O importante nas eleições, não é propriamente quem vota e sim quem conta os votos, já deixara bastante claro Joseph Stalin, décadas atrás.Da mesma forma que no futebol, o melhor time pode não vencer, dependendo das ações de árbitros, vide atual Copa com o acontecido com o Egito e Suíça. O chamado inusitado, também pode acontecer no turfe, mas eu diria que em menor escala aparente. Não creio que hajam complôs intencionalmente montados pelos elementos da comissão de carreiras, para prejudicar um individuo qualquer. E eu digo o porque.
Com as atuais bolsas e as recentes sindicalizações reprodutivas, passaram a ser mais interessante ganhar as carreiras, do que tentar fazer dinheiro fácil, em jogo. Pelo menos no hemisfério norte e na Austrália e África do Sul.
Pois bem, o problema é ganhar carreiras que realmente interessam, já que todos querem e poucos realmente podem. E infelizmente no turfe, querer nem sempre é poder.
O King George, - que se tornará ano que vem, a carreira inglesa de maior dotação - é um alvo que todos querem atingir. Até eu com Hard Buck... Mas garanto a vocês, por experiência própria, que é difícil para burro. Agora imaginem alguém que o fez em três oportunidades. Pois é, não é que Enable o fez.
Não deveria ela ser colocada num especial pedestal, já que três King Georges e dois Arcos, não é biscoito não ? Quem poderia igualar este recorde ? Suplanta-lo me parece difícil, pelo menos para o período que me resta. Feita a pergunta, e alinhavada a resposta, vamos ao que realmente interessa, nas descobertas obtidas ontem em Ascot.
Muitos tinham como certa, a vitória de Calandagan, antes mesmo da largada ser dada. Eu tinha as minhas duvidas. Seria o favorito atualmente tão superior a seus adversários, como o fora no ano anterior, que mesmo na milha e meia, - teoricamente a distância onde se não sente totalmente a vontade - levaria a melhor ? Ou a turma não era tão forte como parecia a principio, ser ? Paguei para ver.
A grande verdade, é que todos especializados na distância pareciam estar presentes. So no escuses. E para mim, como afirmei recentemente Kalpana estava chegando no ponto. Nunca duvidei de sua capacidade staminica, embora devesse, pois, seu pedigree parecia melhor adaptável a milha e com benevolência a milha e um quarto. Seu pai, o Derby winner francês Study of Man (Deep Impact) encanta-me na meia distância porém ao mesmo tempo a estrutura genética de sua mãe esta tremendamente calcada pelos milheiros Dansili (2º no Sussex stakes e 3º na Breeders Cup Mile), Zafonic (2,000 Guineas) e Habitat (Prix du Moulin de Longchamp e 2º no St. James Palace stakes), na linha base de Peace (2º no 1,000 Guineas Trial stakes). Milha por todos os lados ! Então porque cargas d´água meu apreço pot Kalpana na milha e meia? Simples meu caro Watson, a forma como corre. A forma como lança as mãos. Em todos os seus movimentos inspira necessidade de distância.
Aproveito o momento para abrir um parênteses. Na reta final de ontem, lembrei-me de um King George em que estive presente, o de 1990, onde o duelo entre Belmez e Old Vic - ambos de Sheikh Mohamed treinados por Sir Henry Cecil, ainda nas antigas cores de seu proprietário - vieram a produzir uma igual sensação. Fecho o parênteses sem memo saber o poruqe.
Sinto que Calandagan não se porta como na temporada passada. Falta-lhe algo. As constantes viagens longas e desgastantes, Japão, Dubai e países da Europa devem ter consumido parte de sua forma. O quarto lugar na Coronation Cup este ano, acendeu aquela luz vermelha de perigo, em minha maneira de ver. Seu Grand Prix Prix de Saint-Cloud, na milha e meia, não me convenceu. Venceu mas não me convenceu. E simplesmente pensei que o resultado do ano passado no King George, poderia este sábado ser revertido. Como o foi.
Meus queridos navegantes, cavalo de corrida é momento. Calandagan está meio "passado". Nada que não possa ser revertido, com bom e merecido descanso. Kalpana, ao contrário, brandia estar prontinha para aprontar alguma. No ano passado já passara bem perto. Simples assim.