando pela conclusão, eu acho as corridas americanas...chatas. Sorry, Edson Alexandre!
Alguém falou que "speed is king" e parece que os americanos abraçaram o conceito. O ritmo intenso desde o início torna a posição de saída dos cavalos um fator decisivo. E aí, eu assisto a estas corridas com aquela sensação de que vai ter “virada”, de que algo diferente vai acontecer. É como assistir a um filme na expectativa de que algo inesperado vai acontecer, mas o filme acaba sem que isso ocorra. Para mim, nas corridas americanas, na maioria das vezes, o filme acaba e não aconteceu nada de novo. Lógico que existem exceções, embates excepcionais, como Affirmed vs Alydar, Ferdinand vs Alysheba, Gentleman vs Siphon (ops, esses não eram americanos...), Sunday Silence vs Easy Goer, Beholder vs Songbird, mais recentemente o KY Derby com o embate entre Mystik Dan, Sierra Leone e Forever Young, e a Breeders´Cup de Forever Young (ops, esse também não é americano...). Aliás, um adendo: sempre que vemos o replay da vitória de Ferdinand, o meu marido torce para o Alysheba passar, só que isso nunca acontece...rs Mas enfim, claro que há páreos disputados, mas no geral, são chatinhas. (Não consigo pensar em outro adjetivo, me desculpem).
Por outro lado, temos a Europa. Sim, existe o fator História. Não tem como não se emocionar com os cenários. O famoso moinho de Longchamp, que enfeita o hipódromo parisiense foi construído em 1312, Epsom foi fundado em 1661, Chantilly tem seu castelo desde 1386 e por aí vai. E provavelmente influenciada por essa carga histórica do Velho Continente, eu vejo beleza poética nos páreos europeus. Os páreos exigem resistência, capacidade de recuperação e aceleração após percursos extensos. Fora que o desenho dos circuitos, que preservaram a geografia do terreno, com subidas e descidas, exige que o jóquei seja estratégico. Diferente do circuito oval das “Formulas Truck” americanas. Nas corridas europeias, o ritmo inicial costuma ser moderado. Os competidores permanecem agrupados durante boa parte do percurso, preservando energia para uma forte aceleração na reta final. Muitas vezes, a definição da prova ocorre apenas nos últimos 400 ou 600 metros. Já nas pistas americanas, a disputa pela liderança começa imediatamente após a largada.
Ambos compartilham a mesma paixão pela excelência atlética, mas desenvolveram filosofias bastante distintas ao longo de sua história. Em linhas gerais, para mim o turfe europeu busca identificar o melhor corredor, enquanto o americano privilegia a descoberta do cavalo mais explosivo. E claro, essa diferença influencia a criação, o treinamento, a condução das corridas e arriscando aqui, até mesmo a seleção genética dos animais.
Vejam, respeito o turfe americano. Eles sabem fazer shows como nenhum outro país. Serviço bem feito é com eles mesmo. Na prática acho que nenhuma das escolas é superior à outra. Elas representam interpretações diferentes de um mesmo esporte e contribuíram para enriquecer a história mundial do turfe, junto com os outros nichos (australianos, asiáticos, sul americanos etc).
Enfim, por hoje é só. Abraços.
Helena, a esposa.