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segunda-feira, 1 de junho de 2026

PAPO DE BOTEQUIM: O TIRO PODE VIR DE QUALQUER LUGAR

Lídimo ganhador da primeira prova da tríplice coroa japonesa, Lovcen, conquista o Derby, perante 17 adversários em mais um final eletrizante, pois eletrizantes parecem ser TODOS os metros derradeiros de provas de grupo no Japão. Imagino quão complicada é a vida de um locutor na terra do sol nascente, onde a metros do disco de chegada, geralmente a vitória pode sorrir a um número expressivo de contendores.

Primeiro ganhador de grupo de seu pai, o ganhador aos 5 anos do Tenno Sho  (G1) da primavera, World Premiere, este um Deep Impact na terceira colocada do Oaks alemão Mandela, esta por sua vez uma Acatenango.  Seria dai que se acentua a estamina de Lovcen ?

Imbreed no invicto Nearco e no ganhador do St. Leger germânico Masetto , Lovcen não tem aquilo que poderíamos conceituar de um pedigree comercialmente efusivo. Sua mãe Songwriter, uma norte-americana perdedora em três tentativas, é produto do efetivo cruzamento de Giant´s Causeway em uma Unbridled´s Song, numa linha de pouco requinte como a 3-g, mas que custou em um leilão de treinamento para dois anos na Flórida, o bom preço de US$800,000.

Haverá a oportunidade de vermos um novo tríplice coroado ? Diria que muita. Tríplice coroa esta até hoje só conquistada por oito elementos e formada por

  1. Satsuki Sho (2000m - Primavera - Nakayama): 1ª etapa
  2. Tokyo Yushun / Derby Japonês (2400m - Primavera - Tokyo)
  3. Kikuka Sho / St Leger Japonês (3000m - Outono - Kyoto) 
No atual século, apenas Deep Impact (2005), Orfevre (2011) e Contrail (2020) o conseguiram, o que torna o Kikuka Sho de Lovcen uma prova que terá a atenção de todo o mercado.

Mas algo não pode nem deve passar a desapercebido. Trata-se do terceiro ganhador de graduação máxima do hemisfério norte, que recentemente obtém vitoria no mais altíssimo padrão de disputa, originário de uma reprodutora incapaz de ganhar qualquer prova que seja em pista. Fato este que não pode ser levado como normal...


Outrossim para mim, era o Prix du Jockey Club (G1), o reconhecido Derby francês a ser mais curtido. 

Mesmo durante décadas sendo visto como uma carreira menos, disputada entre os que não tinham condições de concorrer com chances no Epsom Derby, que depois diminuída sua distância para 2,100 metros, imbuiu-se de uma nova importância no mercado. 

Em 2005 - ano onde sua primeira disputa com distância reduzida, foi levada a efeito - eu lá estava, pois em Chantilly morava e pude acompanhar o frenesi que se constituiu esta mudança. Todavia, creio que passadas suas décadas que ela veio a ser bem sucedida, objetivando desde o seu primeiro ganhador Shamardal, o aparecimento de uma gama especial de reprodutores, destacando o já citado Shamardal, bem como Le Havre, Lope de Vega, Almanzor, o promissor St. Marks Basilica e o muito bem cotado, o invicto Ace Impact, posterior ganhador do Arco.

Este ano, aconteceu algo igualmente digno de nota. Os três  primeiros colocados, que chegaram juntos, porém, destacados dos demais 15 participantes, são treinados pelo mesmo treinador, Aiden O´Brien. Constitution River, Hawk Mountain e Montreal. O ganhador, é filho como o do ano passado de Woottom Bassett, coincidentemente numa igualmente perdedora em pista em duas tentativas, produto do cruzamento ele dois heróis do Derby francês. Le Havre e Montjeu. Hawk Mountain, outro Woottom Bassett, com mãe Galileo, ganhadora de prova de graduação máxima, descendente da conceituadíssima linha 8-c, via ramo Irish Lass. Enquanto Montreal. que liderou a carreira até seus derradeiros metros, é um filho de Sea the Stars, com imbreeds em Northern Dancer, Mr. Prospector e Sir for e com uma peculiar duplicação feminina em Allegretta (mãe de Urban Sea), numa filha de Elusive Quest ganhadora de um única carreira em quatro tentativas, da prestimosa linha 9-h.


O que se tira realmente de construtivo, daí ?

1, Que as coisas geneticamente estão correndo melhor em um lado do canal da mancha.
2, Que mesmo no mais alto patamar de disputa, com exceção de uma, as matunguinhas estão se saindo melhor no breeding-shed que as chamadas ganhadoras de grupo. Classiqueiras, nem pensar!
3, Que no Derby japonês o extremo stayer provou que ainda pode vir a ser aproveitado para fins reprodutivos no mais alto patamar.
4. Que mesmo nos protetorados do turfe, o perdedor quando devidamente bem aproveitado, terá a sua chance.
4. E quinto, que o tiro pode vir de qualquer lugar.