Para muitos jovens, tradição e história pertencem a livros e museus. Contudo, eu diria que no turfe elas ainda são louvadas e cultivadas, pelo simples fato, que é disto que a atividade vive. Este é o oxigênio que a faz respirar e o óleo que a mantém viva e lubrificada. Afinal de contas o que é um pedigree, senão um compendio de uma história vivida e de uma tradição reconhecida levada a procriar-se?
Os mais antigos veneravam St. Simon e Hyperion. Os de minha idade a Northern Dancer e Mr. Prospector ficando para a atual turma as marcas de Galileo e Dubawi. Simples assim. Não há mistério. Apenas uma alternância de nomes.
O que mudou na atividade foi o respeito as distâncias. Em tempos idos os embates se davam em três carreiras de 4,000 metros cada, disputadas em uma mesma tarde. Depois, venerou-se a milha e ½ e hoje a milha propriamente dita e a milha e ¼, imperam no imaginário dos mais jovens. Estas novas distâncias, definem a alma do mercado.
Afinal de contas quem atualmente, dá a mínima bola para quem ganhou o St. Leger ou a Ascot Gold Cup? Porém tradição e história mantém o status de ambas provas. O Gran Prix de Paris, outrora considerada a mais importante carreira para os de todas idades na Europa, diminuiu de distância com o simples objetivo de sobreviver. Hoje é um grupo 1, como tantos outros. No Brasil os Grande prêmios Paraná e Bento Gonçalves ainda são reverenciados por um dia terem sido algo, que infelizmente não são mais...
Alguém interessado em cobrir sus éguas com o Rei da Raia Paulista ?
Nos próximos dias, viveremos um paradoxo em situações no hemisfério sul. Na Australia um maratona chamada Merlbourne Cup. Na América do Sul, as milha das primeiras provas das tríplices coroas, paulista, uruguaia, argentina e chilena, cada um com sua importância.
O mercado mundial se apaixonou pelo milheiro e o cavalo de meia distância. Na Europa, Frankel. Nos Estados Unidos, Flightline. O Japão, pais de tradições, ainda se mantém na milha e ½ com Equinox. E na Australia, - um centro com uma dúzia de Derbies - o que vale é a festa propriamente dita. Cantar Sweet Caroline é que virou tradição.
