Não chegaria a garantir que minha vida é um livro aberto, e que na minha opinião nunca o será, seja de quem ou com quem, estivermos tratando, no momento.
Todos nós temos os nossos mistérios. Nossos segredos profissionais. Nossas verdades mais intimas. Muitos delas trancafiadas a sete chaves no fundo de nossas mentes e até em alguns casos, impossíveis de serem trazidos a tona, por nossa pura incapacidade de fazê-lo. Seja por pura timidez, ou simples avareza cientifica. Enfim, não passamos de seres escravizados por nós mesmos.
Outrossim, quem abre as portas de seu conhecimento a outros, merece um certo crédito, pois, estrapola suas respectivas defesas pessoais e tornam-se os professores da vida. Podem até estar errados, todavia tem o merecimento de ter aberto as comportas de seu saber, aos que querem aprender.
Aprendi muito com George Blackwell, Roberto Prado Telles, Atualpa Soares, Maggi Giovanni e outros mestres que nas mais diversas épocas de minha formação, de alguma forma contribuíram, somando um algo a mais, dentro de mim, Contudo no final do período de conhecimento e início da trilha que o levará a profissionalismo, tudo se resumirá em sua capacidade de decisão entre o que possa ser joio e o que realmente é trigo. Trata-se da fase de consolidação de seus conceitos, dentro de um eterno aprendizado, que irá exigir de você obediência eterna a mais pura verdade de toda e qualquer existência: sempre haverá algo a ser aprendido.
Basicamente minha crença maior, esteve e acredito que pelo tempo que me resta, sempre estará nas linhas maternas, que são o mais fidedigno ponto de ligação entre o início e algo que nunca terá fim: a linha de transmissão de caracteres. O que faz um puro sangue de carreira o ter ou não, é o mistério a ser desvendado. Cabe a você, estudar cada situação e emergir do buraco negro que envolve todos a questão daquele intrínseca vontade de vencer, que uns tem e outros não.
O australiano Bruce Lowe, facilitou o trabalho de todos, identificando o inicio de toda e qualquer matriz dos primórdios da criação desta raça. Classificou-as em famílias e deu chance que cada árvore crescesse segundo suas aptidões. Outros estudiosos, mantiveram e até ampliaram seu trabalho, originando a possibilidade de se identificar certos veios producentes e outros nem tanto. Os producentes passaram a ter um valor. enquanto os outros a sobrevivência refém dos mais desavisados.
Aproveito a oportunidade de trazer a vocês, no Quem avisa amigo é, sempre que possível e no regime do conta gotas, o conhecimento daquelas famílias que para mim, mantém um grau de eterna produção de elementos clássicos em sua maior profusão, tendo como base minha identificação com 100 éguas use considero básicas na transmissão moderna do cavalo clássico de corrida. A começar, por aquela que foi a maior motivação de Lowe, a linha materna por ele batizada com o número 1. Até hoje viva na solidez de três veios de alta transmissibilidade, o de No Fiddling (1945), Busanda (1947), e Striking (1947). Três netas, por três diferentes filhas. Sobrevive e se prolifera o veio 1-x, que representa para a comunidade, o ponto de partida do moderno cavalo norte-americano.
Cabe-se abrir um parêntesis ao criador francês Marcel Boussac, responsável pelo aparecimento de La Troienne e depois, pela venda da mesma ao mercado norte-americano, naquele que segundo ele próprio, "foi o seu maior erro cometido como criador". Fecho o parênteses.
Mas voltemos aos trilhos. No Fiddling, que no nosso idioma pátrio, revela ser Sem Complicações, na verdade o era, pois não conseguiu ganhar uma carreira sequer em 18 tentativas. Também o que se esperar de uma filha do apagado King Cole ?
Criação e propriedade de Ogden Phipps, treinada pelo legendário Sunny Jim Fitzsimmons e depois levada fins reprodutivos pelo haras que a mantinha pensionista, No Flddling custou a demonstrar o seu real valor. Que de uma forma ou de outra, cristalizou-se por intermédio de sua neta, a ganhadora do Frizette, Regal Gleam (Hail to Reason) que propriedade da Claiborne Farm, iniciou uma verdadeira dinastia, culminando com o aparecimento de seu neto, o vencedor do Derby francês, Benson and Hedges Gold Cup e segundo no Irish Derby - todas provas de graduação máxima - Caerleon (Nijinsky e Foreseer).
Caerleon, além de tudo, constituiu-se num sólido reprodutor com a produção de 128 stakes winners, num índice de 12,5%. Entre os de sua produção, cabe-se distinguir o Epsom Derby winner, Generous.
Apenas a titulo de ilustração, a primeira égua de cria por mim adquirida em solo norte-americano foi a perdedora Gleaming Water (Pago Pago), uma neta de Regal Gleam, via Foresser, que com Fast Gold me proporcionou ter o acima de qualquer suspeita, Leau Vivre.
Resumindo, para se ter o luxo de possuir uma La Troienne do veio No Fiddling, aconselho a ter uma descendente de Regal Glean, preferencialmente pelo ramo Foreseer, o mesmo das ganhadoras Future Queen (Wild Event e Bridge Queen) e Talenta (Wild Event e Brincalhona), ambas ganhadoras de graduação máxima no Brasil, e netas da importada Bribe (Bertrando), esta uma neta de Foreseer, importada sabiamente pelo Santa Maria de Araras.
Esta é a análise a ser feita por quem quer minimizar as chances de erro. Seria assim, que você seleciona o seu plantel ?
