O Natal chegou mais cedo em Epsom.
Um bom dia com aquela volta para o batente na segunda-feira de Corpus Christi, feriadão que bombou em diversos lugares do Brasil e um Derby corrido em pista totalmente encharcada com um vencedor da turma que ganha sempre. Vou tratar hoje um pouco da carreira em si, com suas nuances e detalhes. Tivemos inclusive um favorito que largou com 3 patas. E claro, vamos falar do mago de Ballydoyle, com seus 30 anos de supremacia no treinamento dos animais da turma da Coolmore. E para fechar, passarei um pouco pelo pedigree do ganhador, simplesmente CHRISTMAS DAY (Camelot).
Com uma pista mais afeita à natação e ao polo aquático do que para corridas de cavalos, alinharam para a largada do Derby em Epsom 14 animais, sendo Benvenuto Cellini o favorito do público apostador e da cocheira de Aidan O’Brien. E um dos lances mais inusitados que vi em carreira tirou completamente as chances do favorito. O filho de Frankel, montado por Ryan Moore, simplesmente levantou seu pé esquerdo e o enganchou em uma espécie de trilho de segurança que existe no partidor inglês. Largou com 3 patas e sem apoio algum. Após uma corrida apagada, os comissários da prova após estudarem as evidências, declararam Benvenuto Cellini um “não corredor”, ou seja, pelas regras inglesas os apostadores que confiaram nele ficaram salvos, recebendo suas apostas de volta e as poules dos demais corredores foram ajustadas de forma equivalente. Justo e confiável, este é um sistema que preserva e cultiva os apostadores.
Além deste detalhe, o vencedor CHRISTMAS DAY largou sendo enviado para a cabeceira da prova pelo confiante Ronan Whelan e ao chegar ao final da famosa Tattenham Corner (ponto mais baixo na entrada da reta), ele tomou a frente para não mais largá-la. A reta foi uma morosa procissão de PSI. Pouquíssima disputa em uma geração que não empolga, com o tempo mais lento desde 1983, quando Teenoso venceu. Foi a 50ª vitória de Aidan O’Brien em um clássico inglês e o 12º Derby, sendo o quarto consecutivo. O mago de Ballydoyle não estava para brincadeira. Lembrando que o filho de Camelot na britância Beauly (Sea the Stars) pagou eventual de 7/1, e que após a retirada do favorito das apostas o tornou o tertius da prova, um jargão que aponta a terceira força entre os apostadores. Para O’Brien, apenas o meu mais devido parabéns e total respeito a um homem que dedica sua vida ao cavalo de corridas e é brindado com todo o sucesso de quem comanda uma operação gigante de treinamento na Irlanda.
O cruzamento entre o excelente Camelot e o soberbo Sea the Stars, por incrível que pareça, tem um número de ganhadores clássicos baixo. Gerando na verdade apenas o campeão de sábado como ganhador clássico, sendo que o cruzamento já foi tentado em 24 vezes. A mamãe Beauly já havia produzido ao bom fundista, Missed the Cut (Quality Road), e agora colocou no mundo seu melhor produto. Curiosidade é que o segundo lugar, Maltese Cross, apresenta o mesmo cruzamento do vencedor, apenas invertendo os quadrantes de atuação de Camelot e Sea the Stars. Estatisticamente, Sea the Stars como pai e Camelot como avô materno foi uma combinação pouquíssimo tentada (3 vezes) e já produziu 2 ganhadores de provas de black-type. Na Europa, quando uma combinação falha de um jeito, eles mudam o eixo. Com a qualidade das matrizes ajudando a empurrar os resultados, quando não dá de um lado, vamos tentar de outro. Quem sabe algo acontece. Um tipo de inversão muito empírica e que no Derby que mais testou a resistência de seus competidores nos últimos tempos, a combinação foi mortal. Era isso que tínhamos por hoje. Aguardo vocês na Live de logo mais. Até breve.
Abs, Baronius.